Resenha • Meu Amigo Dahmer

E se você descobrisse que aquele seu amigo estranho do colegial virou um dos mais famosos serial killers do mundo, o que faria? Derf Backderf decidiu relembrar sua adolescência nessa Graphic Novel perturbadora, para contar uma história bem diferente da que estamos acostumados sobre o canibal necrófilo Jeffrey Dahmer.

Quando a Darkside Books anunciou que lançaria HQs fiquei mega animada, pois se tem uma editora que eu confio plenamente no gosto é a Caveirinha, então já sabia que iria adorar os títulos novos. Quando vi que Meu Amigo Dahmer estava entre os três primeiros lançamentos nem consegui acreditar; na época nem sabia que o filme já estava em produção, mas já tinha ouvido falar {e muito!} nessa Graphic Novel. Fiquei esperando ansiosamente meu pacotinho chegar em casa.

Para quem não percebeu ainda, eu sou fascinada por casos de True Crime e Serial Killers. Eu passo meu horário de almoço inteiro, literalmente todos os dias, fuçando sobre o assunto no Reddit e quando não consigo dormir tento encontrar um artigo que ainda não li no blog O Aprendiz Verde, um dos meus favoritos da vida. Até cheguei a contar nesse post sobre O Segredo dos Corpos que demorei pra pegar os livros da coleção Crime Scene e que me arrependo amargamente disso, pois acabaram sendo os mais incríveis que li esse ano. Meu Amigo Dahmer mostra um outro lado desse tema, focando na história do serial killer antes de matar, e é essencial para qualquer um que se interesse pelo assunto.

Quem foi Jeffrey Dahmer?

 • { AVISO: CONTEÚDO VIOLENTO E DESCRIÇÕES GRÁFICAS } •

Jeffrey Lionel Dahmer {21 de Maio 1960 – 28 de Novembro de 1994} foi um dos mais brutais serial killers americanos. Entre 1978 e 1991, Dahmer matou 17 homens; ele dopava e violentava suas vítimas, estrangulava-os e desmembrava os corpos, preservando algumas partes e comendo outras. Ele também tentou criar “zumbis sexuais”, injetando ácido e água quente nos crânios abertos de suas vítimas ainda vivas.

Quando descoberto, as provas em seu apartamento não poderiam ter sido menos chocantes: quatro cabeças decepadas, sete crânios, dois esqueletos, dois corações e um torso, além de várias outras partes de corpos, como pênis em conserva e torsos meio dissolvidos em ácido. Também foram encontradas várias polaroids no local que mostravam as atrocidades cometidas.

Em 1992 o “Canibal de Milwaukee”, como ficou conhecido, foi condenado por 15 assassinatos e pegou 957 anos de prisão. Em 1994 Dahmer morreu após sofrer um ataque com uma barra de ferro por outro presidiário.

A história antes da história

Ler Meu Amigo Dahmer é uma experiência visceral, não importa se você acompanha casos de True Crime ou não. Quando imaginamos um serial killer pensamos logo em um monstro longe de nossa realidade; é difícil imaginar que essa pessoa tenha sido uma criança vulnerável um dia, que tenha frequentado a escola, rido de alguma gracinha que aconteceu em sala, tido amigos que nem imaginavam o que se passava em sua cabeça – e é exatamente esse retrato de Dahmer que Derf passa em cada página dessa história.

O interessante é que Derf não busca justificar os atos de Dahmer em momento algum, mas questiona se as coisas poderiam ter tomado rumos diferentes caso os “adultos” tivessem prestado atenção no que estava acontecendo. Os pais, professores e figuras de autoridade de sua vida sempre acabaram ignorando os problemas óbvios que Dahmer enfrentava, fazendo com que ele vivesse e lidasse com seus fantasmas sozinho.

Todos os fatos narrados nos quadrinhos são baseados em relatos do autor, amigos e professores, e são embasados por documentos oficiais e informações cedidas pelo próprio Dahmer em entrevistas posteriores. Além dos quadrinhos, Derf detalha cada acontecimento no final do livro, ampliando nossa visão dos acontecimentos.

