Resenha • O Segredo dos Corpos

Meu coração parou um pouquinho quando recebi esse pacote da Darkside Books com o livro O Segredo dos Corpos, escrito por Dr. Vincent Di Maio e Ron Franscell. Nada mais justo, já que é um livro que te leva pra dentro das salas de necrotério, contando os segredos que cada saco preto esconde atrás do zíper. Para saber tudo o que essa leitura oferece é só me acompanhar nesse post. ♥

O Segredo dos Corpos é o primeiro livro da coleção Crime Scene da Darkside Books que eu leio. Sim, eu também fiquei horrorizada com isso! Logo eu, a pessoa que entra todos os dias em fóruns de True Crime e fica procurando casos interessantes de assassinatos durante a hora do almoço? Talvez por ler exaustivamente sobre o assunto online diariamente achei que não precisasse de livros sobre o tema, por isso acabei não indo atrás dos títulos dessa coleção. Bom, só pra avisar, eu estava absurdamente enganada e vou explicar pra vocês o porquê.

Saco para Cadáver

Esse pacote da Darkside Books foi, definitivamente, o meu favorito até hoje! O livro veio nesse saco preto com zíper, como aqueles pra guardar corpos {juro que quase chorei de felicidade quando vi isso, sem exagero}. Pra completar o clima necrotério, veio ainda com um par de luvas azuis e uma máscara descartável, além da famosa faixa amarela escrito CRIME SCENE, que já era meu desejo há muito tempo e vai ser muito bem aproveitada quando eu arrumar um cantinho pros meus livros. Me fala se esse não é o kit mais incrível que você já viu na vida?

A equipe que cuida do design também se superou nesse volume! Todo mundo que me viu lendo esse livro ficou maravilhado e quis pegar pra ver sobre o que era, por que ele é simplesmente divino. A capa tem um detalhe em verniz no olho do cadáver, e isso dá um efeito incrível, parece que os olhos dele te seguem o tempo todo. Também amei a combinação de cores, achei esse azul claro tão lindo e diferente pra livros do gênero!

Segredos Desenterrados

Nesse livro o Dr. Vincent Di Maio, renomado patologista forense, nos apresenta alguns dos casos mais importantes em que já trabalhou. Cada capítulo nos apresenta um corpo e todas dúvidas e mistérios que o cercam; o trabalho de Di Maio é fazer com que cada dúvida seja extinguida e cada caso tenha um final justo.

Uma das coisas que mais achei interessante é que {obviamente} como profissional, o legista deve ser imparcial e avaliar apenas os fatos, e não deixar seus pré-conceitos falarem mais alto que as evidências. Enquanto acompanhava cada caso eu pensava comigo mesma “Mas é claro que foi um assassinato horrível e cruel!” para no final as provas mostradas por Di Maio refutarem minhas teorias iniciais. A imprensa e o público geralmente não procuram a verdade, o que queremos é um bode expiatório que nos deixe confortáveis. Gostaria de pensar que não sou assim, mas o caso de Trayvon Martin, que iniciou o movimento #BlackLivesMatter e encabeça o primeiro capítulo do livro, me fez ver como muitas vezes escolhemos fechar os olhos para a realidade.

Meus capítulos favoritos são os que falam sobre alguns dos Serial Killers que passaram pela carreira do patologista. Sempre tive um interesse absurdo pelo assunto e ver os casos pelos olhos de Di Maio é intrigante. Adorei descobrir como alguns casos do começo da carreira dele acabaram servindo como apoio no tribunal para que casos semelhantes futuros conseguissem ser levados à justiça. Ao mesmo tempo, senti uma tristeza absurda de ler sobre casos onde a verdade acabou sendo muito mais dolorosa e “injusta” do que uma mentira que gostaríamos de acreditar, e pessoas acabaram presas ou tiveram a família destruída por causa disso.

A narrativa é impecável, eu devorei palavra por palavra querendo descobrir a conclusão de cada capítulo. Esse foi um dos livros que mais mexeu comigo, especialmente por lidar com casos reais e trágicos. Honestamente, não consigo resumir algo tão complexo como o que é passado nas linhas desse livro, por isso recomendo essa leitura com todo o meu coraçãozinho dark. ♥

A partir de agora me declaro obcecada pela linha Crime Scene e amanhã mesmo inicio a leitura do terceiro livro que ganhei da coleção {sim, eu falo sério quando digo que amo algo}. Vocês também se interessam por esse assunto? Já conhecem esses livros? Me recomendem algo sobre True Crime, pode ser livro, filme ou documentário – quero conhecer o máximo possível sobre o tema!

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Twin Peaks: The Birthday Lodge

Esse ano decidi montar uma surpresa inspirada em Twin Peaks pro meu noivo. Fiquei meses pensando em coisas legais pra fazer, tive ajuda de vários amigos e gostei muito do resultado final, por isso decidi compartilhar tudo com vocês. Quer saber o que eu fiz? Vamos lá!

Presentes com tema?

Confesso que andei meio afastada daqui e um dos motivos é que nesses últimos tempos fiquei planejando e confeccionando essa surpresinha de aniversário pro Rômulo. Eu adoro aniversários {ele inclusive quer me matar quando eu falo do meu “mês de aniversário” com comemorações por várias semanas, por que ele detesta comemorar essa data} e amo de coração montar os presentes pra ele. Já que nossos gostos são super parecidos e somos mega obcecados com o que gostamos, então sei que ele se empolga tanto quanto eu com o resultado final, por isso acabo me empenhando tanto.

Ano passado, por exemplo, montei uma mala de viagem com vários props inspirados em LOST, incluindo uma passagem para o vôo da Oceanic 815, tag pra bagagem, garrafa com uma mensagem dentro, uma lista de Greatest Hits, o bilhete de loteria do Hurley… isso tudo pra complementar o presente principal, claro, que estava escondido no fundo da mala.

Me diverti tanto fazendo essa surpresa que esse ano decidi fazer mais um presente temático, e o tema escolhido não poderia ser nenhum além de… Twin Peaks!

Brainstorming

Já disse no outro post que eu e o Rômulo nos conhecemos por causa dessa série maravilhosa do David Lynch, e com o retorno da terceira temporada esse ano não podia deixar passar essa chance de jeito nenhum! Estamos amando essa temporada nova e toda segunda feira à noite grudamos na televisão pra assistir um episódio inédito juntos.

A minha queridíssima Aline {pouco obcecada por Twin Peaks ela} também deu ótimas idéias – “faz um cartaz de Miss Twin Peaks com a cara do Rô!” – e outras que também acabei não conseguindo fazer mas seriam incríveis, tipo achar coelhinhos de chocolate em julho. Damn, chocolate bunnies!

