O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares

orfanato-peregrine1

O primeiro contato que tive com esse livro foi por meio de uma fotografia que vi na internet; nela, uma garotinha encontrava-se sozinha, parada na beira de um lago, e no reflexo na água havia não uma, mas duas crianças. Minha primeira reação foi pensar “COMO ASSIM eu nunca vi essa foto antes?”. Minha surpresa não foi injustificada: eu amo fotografias vintage e histórias de terror, e justamente por isso estou acostumada a ver sempre as mesmas imagens há anos e anos, acompanhadas de alguma história ‘aterrorizante’. Mas ver uma imagem tão bem feita despertou minha curiosidade; foi então que descobri que era parte do livro “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares”.

Gente, olha essa capa. Orfanato, crianças peculiares e fotografias bizarras? Eu tive que comprar esse livro imediatamente, pois pensei que leria uma história fofinha de terror, do jeito que eu gosto. Eu odeio qualquer tipo de spoiler, e para mim até resenhas são spoilers, então quando comecei a ler não tinha a menor idéia sobre o que seria a história.

orfanato-peregrine4

Terror e suspense? Hum, acho que não. Qual não foi minha surpresa ao perceber nas primeiras páginas que o livro não era sobre nada disso? Ele é, na realidade, uma fantasia para o público pré adolescente, que realmente não é meu tipo favorito de literatura desde que, ahm, não sou mais adolescente. Enfim, mea culpa, eu que evitei saber sobre o livro e acabei tendo essa surpresa, por isso continuei a ler o livro sem mais empecilhos. Aliás, minto. Faltando pouquíssimas páginas para acabar fui ficando desesperada pois não seria possível dar um desfecho bom para a história, foi então que percebi que caí em outra armadilha: “Merda. Estou lendo uma trilogia!” – que não seria ruim se eu tivesse amado o livro, mas não foi o caso. Não que o livro não seja bom, mas ele não é meu estilo, e só de pensar que terei que ler mais dois para a conclusão da narrativa eu fico levemente angustiada. A história? Bom, vocês já perceberam que eu sou contra resenhas, então vou simplificar do meu jeito.

Jacob, quando criança, adorava ouvir as histórias de seu avô sobre o orfanato onde foi criado e as crianças peculiares que lá habitavam. Quando este morre, Jacob, já adolescente, vai atrás do orfanato, buscando respostas sobre a vida do avô.

orfanato-peregrine5

As fotografias são utilizadas ao longo do livro para ilustrar as crianças e alguns fatos descritos, e são de longe minha parte favorita. Imagine qual foi minha surpresa ao ler o seguinte disclaimer do autor, no fim do livro:

“Todas as imagens desse livro são fotografias antigas autênticas e, com exceção de algumas que passaram por leve tratamento, não foram alteradas. Elas foram emprestadas de arquivos pessoais de dez colecionadores, pessoas que passaram anos e horas incontáveis revirando caixas gigantes de retratos de todos os tipos em brechós, feiras de antiguidade e vendas de garagem para encontrar umas poucas fotos transcendentes, resgatando imagens de significado histórico e extraindo beleza da obscuridade – e, muito provavelmente, do lixo. Sua obra é um trabalho de amor sem glamour e acho que eles são heróis anônimos do mundo da fotografia.”

Imagine minha alegria ao saber que a melhor parte do livro é real! Não sei quais foram as alterações que fizeram nas fotos, mas eu não me importo, pois todas são fantásticas {devo admitir que imaginar o real contexto de cada fotografia me animou muito mais do que a própria narrativa}. Eu realmente achei as imagens incrivelmente realistas para serem atuais, pois acho muito difícil captar totalmente essa essência pitoresca sem ter um resultado forçado. Depois, procurando mais informações, descobri que inicialmente a idéia do livro era fazer uma história visual a partir de fotos antigas e exóticas, mas o autor decidiu criar uma narrativa e utilizar as fotos para ilustrá-la.

orfanato-peregrine3

 Para quem se interessou pelo livro, tenho uma boa notícia: Tim Burton está dirigindo a versão cinematográfica que deve sair em dezembro desse ano. O próprio diretor comentou: “Vocês tem certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito…”. Realmente, a narrativa tem muito do universo dele, e por isso temos a certeza de que o resultado será muito interessante.

Continue Reading

Doenças Literárias • TAG

Peguei essa TAG do Beco Literário; ela consiste em, para cada doença nós citarmos um livro de acordo com o que se pede.

 

Diabetes: Um livro muito doce.

Não costumo ler livros ‘doces’, mas se tem um que li e gostei foi O Triste Fim do Menino Ostra, do Tim Burton. É aquela coisa fofinha e macabra, sabe? Ok, talvez nada fofinha e apenas macabra, mas é o mais perto disso que me lembro.

Catapora: Um livro que você leu uma vez para nunca mais na vida.

Acho que a maioria dos livros obrigatórios para vestibular, não por que são ruins, mas por que a obrigatoriedade de ler eles é extremamente chata e traumatizante, tira toda a beleza e magia dos livros.

Influenza A: Um livro contagioso.

Acho que estamos vivendo uma época em que vários livros são contagiosos, não? Num mundo de trilogias, John Green e tons monocromáticos, eu costumo fugir do hype. Mas se tem um que tive de me render foi Harry Potter, quando estava em seu auge; devorei todos os livros, assim como pelo menos metade da minha geração.

Insônia: Um livro que você virou a noite lendo

Toda a série de Pretty Little Liars, que é bem bobinha, mas me viciou de um jeito inacreditável!