Edição Caveirosa

Além da Graphic Novel revisada, essa edição com capa dura da Darkside Books tem também a versão original {e bem mais curta}, além de inúmeros sketches e fotografias originais do autor, retratando sua amizade com Dahmer e a vida deles na escola. Além disso, temos algumas páginas de rascunhos que acabaram sendo cortadas da versão final dos quadrinhos, mas que são igualmente fortes.

Uma coisa que me incomodou um pouco antes de começar a ler foi o estilo do traço de Derf, pois achei muito “simples” {e feio, cof cof}, e senti que não me faria “entrar” na história. Quando terminei, achei o estilo perfeito para a narrativa! Criei um respeito e um carinho tão grande pela história que quando fui tirar essas fotos senti novamente um peso no estômago, pois cada quadrinho é extremamente forte e impactante.

Foto acima • Para vocês verem como as Caveirinhas andam sempre juntas: retrato de Dahmer no colegial em 1977, no livro Arquivos Serial Killers de Ilana Casoy. Essa edição é fantástica e vai estar no blog em breve!

Honestamente, essa HQ foi a melhor que li esse ano. Ela é tão incrível que falo dela pra qualquer um, mesmo quem não goste do assunto. Até fiz minha irmã ler {acho que foi a primeira HQ dela}, mas é uma história que me surpreendeu tanto que não consigo deixar de lado.

Sobre O Filme

Depois disso tudo nem preciso dizer que chorei quando vi o trailer do filme, né? A semelhança de Ross Lynch com Dahmer é absurdamente impecável, e pelas poucas cenas que aparecem posso dizer que sua atuação também está muito parecida. Estou muito ansiosa por esse filme, muito muito muito ansiosa mesmo. A estréia está marcada para 03 de Novembro deste ano nos Estados Unidos, mas não tenho idéia se vai sair nos cinemas brasileiros. Assista aqui o trailer e me fale se não sente um arrepio até a espinha:

Ele foi um monstro, mas todo monstro nasce de algo; nessa obra conhecemos o início do fim de Dahmer.

E você, também se interessa pelo tema? Já conhecia essa Graphic Novel? Quer ver o filme no cinema? Já viu que eu me empolgo sobre o assunto, pode vir que vou adorar falar sobre isso.

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Resenha • Wytches

Brvxas: esqueça tudo o que sabe sobre bruxas antes de mergulhar nessa Graphic Novel de Scott Snyder que explora nossos medos mais profundos.

E pela primeira vez aqui no blog, uma resenha de uma Graphic Novel! Claro que tinha que ser com uma das primeiras HQs que a Darkside Books lançou, não é mesmo? Já comentei aqui que, mesmo estando noiva de um artista de quadrinhos, só agora estou me interessando por esse tipo de arte – e graças à esses lançamentos da Darkside estou tendo a oportunidade de conhecer HQs que são a minha cara. Hoje vou falar da primeira delas, que já tinha sido recomendada para mim e que fala sobre bruxas. Não, espera, eu quis dizer brvxas!

E é como disse lá em cima: essa não é uma história sobre bruxas, é uma história sobre brvxas. A primeira vez que li essa HQ foi em um domingo ensolarado e estava ansiosa para ler algo sobre as bruxas que eu amo: podia ser uma coisa à la Wicked, The Love Witch ou meio The VVitch, quem sabe? Mas não imaginei que o livro fosse fugir completamente dos arquétipos que estou acostumada e que gosto tanto – e por isso acho que acabei me decepcionando um pouco. Mas, como confio muito no gosto da minha querida Aline {que tinha me dito que essa era uma de suas HQs favoritas}, acabei relendo algum tempo depois sem maiores expectativas e adivinhem: eu simplesmente adorei dessa vez!

Não sei se o dia feliz e os raios de sol contagiando o ar com alegria enfraqueceram um pouco o impacto e o medo que eu deveria ter sentido pela primeira vez, mas ler essa HQ novamente em uma manhã nublada numa sala vazia fez meu coração saltar algumas vezes. Se você for ler Wytches pela primeira vez, siga meu conselho: leia num lugar onde esteja sozinho, sem barulhos e de noite – sua experiência será muito melhor.