Algumas outras das idéias iniciais acabaram não dando certo, por exemplo: encontrar a quantidade de cerejas frescas que eu precisaria pra fazer uma cherry pie deliciosa nessa época do ano é bem difícil {e caro!} e um gravador de mão ou até mesmo um walkman foi impossível de encontrar nos sebos da vida. Até ganhei um gravador de um amigo, mas não estava funcionando e deixei com outra pessoa para arrumar, mas não consegui entrar em contato com a pessoa novamente até hoje, por isso acabou nem rolando.

O Dia da Surpresa

No aniversário dele já estava tudo pronto, eu só precisava organizar tudo, comprar os donuts {yum!} e fazer o café. Queria que quando ele entrasse em casa já sentisse o aroma do café e ouvisse o tema de Twin Peaks tocando ao fundo – queria dar pra ele uma experiência completa, senão qual a graça?

Montei tudo num cantinho da sala, apaguei as luzes e pronto: The Birthday Lodge estava criado! {PS: O nome foi idéia dele, já que criei todo um ‘ambiente’ para a surpresa}

Quando ele ouviu a música tocando e  sentiu o cheiro de café ele já sentiu que tinha algo estranho, e quando acendeu as luzes ficou super feliz com a surpresa! O sorriso dele e os comentários engraçadinhos abrindo cada bilhete e pacote foram as coisas mais lindas que já vi na vida. A reação dele fez valer a pena todo o trabalho que tive nessas semanas que passaram.

Vou mostrar agora todos os presentinhos. Quem é fã de Twin Peaks vai se deliciar, só digo isso. ♥

 

Have you seen this man?

Cartaz amassado propositalmente, tá?

 

Doughnut Disturb

Plaquinha igual a que o Hawk coloca na porta na Parte 3 de Twin Peaks: The Return. Peguei aqui no Welcome To Twin Peaks.

 

Dreamy

Ele adorou esse cartaz! Quis até os US$2000, já que ele é a Miss Twin Peaks. Infelizmente os dólares não faziam parte do presente.

 

THE/OWLS/ARE/NOT/WHAT/THEY/SEEM

 

FIRE WALK WITH ME

A parte mais maravilhosa do presente, na minha humilde opinião. Segundo o Rômulo, ver o rosto dele no corpo da Laura Palmer foi “pior que um pesadelo”. Fico feliz por ter proporcionado isso à ele, HAHA.

 

The Key To My Heart

Fiz esse chaveiro inteirinho a mão. Meu amigo cortou o pedaço em madeira e eu fiz o furo, lixei e dei o acabamento. Pintei a base com tinta de tecido mesmo, usei um pincel fininho pra pintar as letras e com a caneta nanquim contornei tudo. Para a parte de metal eu juntei vários pedaços da corrente de outros chaveiros pra criar uma corrente mais bonitinha e resistente. Amei o resultado final; enquanto fazia ele tive mil problemas, mas ver ele pronto assim fez valer a pena todo o sufoco que passei.

 

Menu

O presente real oficial era uma máquina de macarrão, então pra mesclar ele com o tema criei esse “Menu”, unindo referências de Twin Peaks à paixão do Rômulo por Gastronomia e Cinema.

E esse é o presentinho que eu dei! A Atlas 150 é uma máquina de macarrão da marca italiana Marcato e faz três tipos de massa: Lasagne, Taglierini e Fettuccine. Já estreamos ela e adoramos o resultado, facilita muito na hora de abrir e cortar o macarrão. Tenho sorte de ser mimadinha e ter um noivo que ama cozinhar para mim; tudo o que ele faz fica incrível! Já estou prevendo que essa máquina vai ser muito aproveitada por nós dois. Quando abriu a máquina o Rômulo até brincou que o “M” da Marcato parece com as duas montanhas de Twin Peaks {tá vendo, a gente é muito soulmate mesmo haha}.

 

Doughnuts & Damn Fine Coffee!

Nunca tinha experimentado os dois juntos, mas donuts com café é uma dádiva dos céus! Se nunca experimentaram, aconselho fortemente. Agora entendo por que os policiais de Twin Peaks tinham aquela mesa gigantesca de donuts. ♥

 

Sobre Presentes Memoráveis

Espero que esse post inspire quem também adora fazer esse tipo de surpresas {não que o tema precise ser Twin Peaks, obviamente}. Você pode fazer da série, filme ou livro preferido da pessoa, sempre pensando em lembranças que não envolvam tanto dinheiro, mas que tenham mais um trabalho manual e valor sentimental. Uma coisinha simples mas feita com amor é um presente bem melhor que uma coisa cara e genérica, não é mesmo? ♥

O que acharam da minha surpresa? Vocês também amam Twin Peaks? Quero saber o que outros fãs acharam desse presente!

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Resenha • Donnie Darko por Richard Kelly

Quando peguei o livro do Donnie Darko em mãos, a primeira coisa que pensei foi: “será que finalmente vou entender esse filme?“. Não me entenda mal caso não conheça essa obra, mas “o que foi que eu acabei de ver?” é a pergunta que todo mundo faz ao final dele – e essa é justamente uma das razões do sucesso desse clássico cult. Venha ver o que tem nesse volume lindo da Darkside Books e se apaixone por essa história também!

Essa edição de Donnie Darko da Darkside Books é simplesmente maravilhosa: tem capa dura com um design gráfico lindo, marcador de fita de cetim azul e um marcador em formato de avião da Caveirinha.

No prefácio escrito pelo Jake Gyllenhaal ele comenta brevemente sobre o impacto do filme e as experiências que ele teve e ainda tem quando alguém chega pra ele querendo discutir sobre o que o filme trata. Quer saber o que ele responde quando perguntam a teoria dele? Bom, isso eu não posso responder, você vai ter que ler pra descobrir. 💙

A entrevista com o Richard Kelly é simplesmente deliciosa. Não tinha a menor idéia dos percalços que uma produção {atualmente} tão famosa quanto Donnie Darko passou para ser produzida e levada a sério. Saber os detalhes da produção da boca do próprio diretor foi bem interessante e me fez dar bem mais valor ao resultado final.

Sabiam que a Drew Barrymore adorou o roteiro e quis produzir e participar do filme? Bem, eu não sabia. E foi só quando souberam que ela participaria que nomes grandes começaram a se interessar pela obra. E adivinhem, esse mesmo roteiro que ela leu está todinho aqui no livro, pra você ler também!

Sobre o Roteiro

Mesmo amando cinema eu nunca tive muito interesse em ler roteiros, mesmo porque achava abstrato demais. Até este livro, nunca tinha lido nenhum roteiro, e que ironia ter escolhido bem Donnie Darko, não é?

Já vi o filme algumas vezes, mas a última deve ter sido há pelo menos oito anos atrás, então eu não lembrava exatamente de todos os detalhes. No começo do livro já somos avisados pra assistir o filme antes de começar o livro; como já tinha visto, mesmo que há muito tempo, decidi ler tudo primeiro para ter uma experiência completamente diferente das anteriores.