Amnésia: Um livro que você leu e não se lembra.

Nossa, nesse item cabem vários. Pego tantos livros que sempre acabo esquecendo a história de alguns, por isso estou sempre relendo meus favoritos. Lembro que peguei pra ler um chamado Memento Mori pelo nome, mas não lembro de absolutamente nada da estória, só o título mesmo.

Asma: Um livro que te tirou o fôlego.

F. Scott Fitzgerald sempre tira meu fôlego, mas o que ele fez com o Gatsby no fim do livro me arrancou lágrimas e me deixou sem ar. Chorei igual um bebê!

Má Nutrição: Um livro que você esqueceu-se de comer para ler.

Qualquer livro do Lovecraft. Esse homem me encanta e me deixa completamente hipnotizada e intrigada por qualquer história.

Doença de Viagem: Um livro que te lembre/você relacione com uma viagem.

Grande Hotel, da Vicki Baum, me lembra muito uma viagem que fiz ao Sul, já que foi meu companheiro durante a viagem toda.

E ai, gostaram? Achei essa TAG super divertida, fiquem a vontade para respondê-la também!

Continue Reading

Três livros que mudaram minha vida

Esse mês o Rotaroots propôs que indicássemos três livros que mudaram nossa vida, e assim que vi que este seria o tema fiquei super ansiosa para escrever esse post! Mas aí veio um choque: que livros eu iria escolher? São tantos livros especiais na minha vida que fiquei perdida, confesso. Mas depois de uns dias matutando um pouquinho, percebi que esses três diziam muito sobre mim.

The Bell Jar • Sylvia Plath

“A batida do meu coração retumbou como um tambor na minha cabeça. Eu sou, eu sou, eu sou.”

Esther Greenwood, uma brilhante, linda e talentosa escritora, ganha uma bolsa de um mês para estudar em New York, mas ao contrário de suas colegas, não se interessa por nada. É aí que começa a luta da personagem principal contra a depressão, até sua crise final.

“A Redoma de Vidro” é de longe o livro mais impactante da minha vida; o livro é quase uma auto biografia e na vida real, Plath suicidou-se um mês após o livro ser lançado. É um livro extremamente triggering e forte, então não recomendo que seja lido caso você esteja em uma fase difícil.

Menschen im Hotel • Vicki Baum

“Pessoas entram. Pessoas saem. Nunca acontece nada aqui.”

“Grande Hotel” é um livro da Alemanha pós-guerra, que também foi adaptado para o cinema com as atrizes Greta Garbo e Joan Crawford. O Grande Hotel é o mais luxuoso hotel de Berlim, onde ao contrário do que a frase inicial nos diz, tudo acontece. Um aristocrata arruinado, um magnata sem escrúpulos, uma bailarina decadente, uma secretária intriguista e um funcionário do hotel envolvem-se em encontros, desencontros e paixões avassaladoras.

Gostei muito desse livro pois ele mostra que todos estamos conectados, de uma forma que nem imaginamos, e que nossas ações afetam todo um meio. Li ele durante uma viagem ao Sul e fiquei estupefata com o desenrolar das situações. Vale a pena tanto a leitura do livro como o filme, que tem o roteiro pela própria escritora.

The Dreams in the Witch House • H. P. Lovecraft

“Se os sonhos ocasionaram a febre ou se a febre ocasionou os sonhos, Walter Gilman não sabia.”

Walter Gilman faz estudos científicos no sótão de uma velha casa, que foi moradia da bruxa Kezian Mason, e hoje é considerada amaldiçoada. De noite, é vítima de intensos pesadelos, onde é levado para um abismo fantástico e para outras dimensões; também nos sonhos é visitado pela a bruxa e sua criatura Parducho.
“Os Sonhos na Casa das Bruxas” não é um livro, mas sim um conto. Foi a primeira vez que me arrepiei de medo lendo algo na minha vida, e fiquei encantada com o fato de sentir isso com um livro, apenas criando imagens na minha mente. Lovecraft é um dos meus escritores favoritos e não poderia faltar nesse post.

Fiz essa lista com um aperto no coração, e agora que acabei percebi como é difícil escolher apenas três. Onde está meu amor, Fitzgerald? E Goethe? Poe? Enfim, vocês já conheciam algum desses livros? E quais vocês escolheriam?

Continue Reading

Mark Ryden • PINXIT

Pinxit, do Latim “Pintado Por”, é uma retrospectiva arrebatadora que reúne o trabalho de quase duas décadas de Mark Ryden, um de meus artistas favoritos. Comprei este livro encantador durante minha viagem a Paris, na livraria do Palais de Tokyo. 

Mark Ryden é um dos mais renomados artistas do movimento de surrealismo-pop, uma arte underground e influenciada pela cultura pop. A estética de Ryden é desenvolvida a partir de sutis fusões de muitas fontes, que vão de David Ingres à qualquer coisa que evoque mistério, como por exemplo brinquedos antigos, modelos de anatomia, animais empalhados, esqueletos e artigos religiosos. 

O livro, para complementar algumas das ilustrações, possui páginas com vários detalhes em escala real {estava tão acostumada a ver as imagens apenas pela internet que não tinha noção do tamanho real das telas}. É possível ver toda a minúcia das pinturas que, juntamente com os rascunhos e explicações, dão uma nova vida a cada obra.

Abaixo estão algumas imagens do livro, só para dar um gostinho para vocês.
 
.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
Continue Reading