 Sinopse

Sailor Rook é uma adolescente solitária que, juntamente com seu pai e sua mãe, se muda para uma pequena cidadezinha de New Hampshire chamada Litchfield, buscando um recomeço após um incidente trágico. O que eles ainda não sabem é que algo sinistro vive nas florestas, espreitando e esperando para atacar. Afinal, jura é jura!

Na Toca das Brvxas

Uma coisa que também achei incrível foi a técnica mista utilizada para as ilustrações, que ficaram a cargo de Jock. No fim do livro tem um passo-a-passo ilustrando como foram feitas as páginas, que é super interessante para quem, assim como eu, se interessa por esse tipo de arte. Cada página foi desenhada com nanquim e depois recebeu camadas e mais camadas de pinturas no Photoshop e de borrões com aquarela e tinta acrílica em papel, que foram intercaladas para criar esse efeito caótico e complexo.

E nem preciso comentar que quase morri de felicidade quando recebi esse pacote; os detalhes ficaram maravilhosos e totalmente minha a e s t h e t i c, haha. O livro veio embrulhado em um tecido rústico, estonado, amarrado com um cordão de camurça marrom com uma pedra roxa e galhos – parece que estava escondido perto de uma toca de brvxas! Olhar esse pacote depois da leitura me fez continuar imersa no universo dessas criaturas; sério, tem como não amar a Darkside?

Dentes Arreganhados

Ao ler os vários epílogos escritos por Snyder fui desenvolvendo melhor a idéia do que uma Wytch é para mim. Wytches são criaturas horrendas, que se escondem debaixo da terra e se alimentam de carne humana; mas elas só agem quando permitimos, quando somos tomados pelo medo e deixamos ele tomar conta de nossa vida. E sim, as Wytches são reais e nós passamos por elas todos os dias. Elas podem não comer carne, não literalmente pelo menos, mas o prazer pelo medo que elas infligem nos consome do mesmo jeito. As Wytches estão à espreita para ver você falhar, estão aguardando o deslize que vai fazer você chegar no desespero máximo para se deliciar com seu sofrimento; é nessa hora que elas chegam com os dentes arreganhados.

Essa é uma história em que Snyder usou o próprio medo de não poder proteger seu filho da realidade para criar uma narrativa dentro de uma mitologia, e podemos perceber bem esse sentimento no relacionamento entre Sailor e seu pai. Se eu, que não tenho filhos, já fico apreensiva normalmente ao imaginar a responsabilidade de criar outra pessoa, nem imagino a angústia que deve ser sentir esse medo específico. Se eu fosse mãe e lesse Wytches eu acho que teria uma síncope. E não são só os pais que sofrem com as brvxas: bullying, depressão, dependência e solidão são algumas das outras coisas que as Wytches adoram.

Apenas relembrando que essa é a minha interpretação. E, mesmo não vendo mais as Wytches como criaturas monstruosas, isso não quer dizer que eu tenha menos medo delas. O fato de enxergá-las o tempo todo agora me deixa apavorada!

E você, já conhecia essa HQ? O que achou? Ficou com vontade de ler? 💜

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Resenha • Coração Satânico

Magia negra, Nova York nos anos 50, voodoo, assassinatos cruéis e um detetive em busca da verdade: não é à toa que fiquei apaixonada por esse livro! Venha conferir comigo todos os detalhes desse suspense delicioso da Darkside Books. 🖤

Não sei exatamente por quê, mas desde que recebi o release de Coração Satânico por William Hjortsberg fiquei vibrando por esse livro. Nunca tinha ouvido falar dele ou do filme antes, mas ao ver imagens da adaptação de 1987 achei que a obra tinha um “quê” de Southern Gothic – basicamente, a minha cara. Achei a capa do livro maravilhosa, vi que tinha um filme com o De Niro e já fiquei louca para ler logo. E, honestamente? Foi uma das melhores leituras do ano. Obrigada mesmo Darkside Books por ter apresentado essa obra para mim, pois sei que se não fosse por esse relançamento lindo eu nunca teria conhecido esse livro!