Esse roteiro é a última versão {ou “tratamento”} do diretor, então é o mesmo material que toda a equipe e o elenco teve para se preparar para a gravação. Achei isso super interessante, pois imaginei a loucura que deve ser criar toda uma narrativa visual baseada nas breves descrições do roteiro, mesmo que os diálogos todos estejam praticamente ali. Mesmo com o filme já um pouco apagado da minha mente, ao ler cada linha as cenas apareciam claramente na minha cabeça, como se tivesse assistido há poucos dias e não há quase uma década, então a leitura dele acabou sendo super fácil.

No final também tem “A Filosofia da Viagem no Tempo”, o livro que é citado no filme. Não vou dar mais detalhes sobre ele, pois spoiler né, mas adorei ler ele na íntegra, parece que fazemos parte do mesmo Universo louco do filme.

O Filme Que Explodiu

Na edição acabaram cortando algumas coisinhas, obviamente, mas esse roteiro está bem próximo do resultado final. Assistir o filme depois acabou sendo uma experiência mais completa e até mais emocional, especialmente sabendo de todos os problemas enfrentados na gravação e divulgação do filme. Fiquei muito triste quando fui procurar mais sobre o Richard Kelly e descobri que ele simplesmente sumiu do cinema; ele fez algumas produções que foram muito criticadas e não produz nada desde 2009. Como algumas pessoas dizem, ele foi amaldiçoado ao fazer de seu primeiro filme uma obra prima e infelizmente não conseguiu superá-lo, como muitas vezes acontece em Hollywood.

Ah, outra coisa incrível do filme é a trilha sonora! Se você, assim como eu, é mega saudosista e nostálgico, vai amar saber que a trilha tem nomes queridíssimos como Echo & The Bunnymen, Joy Division, Tears for Fears, Duran Duran, INXS entre outros – sim, tudo isso por que a história é todinha ambientada nos anos 80. Não tem como não amar, né?

Minha Experiência com o Livro

Eu já adorava o filme mas esse livro me fez ter mais carinho por ele ainda. Eu super indico pra você ver o filme primeiro e depois ler o livro, senão você vai ficar perdidinho. Se já viu o filme há algum tempo, faça igual eu, leia o livro e reveja o filme depois, vai ser uma experiência diferente! Donnie Darko é imperdível, não é considerado um clássico à toa, por isso digo que é necessário que você assista SIM!

Não vou comentar absolutamente nada do final, nem mesmo das controvérsias, pois pra mim até isso é um spoiler, mas se quiser comentar sua opinião fique super à vontade. Amo discutir sobre filmes, sempre aprendo algo, então é só chegar!

Como a própria introdução da Darkside diz: “O livro não é melhor que o filme. O livro é o filme!“. Então pegue uma pipoca, escolha qual vai ver primeiro e se prepare para ficar hipnotizado por algumas horas. Tenho certeza que você não irá se decepcionar!

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Resenha • Abominação por Gary Whitta

Quando soube do livro Abominação que a Darkside iria lançar, fiquei super curiosa, pois é o primeiro romance de Gary Whitta, o autor de “Star Wars: Rogue One”. Eu não sei vocês, mas quando assisti esse filme no cinema eu me apaixonei, saí da sala soluçando de tanto chorar! Então é claro que quando li o release meu coraçãozinho bateu um pouco mais forte, visto que já tinha adorado esse trabalho do autor. Admito que Vikings e Idade Média não são minha escolha #1 quando se trata de literatura ou de cinema {acho que cansei do hype, sabe?} mas quis sair da minha zona de conforto, já sabendo que um livro com referências Lovecraftianas não me desapontaria. E adivinhem só: eu estava certa!

O Kit Sangrento

Quando recebi esse pacote da Darkside quase morri do coração! Ao abrir encontrei uma caixa de metal com um desenho de um escaravelho meio destruído na tampa, e dentro dela havia um pôster e o livro, com um dos projetos gráficos mais legais que já vi. Junto ainda veio um escaravelho de plástico com rodinhas, perfeito pra assustar todo mundo aqui em casa {spoiler: minha mãe é que me assustou com ele}. Um detalhe que eu simplesmente AMEI foi o sangue espirrado nas bordas das páginas. Já imaginava que o livro teria muito sangue derramado, mas quando vi isso, fiquei mais empolgada ainda!

Sinopse

Inglaterra, 888 d. C. O Rei Alfredo, o Grande, batalhou por muito tempo contra os invasores nórdicos, e sente que o acordo de paz com os bárbaros será quebrado após a morte do rei dinamarquês. Cansado das desgraças que as batalhas trouxeram ao seu povo, decide dar ouvidos a Aethelred, arcebispo da Cantuária, que diz ter encontrado a solução da guerra de uma vez por todas. Graças ao estudo de velhos pergaminhos, Aethelred inicia experimentos com magia e transmutação, com resultados infinitamente mais perigosos que os próprios bárbaros. Cabe então à Sir Wulfric, um dos melhores amigos do Rei, a tarefa de acabar com os planos do arcebispo.

Gore e Ficção Histórica

Antes de mais nada, vou avisar vocês que o foco de Abominação não são os Vikings. Eles são o pano de fundo do início da narrativa, então não espere ler uma história dedicada inteiramente a eles quando começar esse livro.

O livro é dividido em duas partes: na primeira conhecemos um pouco da história de Alfredo e de Sir Wulfric e também como as ameaças nórdicas levaram o Rei a permitir o uso de magia antiga para a proteção do reino. Na segunda parte é mostrada a caça de uma das últimas criações macabras de Aethelred por Indra, uma paladina da ordem fundada por Sir Wulfric quinze anos antes.

Gostei muito do desenvolvimento dos personagens, o autor consegue transpor os anseios e preocupações de cada um detalhadamente, fazendo com que o leitor se apegue a eles. As cenas de combate são bem escritas, e o fato de ter uma cavaleira na história, algo peculiar para a época retratada, me fez gostar muito mais da narrativa. Ah, isso sem falar dos monstros, uma pequena referência às bestas criadas por Lovecraft, com sua insaciável sede de sangue e destruição. Aliás, já disse que o livro é recheado de sangue, e confesso que isso foi uma das coisas que mais me deixou empolgada. Que  não ama um bocado de sangue, não é mesmo?

Fiquei muito feliz por ter dado uma chance à essa leitura, pois acabei me interessando pelo tema medieval mais do que imaginava. Se você gosta de fantasia, monstros, Idade Média e gore, tenho certeza que vai adorar esse livro, assim como eu adorei.

O Poe gostou tanto do livro que quis aparecer no post também! Quantos comentários essa princesa merece? Diga pra ele o que achou da resenha, e se já leu o livro, me conte sua opinião! Adoro conhecer novos pontos de vista. ♥

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Sobre ser uma #GIRLBOSS

capa girlboss

“Go Ahead, Underestimate Me”

“Vá em frente, me subestime” – Essa frase define muito bem toda nossa geração de mulheres. A carreira de Sophia Amoruso, desde seu início tímido, passando por seu auge astronômico e sua recente falência, é um bom exemplo da nova geração de mulheres empreendedoras e a reação da mídia nesse processo. Com a estréia da série no Netflix e certas reações ao “fim” da carreira de Amoruso, senti a necessidade de desabafar meus 2cents sobre o assunto. Já faz um tempinho que li #GIRLBOSS {cheguei a comentar nesse post} e desde aquela época fiquei com ele na cabeça. Caso você não conheça o livro, aqui está um resumo:

#GIRLBOSS • 2014 • Sophia Amoruso • A fundadora da Nasty Gal conta sua trajetória de vida, de adolescente rebelde que furtava lojas e remexia lixo até CEO de uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares. Amoruso é divertida e mostra que pra sermos bem-sucedidas temos que confiar em nossos instintos e seguir a nossa intuição.

Quando terminei o livro, me encantei pela paixão de Amoruso pela sua carreira, e achei incrivelmente inspirador para garotas jovens que aspiram sucesso profissional mas ainda estão meio perdidas {oi, prazer}. Claro que já conhecia a Nasty Gal, por isso adorei saber que a CEO milionária dessa loja incrível foi uma jovem tão sem rumo quanto eu. Dá uma pontadinha de esperança, não é mesmo?

Podemos dividir o livro em duas partes, que vão se intercalando: a primeira sendo a biografia louca de Amoruso e, a segunda, seus conselhos profissionais – e, pessoalmente, adorei as duas.  A rebeldia da autora me fez relembrar minha adolescência, por isso acabei me identificando muito com sua história, e seus conselhos me dão forças pra continuar focando na minha intuição e buscando aprimorar o que sou boa em fazer.

O livro é bem leve e divertido, gosto muito do jeito que a autora se expressa. Em cada capítulo ela descreve suas experiências e mostra como foi tomando conta das situações. Algumas das frases de efeito presentes no livro são:

  • Uma #GIRLBOSS sabe quando dar o soco e como receber o golpe
  • Todas as ações são criativas
  • O caminho reto e estreito não é o único para se chegar ao sucesso
  • O dinheiro fica melhor no banco do que nos seus pés
  • Aposte em si mesma

Esses são apenas alguns dos conselhos de Amoruso – e todos eles merecem ser levados em consideração. Esse livro é indispensável para todas mulheres que são #GIRLBOSS, mesmo que ainda estejam se adaptando à essa idéia ou que nem saibam que são ainda.

“Eu nunca sonhei com o sucesso. Trabalhei por ele.” Estée Lauder

Agora, sobre a declaração de falência: eu não sou perita em economia (pra falar a verdade a única DP que peguei até hoje foi Administração, pra vocês verem como sou péssima no assunto) por isso não entrarei em méritos técnicos, mas o que me deixou chateada foi o tom que a mídia usou ao falar sobre o assunto. Como é 2017 e ninguém aqui vive numa bolha – sim, estou falando sobre Feminismo – nem preciso comentar que as matérias seriam completamente diferentes caso Sophia fosse do sexo masculino. A opinião da mídia conservadora em relação à sua capacidade administrativa já é negativa pelo fato dela ser uma Millennial e são agravadas ainda mais simplesmente por ela ser mulher.

Por exemplo, olhe o print dessa matéria que Amoruso postou em sua conta de Instagram:

Once you've been slaughtered, it just becomes fun. Afterlife = 👌

A post shared by Sophia Amoruso (@sophiaamoruso) on

O fracasso da Nasty Gal prova que Millennials não estão prontos para liderar?” questiona a manchete. Amoruso reage comentando “uma vez que você foi massacrada, é só diversão“.

A “grande mídia” busca sempre demonizar a geração Millennial {aqueles que nasceram nos anos 80 e 90}, chamando-a de preguiçosa e mimada, e ataca constantemente as vitórias obtidas por seus “membros”, especialmente quando são mulheres. Cheguei a ver um portal que enfatizou que a fundadora da Nasty Gal tinha lágrimas nos olhos ao falar de sua renúncia, fato que provavelmente não seria noticiado caso ela fosse homem {esse é apenas um exemplo bobo que peguei logo na primeira notícia sobre o assunto}. Amoruso construiu um império do nada, em um tempo impressionante, sem uma graduação {ao contrário de grande parte de outros CEOs} e mesmo assim é alvo de dúvidas e chacotas pelos meios de comunicação.

“Por que se adaptar quando você nasceu para de destacar?” Dr. Seuss

Ver constantemente esse tipo de atitude me faz ter vontade de gritar aos quatro ventos: “Hey! Vocês aí! Estão vendo essa mulherada toda sendo incrível? Foi mal, mas o futuro vai ser delas”. Na verdade, vou ficar aqui no meu cantinho mesmo, cuidando das minhas coisinhas e tomando meu chá verde, enquanto vejo minhas amigas e todas essas mulheres incríveis dominando o mundo.

Como assim, dominar o mundo? Simples. Apoie os negócios das suas amigas. Comprem das artistas que vocês admiram. Procure por profissionais mulheres. Você vai criar uma rede linda de #GIRLBOSSES, que assim como você, são apaixonadas pelo que fazem e merecem reconhecimento pelo seu trabalho. Ninguém cresce sozinho. 🌸

Grupos legais pra mulheres empreendedoras: Compro De Quem Faz Das MinasCompro De Quem Faz Das Minas – Sampa. Lá tem todo tipo de serviço e você pode até anunciar seu negócio. Ah, e o site oficial da #GIRLBOSS tem vários artigos {em inglês} com pautas super interessantes, recomendo também.

E a série da Netflix?

Sobre a série: ainda não vi. Ops! Não sei qual é o tom dela {já vi gente reclamando que a Sophia parece uma adolescente mimada} então não vou comentar sobre isso. A série tem treze episódios e a única certeza que tenho é que a trilha sonora está imperdível {colocar “TKO” do Le Tigre é mancada com a minha pessoa}.  Com uma história como a de Amoruso não tem como a série não ser – no mínimo – divertida. Só sei que estou louca pra descobrir!

E você, já conhecia o livro? Já assistiu a série? Tem um negócio próprio e quer se promover nos comentários? Fique à vontade, a casa é sua. 🖤

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Lidos de Fevereiro e Março

Livros lidos em fevereiro e março

Ops! Acho que estou um pouquinho atrasada com esse post, não é? Devo admitir que minha vida ficou uma loucura com a minha recente viagem, então acabei atrasando quase um mês o post com meus livros lidos. Na verdade, foi proposital pra comemorar o Dia Mundial Do Livro, yayyyy! {mentira}

Parece que em Fevereiro e Março eu praticamente só li Darkside, haha. Também, não é pra menos, olha esses títulos, eu nem tive escolha! Mesmo antes da parceria do blog com a Darkside, vocês já sabiam que eu amava e tinha vários volumes da Caveirinha, e essa parceria veio pra confirmar que a Darkside é sim a editora do meu coração, muito obrigada. Já tinha postado aqui a resenha de A Guerra Que Salvou A Minha Vida {que foi o primeiro livro que recebi da parceria}, mas acabei incluindo na lista de lidos pra manter aqui organizadinho.

Na verdade li pouca coisa nesses dois meses. Em Fevereiro eu li apenas A Menina Submersa e o Evangelho de Sangue; amei muito a obra de Caitlín R. Kiernan mas foi uma leitura absurdamente pesada pra mim, então acabei demorando pra terminar. Pra tentar dar uma aliviada li o meu querido Clive Barker, por que sim, até o próprio Lúcifer me deixa mais em paz do que uma menina enfrentando seus próprios demônios. Mas vamos logos às resenhas pra vocês saberem o que mais eu amei.

A Menina Submersa

The Drowning Girl: A Memoir • 2012 • Caitlín R. Kiernan • A Menina Submersa é um livro dentro de um livro. Imp, a narradora, cria um mundo onde sereias e lobos se unem para criar uma história de fantasma – sua própria história de fantasma. Com uma narrativa não-linear, interrompida constantemente pelos pensamentos intrusivos e anotações da autora, vamos conhecendo Imp – ou pelo menos o que ela acha que é a Imp. 

Sobre a edição: é lindíssima. Com um miolo pink e capa dura com um design misterioso, esse livro é com certeza um dos mais belos que possuo – naquele padrão DarkLove que a gente já conhece. E sobre o conteúdo: como já disse lá em cima, achei esse livro incrível – e bem pesado. Acho que isso é devido à proximidade que tenho com a esquizofrenia e relações pessoais com saúde mental. Imp começa escrevendo o livro para relembrar fatos que ficaram confusos em sua memória e externalizar seus pensamentos. Ao longo de sua narrativa, ela expõe seus relacionamentos interpessoais, adiciona contos de sua autoria e descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários. Confesso que enquanto lia, ia anotando várias dessas referências pois queria saber se existiam mesmo {infelizmente muitas não existiam, haha}. Uma das coisas mais incríveis desta obra é como a autora consegue descrever o fluxo de pensamentos de Imp quando ela entra em uma de suas crises; é angustiante e extremamente realista. “A Menina Submersa” é, trocadilhos a parte, um mergulho brilhante dentro de uma mente esquizofrênica.

Evangelho de Sangue

The Scarlet Gospels • 2015 • Clive BarkerHarry D’Amour é um detetive particular com dons paranormais que, juntamente com sua amiga Norma, uma médium velha e cega, se dedica a investigar casos sobrenaturais. Em um desses casos, acaba tendo contato com uma caixa de Lemarchand e encontra o Sacerdote do Inferno, que desta vez tem ambições maiores do que torturar humanos à seu bel prazer.

Quem já conhece Hellraiser pode estranhar um pouco esse livro, que tem um foco bem diferente do primeiro. Desta vez, nosso conhecido Pinhead deseja aumentar seu poder e está disposto a destruir quem entrar em seu caminho, e a única salvação da humanidade é o detetive D’Amour e seu excêntrico grupo de amigos. Barker emprega mais humor nesse livro, trazendo situações e personagens inusitados para uma obra de terror. As personagens, aliás, são o ponto forte do livro, na minha opinião. D’Amour e seus amigos formam um esquadrão incomum e todos são cativantes, cada um à sua maneira; várias vezes algum deles soltava um comentário engraçadinho num momento inapropriado e eu acabava sorrindo junto. As descrições de Barker continuam sanguinolentas, então se você gostou de Hellraiser e quer fazer uma visita ao Inferno {literalmente}, você precisa saber o que acontece nesse volume.

The Warriors

The Warriors • 1965 • Sol YurickIsmael Rivera, respeitado líder da maior gangue de New York, marca um encontro com todas as gangues da cidade para planejar um ataque ao “Homem” – pois ao unificar todos os grupos, nem mesmo a polícia poderia detê-los. A trégua ordenada por Ismael acaba quando, em meio a brigas generalizadas e a chegada da polícia, este é assassinado. Os Dominadores, uma das tropas presentes, tentam então voltar para casa em Coney Island, mas para isso eles tem que enfrentar territórios desconhecidos, gangues rivais e toda a força policial atrás deles pelas ruas e metrôs da cidade.

Pra quem já conhece o filme {um dos meus favoritos}, o livro é uma surpresa e tanto. Ele é bem diferente do filme homônimo de 1979, e vi muitas pessoas ficaram decepcionadas ao ler a obra original. Yurick, graduado em Literatura, trabalhou por anos no serviço social tendo contato com vários “jovens delinquentes” e graças a isso conseguiu trazer um tom mais realista para sua história. Ele teve a idéia de combinar um clássico grego, “Anábase” de Xenofonte, com guerras de gangues em New York, e tanto no filme como no livro esse paralelo se dá pelos membros da gangue lendo uma versão em quadrinhos da obra grega. O livro é bem mais cru do que o filme {um filme Hollywoodiano não poderia exaltar uma gangue que assassina um homem sem motivo algum e estupra mulheres, não é mesmo?} mas mesmo assim é incrível, pois como o próprio Yurick disse, não haveria The Warriors sem o livro. A introdução de Yurick existente nessa edição da Darkside é uma delícia de se ler, um presente maravilhoso para fãs do clássico cult – é REALMENTE imperdível. Uma curiosidade: no dia seguinte  que terminei o livro fui a um bairro distante e que nunca tinha ido, e vi em uma parede, pichado em vermelho: THE WARRIORS. Sim, décadas depois de sua criação, esse clássico continua mais vivo do que nunca!

Menina Má

The Bad Seed • 1954 • William March • Rhoda Penmark, uma linda, educada e estudiosa garotinha de 8 anos de idade, é alvo das suspeitas de sua mãe, Christine, após a morte de um colega de classe. A apatia em relação ao falecimento do garoto e a cobiça exagerada da menina fazem com que Christine comece a duvidar de sua inocência. Esse terrível acontecimento começa a trazer à tona memórias obscuras de sua infância e a faz questionar qual seria a origem da maldade.

Novamente, um dos meus filmes favoritos está na minha estante de livros numa edição linda da Darkside! Eu sou simplesmente apaixonada pelo filme de Mervyn LeRoy e assisto ele no mínimo três vezes por ano – na verdade eu amo tanto “The Bad Seed” que eu quase choro de alegria toda vez que posso dissertar sobre isso. Algumas falas das personagens aparecem do nada na minha cabeça, e então fico dias obcecada com Rhoda e filosofando sobre a origem da maldade. Minha maior inspiração, John Waters, menciona em seu monólogo “This Filth World” que, quando criança, era deslumbrado pela Rhoda e fingia ser ela em sua cabeça {nem preciso falar que chorei quando ouvi isso dele, pois até então nunca havia conhecido ninguém que mencionasse essa obra prima}. O filme é muito parecido com o livro de March, mas mesmo assim, é uma leitura indispensável para quem se interessa por psicopatia infantil pois foi uma das primeiras obras a falar sobre o assunto. Nem consigo imaginar o frenesi que foi na época – imagine, uma criança assassina no meio da década de 50? Obviamente acho tanto a leitura como o filme obrigatórios, então caso não conheça ainda, não me decepcione e descubra logo a real face de Rhoda Penmark!

Contos de Imaginação e Mistério

Tales of Mystery And Imagination • 1835 • Edgar Allan PoeEssa antologia reúne 22 histórias de um dos maiores escritores de terror de todos os tempos. A publicação da Editora Tordesilhas reproduz a edição londrina de 1919 da George G. Harrap & Co. com ilustrações de Harry Clarke e prefácio de Baudelaire.

Sério, acho que nessa altura da vida não preciso falar o quanto Poe é importante pra mim. Meu gatinho não tem esse nome à toa; eu não faria uma homenagem dessas à qualquer um, apenas à quem eu admiro imensamente. Comprei esse exemplar há mais de um ano, quando não existia nenhuma edição de luxo dedicada ao autor. Como já havia lido a maioria dos contos acabei deixando ele de lado, até que mês passado me deu uma vontade louca de reler alguns deles. Ah, e sobre edições maravilhosas: a minha queridinha Darkside lançou há pouquíssimo tempo uma outra antologia incrível {a primeira nacional!} que em breve estará na minha estante por que sou incapaz de resistir à edições maravilhosas, vocês já perceberam. {Só um adendo: sempre que coloco o ano aqui nessas resenhas é por que acho importante saber quando o livro foi publicado pela primeira vez, pra entendermos as referências da obra e entrar no ‘clima’. Como essa é uma compilação de contos, coloquei o ano em que o primeiro conto foi lançado, só pra quem não conhece ter uma idéia, tá?}

Agora, francamente, fazer uma resenha de Poe aqui é desnecessário. Pra quem nunca leu {nossa, o que você está fazendo com a sua vida?} eu só digo que você precisa ler imediatamente {eu indico “O Gato Preto”, “O Poço E O Pêndulo” e “A Máscara da Morte Vermelha”, que são mais curtinhos e ótimos pra conhecê-lo}. Pra quem leu e não gostou, você não merece falar comigo nem com meu anjo gatinho preto. E pra quem já ama, acho que você já se sente mais do que em casa aqui, não é? E se quiser se aprofundar mais sobre o autor, a Anna tem um projeto incrível chamado #12mesesdepoe {cof cof que eu não participo por pura falta de organização, mas sempre fico de olho nas resenhas}, onde rola até um grupo de discussão. Fantástico, não é?

A Guerra Que Salvou A Minha Vida

The War That Saved My Life • 2015 • Kimberly Brubaker Bradley • Ada é uma garotinha de dez ou onze anos que mora em Londres com sua mãe e seu irmão mais novo, e é engolida pela tensão da Segunda Guerra mesmo que nunca tenha pisado fora de casa. Sem conseguir andar por causa de um “defeito” de nascença, a protagonista {assim como milhares de crianças} precisa abandonar Londres e procurar refúgio das ameaças alemãs no interior da Inglaterra. Os irmãos são acolhidos por Susan, uma senhora solteira que vive isolada da comunidade à sua volta, e a primeira coisa que eles descobrem sobre a Srta. Smith é que, como ela mesma diz, ela não é uma pessoa boa.

Já fiz resenha desse livro aqui neste post, então nem vou me demorar aqui. Clique no link pra ver o kit lindo que a Darkside me mandou e uma resenha mais detalhadinha desse livro encantador.

E aí, o que achou dos livros? Já leu algum deles? Ficou com vontade de ler? Você já percebeu que eu me empolgo quando gosto do assunto, então me conte mais no comentários! ♥

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The Love Witch

She loved men… to death.

Não poderia deixar de comentar sobre esse filme aqui! Assisti “The Love Witch” há um tempinho e não consigo deixar de lembrar dele todos os dias. Fiquei completamente encantada pois ele retrata perfeitamente todos os meus gostos. Este é o primeiro longa da diretora Anna Biller, mas o estilo dela é inconfundível: Biller ficou famosa no circuito underground quando lançou o curta “Viva”, sobre uma dona de casa em meio à revolução sexual. Então, se quer ver um filme onde vestidos Vitorianos e mini saias Mod combinam perfeitamente, você precisa conhecer  “The Love Witch”!

Sinopse

Elaine, uma linda e sedutora vixen, é obcecada pelo amor. Não que ela propriamente entenda o que significa o amor, mas ela é apaixonada por essa idéia. Usando feitiços e magia, ela busca nos braços de diversos homens sua felicidade final, mas sempre acaba se decepcionando quando vê a verdadeira natureza dos sentimentos deles, e acaba ceifando a vida de cada um dos que aparecem em seu caminho.

Banquete Visual Vintage

Ao contrário do que a maioria pensa, o filme não é uma paródia ou homenagem aos filmes Technicolor ou exploitation dos anos 60 e 70. Biller quis na verdade fazer um filme utilizando simbologia de cores, usando técnicas clássicas de iluminação e filmagem (essa obra prima foi gravada em 35mm, por isso temos um resultado tão incrível) e atuações teatrais que combinassem com o roteiro.

O uso da simbologia de cores pode ser visto, por exemplo, no salão de chá, onde tudo é rosa e remete à feminilidade, parecendo o interior de um útero. Já na casa onde Elaine se hospeda, por exemplo, a decoração foi inspirada pelas cartas do tarô {que também aparecem ao longo do filme}.

A época do filme é contemporânea, mas a vibe sixties da protagonista nos faz pensar o tempo todo que estamos assistindo um filme produzido há pelo menos cinquenta anos. Devo admitir que quando vi algumas imagens tive que checar o ano do filme pra ter certeza que não estava confundindo, mas o ano era 2016 mesmo. Meu namorado, quando assistimos juntos, estranhou meus comentários extasiados sobre a produção, e perguntou o ano do filme logo no comecinho. Me arrependi no momento que dei a resposta e vi a surpresa dele, pois queria vê-lo confuso quando aparecesse uma cena com celular {mesmo que os carros na rua, por exemplo, denunciem discretamente a contemporaneidade do filme logo no início}.

O que mais me impressionou nos trabalhos da diretora é a precisão técnica. Apaixonada por filmes da Era de Ouro de Hollywood, ela quer que os filmes sigam essa aura, como um mundo de fantasia, por isso tem tanto cuidado com cada detalhe. Para que tudo ficasse o mais fiel possível a sua ideia inicial, Biller dirigiu, produziu, editou, chegou a trabalhar na construção dos cenários, rascunhou cada cena do storyboard e até confeccionou o figurino {amante da moda retrô, ela usou revistas de modelagem de décadas passadas para criar os vestidos maravilhosos de Elaine}. O tapete de pentagrama foi feito à mão pela diretora, e demorou seis meses para ficar pronto!

A maquiagem também é um tópico a parte. A sombra azul combinada com o delineado gatinho que Elaine usa ao longo do filme virou minha obsessão! Nunca achei que fosse ficar tão apaixonada por sombra azul, juro; enquanto via o filme eu fiquei o tempo todo focada nos olhos dela. Uma curiosidade que li também foi que, por ser um filme 35mm, a maquiagem usada acabou sendo pouco tradicional. A marca utilizada foi a Shiseido, pois foi a única que deu uma aparência saudável à pele das personagens. Biller disse que a maquiadora até fez um teste com outras marcas, mas como a diretora já havia tido uma experiência anterior com “Viva”, comprou vários itens da marca e levou para ela testar já sabendo que assim teria os melhores resultados.

Objetificação Feminina

Qualquer pessoa que tenha uma noção de feminismo fica horrorizada com o comportamento de Elaine; até sua própria amiga, Trish, diz que ela sofreu lavagem cerebral do patriarcado com suas idéias sobre o amor e os homens. Quando procurei mais sobre o filme e o curta de Biller, entendi melhor o ponto de vista da diretora sobre suas obras. 

Trish é o representação da feminista moderna, tem desejos e ambições que vão além de seu casamento. Elaine é uma sociopata narcisista, egoísta e extremamente sexual {no sentido de suprir o desejo masculino, pois ela mesma parece tão impassível ao ato sexual quanto ao tomar uma xícara de chá no salão vitoriano}. Ela é a anti-heroína do filme e mesmo assim sentimos simpatia pela personagem, pois a constante objetificação sofrida ao longo dos anos acabou levando-a à loucura.

Elaine enlouqueceu ao tentar encontrar seu lugar no mundo dos homens, e esse resultado da busca pela perfeição e aceitação do sexo masculino é um dos pontos que a diretora mostra em suas obras. No universo de Biller, os homens temem a sexualidade e autonomia femininas, assim como temem as mulheres pois não possuem uma elevação espiritual e sentimental como elas. É justamente por essa fraqueza que Elaine os despreza e acaba matando-os.

Muitas das informações aqui expostas foram retiradas do Twitter da própria diretora, que estou stalkeando desde que vi o filme. Não tenho a fonte de tudo que cito aqui no texto pois já li praticamente todas matérias sobre o filme, antes mesmo de pensar no post, por isso acabei perdendo os originais {pra você entender o nível da minha paixão}. Mas ler as respostas de Biller, entender seus pontos de vista e pegar as referências incríveis que ela posta no Twitter diariamente foi a cereja do bolo pra me deixar obcecada com esse filme e com os assuntos retratados, por isso recomendo muito que siga essa mulher incrível. Você não vai se arrepender!

E pra quem curtiu a vibe do filme, ama rock psicodélico e queria muito viver nos anos 60 assim como eu, recomendo essa playlist:

Ufa! Espero que esse texto tenha deixado você pelo menos um pouquinho curioso pra assistir esse filme. Me fale se gostou; e se já assistiu, o que achou? Vou amar saber sua opinião! 🖤

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Resenha • A Guerra Que Salvou A Minha Vida

Como já havia falado nesse post, estava super ansiosa com a parceria da Darkside, e na semana passada recebi o primeiro livro da Caveirinha! O item enviado foi “A Guerra Que Salvou A Minha Vida” de Kimberly Brubaker Bradley e, mesmo sendo um livro bem diferente do que estou acostumada, eu simplesmente amei. Para quem não conhece, a Darklove é uma linha dentro da editora que foca em obras escritas por mulheres, explorando lugares, culturas e épocas diferentes; e essa obra faz parte dessa coleção. Nesse post vou contar por que ele foi uma experiência que nunca teria vivenciado se não fosse por esse presente.

Sinopse

Ada é uma garotinha de dez ou onze anos que mora em Londres com sua mãe e seu irmão mais novo, e é engolida pela tensão da Segunda Guerra mesmo que nunca tenha pisado fora de casa. Humilhada diariamente pela Mãe, que nem recebe um nome ao longo da história, Ada já travava uma guerra em casa antes mesmo de Hitler planejar os bombardeios à cidade, ataques que mudariam completamente a vida dos irmãos. Sem conseguir andar por causa de um “defeito” de nascença, a protagonista {assim como milhares de crianças} precisa abandonar Londres e procurar refúgio das ameaças alemãs no interior da Inglaterra. Os irmãos são acolhidos por Susan, uma senhora solteira que vive isolada da comunidade à sua volta, e a primeira coisa que eles descobrem sobre a Srta. Smith é que, como ela mesma diz, ela não é uma pessoa boa.

O Kit e Minha Surpresa

O kit continha um saco de pano estampado que embalava o livro e três cartões postais mostrando crianças em meio à destroços de guerra. Quando abri o pacote e vi a estampa do tecido já sabia que livro seria, pois já tinha visto várias postagens sobre ele –  e foi aí que me bateu um leve desespero. Eu sou a pessoa mais drama queen do Universo e uma manteiga derretida assumidíssima. Posso ler e assistir filmes de terror, ver cenas com sangue e corpos decepados, ler relatos de crimes reais com a maior tranquilidade, mas eu simplesmente não consigo lidar com drama e coisas tristes no geral. Fujo de materiais relacionados à Guerra por que eles simplesmente me dilaceram, então vocês conseguem presumir como fiquei quando peguei o livro em mãos.

Imagine qual não foi meu espanto ao começar o livro e ficar completamente apaixonada por ele, com os olhos marejados enquanto devorava cada página? Já tinha lido outros títulos da Darklove, mas nenhum chegou perto do carinho que senti pelas aventuras de Ada ao decorrer de uma das maiores catástrofes que o mundo experienciou.

Primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, “A Guerra Que Salvou Minha Vida” é uma leitura emocionante e deliciosa. As adversidades sofridas por Ada me faziam torcer por cada pequena vitória, e assim fiquei até o final. Bradley escreve com maestria, as personagens são cativantes e a narrativa da guerra descrita pelos olhos de uma criança, que mesmo bem longe dos campos de batalha teve sua vida afetada por esse trágico capítulo da História, é simplesmente incrível.  Recomendo muitíssimo essa obra para quem quer sentir um calorzinho no coração e ler uma bela história de superação, tenho certeza que você não irá se decepcionar.

Você já leu esse livro? Se sim, comente o que achou dele, vou adorar saber sua opinião! E você que não leu, ficou com vontade? Me conte tudo nos comentários.

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Darkside Books: Parceria 2017

É com muito orgulho que anuncio a nova parceira do blog: a Darkside Books! Não tenho palavras pra descrever o que senti quando recebi o e-mail da Caveirinha dizendo que passei na seleção de parceiros deste ano!

A Darkside foi criada especialmente para os amantes da literatura fantástica e de terror. No Brasil estávamos carentes de publicações do gênero e a editora acertou em cheio quando entrou no mercado. A escolha de títulos é sempre surpreendente e deliciosa, e com capas e design gráfico sempre com uma qualidade impecável, a editora colecionou não apenas fãs, mas uma família. Basta ver nas mídias sociais o impacto que a Darkside tem e você entenderá o que estou falando; o público tem orgulho de adquirir cada lançamento, pois vê a paixão investida em todos os volumes.

Criei o blog para espalhar minha paixão sobre literatura, cinema, entretenimento e artes no geral, mas sem muitas pretensões. Meu desejo sempre foi que pessoas com gostos parecidos com os meus se identificassem com o blog e se interessassem por cada tópico aqui mostrado, por isso todos posts sempre foram feitos com muito carinho. O reconhecimento da Darkside me fez ver que estava certa e me motivou absurdamente a focar mais aqui!

Fiquem ligados pois agora vocês vão ver muitas novidades por aqui. Em 2017 eu e a Caveirinha vamos tocar o terror!

Acompanhem a Darkside nas redes sociais!

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Lidos de Dezembro e Janeiro

Tenho que admitir que estive muito relapsa em relação à leitura nesse último ano. Na verdade, 2016 foi provavelmente um dos piores anos da minha vida nesse quesito – e não relaxei apenas com os livros, deixei todo meu lado criativo de lado e me arrependo muito disso. O cansaço do dia a dia fez com que eu ficasse preguiçosa, mas não admito que isso aconteça novamente! Estou mudando várias coisinhas da minha rotina e felizmente meu hábito de leitura foi algo que consegui retomar facilmente.

Entre Dezembro e Janeiro consegui terminar 5 livros e já estou na metade de outro. Vou comentar brevemente sobre cada um na ordem em que foram lidos, e já peço perdão pelo resumo estilo “descreva o livro do pior jeito possível” mas eu detesto esses resumos que soltam spoilers da trama inteira. Também acho que dá pra perceber que gosto de variar bem meu estilo de leitura, acho importante me desconectar completamente entre cada obra, assim não fica cansativo.

Clube da Luta

Fight Club • 1996 • Chuck Palahniuk • Nessa obra o protagonista anônimo, um “homem comum” que está descontente com seu papel na sociedade americana, conhece um excêntrico vendedor de sabonetes chamado Tyler Durden e cria com ele um clube de combate onde todos os homens são iguais e não há regras. Bem, na verdade há regras sim.

Já tinha assistido o filme há muito tempo e amado, então não foi novidade que também amei o livro. Claro que já sabendo o final perdi um pouco do impacto da trama, mas ainda assim tive uma ótima experiência. Só li um livro do Palahniuk antes, o “Condenada”, e gostei do estilo, me fez rir bastante. Ele tem uma narrativa descontraída que faz com que a leitura seja muito fácil. Recomendo tanto o livro como a adaptação para o cinema {embora tenha certeza que você já tenha pelos menos assistido}.

Os Belos e Malditos

The Beautiful and Damned • 1922 • F. Scott Fitzgerald • Retrata a vida de Anthony Patch, um socialite e herdeiro de um magnata, na New York em meio à Era do Jazz. Mostra sua relação com sua esposa, Gloria, o serviço militar no Exército e o alcoolismo.

Fitzgerald é um dos meus autores favoritos; sou apaixonada pelos “Loucos Anos Vinte” e ninguém descreve essa era melhor do que ele. Toda sua obra tem um “quê” de autobiografia: as festas, as viagens, a loucura e a bebida, mas especialmente seu relacionamento com Zelda. É impossível ler qualquer livro dele sem relacionar os personagens principais ao seu casamento conturbado. A biografia de Zelda está na minha lista, espero conseguir ler em breve.

O Iluminado

The Shining • 1977 • Stephen King • Jack Torrance, um escritor e ex-professor alcoólatra, aceita o emprego como zelador do Hotel Overlook e se muda com sua mulher Wendy e seu filho, onde passarão um rigoroso inverno isolados de qualquer contato humano. Danny, o filho deles, é iluminado, e o Hotel fará de tudo para possuí-lo.

Nem preciso falar nada desse, certo? Demorei anos pra ler o livro pois sou birrenta, sabia da rixa entre o Kubrick e o King e enrolei pra ler por causa disso. O livro é INCRÍVEL, entrou definitivamente na minha lista de livros favoritos; é bem diferente do filme também, mas ambos são maravilhosos. O filme sempre foi um dos meus favoritos {lembra que quase morri na exposição do Kubrick?} e me arrependo de não ter lido antes. Estou querendo até ler mais coisas do King, o único livro que li dele e realmente adorei foi The Dead Zone.

1984

Nineteen Eighty-Four • 1949 • George Orwell Winston Smith tem uma vida insignificante num futuro distópico, onde trabalha falsificando documentos públicos para que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais frustado com sua existência e começa a se rebelar contra o sistema.

Já tinha lido esse livro há uns dez anos, e como gostei muito achei que estava na hora de reler. Chega a dar um aperto no coração perceber como o mundo de 1984 {que agora já não é o ‘ futuro’} está muito próximo da nossa realidade.

#GIRLBOSS

#GIRLBOSS • 2014 • Sophia Amoruso • A fundadora da Nasty Gal conta sua trajetória de vida, de adolescente rebelde que furtava lojas e remexia lixo até CEO de uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares. Amoruso é divertida e mostra que pra sermos bem-sucedidas temos que confiar em nossos instintos e seguir a nossa intuição.

Adorei esse livro pois já conhecia a Nasty Gal e é inspirador saber que a dona dessa empresa milionária começou como uma de nós, batalhando por sua carreira. Indico o livro para quem está no comecinho da vida profissional e sonha em ser empreendedora.

Enfim, esses foram os livros li recentemente. E você, já leu algum deles? Ficou com vontade de ler algum? Me indique algo que acha que vou gostar, sempre preciso colocar mais títulos na minha lista de “Quero Ler”.

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