Sinopse

Nova York, 1959. O detetive particular Harry Angel é contratado por um misterioso cliente chamado Louis Cyphre para descobrir o paradeiro de um famoso cantor chamado Johnny Favorite. O músico retornou da Segunda Guerra Mundial em estado catatônico e foi internado em um hospital, nunca mais sendo visto depois disso. Para descobrir seu paradeiro, Angel segue os rastros de Favorite e se vê cada vez mais envolvido com cultos secretos, magia negra e voodoo.

Galinhas, Sangue & Alfinetes

A inspiração Noir clássica é inegável na trama – o que me deixou extasiada, já que eu amo Filmes Noir. Nem preciso dizer que toda essa temática ocultista me agrada muito, então ler um “Noir” sobre esses assuntos é um prazer. A leitura dessa obra é deliciosa, é o tipo de livro que te deixa ser ar do começo até o final!

Uma coisa que achei super legal é que o autor pesquisou a fundo a estrutura da cidade: cada rua e referência descrita são reais. Os detalhes são tantos que sentimos que estamos ao lado de Angel, desbravando cada canto da cidade em busca de Johnny Favorite. E mais: se o autor fala que em tal dia há quase sessenta anos atrás choveu, realmente choveu! Ele pesquisou cada tempestade, garoa e nevasca para que o resultado fosse o mais realista possível. Incrível, não é?

Eu sei que sou suspeita já que falo isso toda vez, mas essa capa é uma das minhas favoritas da minha estante! Ela me deixou louca pra ler o livro {e não me decepcionei nem um pouco} e acho essa colagem de imagens maravilhosa. Além da parte gráfica toda que está linda, meu livro veio amarrado em barbante vermelho e com um – pasmem – boneco de voodoo! Ele ainda veio com um bilhetinho ótimo sobre os voodoos que a gente pode fazer {pra Darkside lançar nosso autor favorito, pra ganhar livros novos…} e por aí vai. Adorei esse boneco, pode ter certeza que já espetei muito ele, viu?

 O Filme

A adaptação cinematográfica de 1987 {“Angel Heart”, no Brasil: “Coração Satânico”} tem muitas diferenças em relação ao romance original – o que não é novidade nenhuma – mas mesmo assim não deixa de ser um bom filme. No filme, Mickey Rourke interpreta Harry Angel e Robert De Niro interpreta Louis Cyphre.

Mudanças sempre são necessárias para adaptar um livro para o cinema, mas uma coisa que não entendi foi mudarem o ano em que se passa a história: no livro ela se passa em 1959, enquanto no filme o ano é 1955. Achei uma mudança tão insignificante, queria mesmo entender o motivo dela. Outra alteração é no cenário: enquanto no livro os personagens ficam sempre em Nova York, no filme saímos da metrópole em algumas cenas, por exemplo quando Angel vai procurar mais informações sobre Evangeline. No filme a cena funciona muito bem, é um contrate enorme com as cenas escuras da cidade, mas como falei lá em cima o livro é tão rico em detalhes reais sobre Nova York que me dá até pena a história sair um pouco de lá.

Depois que terminei o filme fiquei ainda mais chocada por nunca ter ouvido falar dele. Por que raios ele não é mais conhecido? Ele pode não ser o filme mais incrível do mundo, mas tem o De Niro interpretando um cavalheiro “exótico”, tem sangue, tem voodoo, é inspirado em Filmes Noir, enfim, tem tudo o que eu gosto e eu nunca vi ninguém falando sobre ele. Decepcionadíssima comigo mesma, rs. Mas enfim, se gosta de filmes assim, vale a pena assistir esse também, caso não tenha visto ainda.

E o que achou desse livro? Gosta de obras com essa temática? Já tinha visto o filme? Me conta nos comentários, será que eu sou a única desinformada do mundo?

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Resenha • O Segredo dos Corpos

Meu coração parou um pouquinho quando recebi esse pacote da Darkside Books com o livro O Segredo dos Corpos, escrito por Dr. Vincent Di Maio e Ron Franscell. Nada mais justo, já que é um livro que te leva pra dentro das salas de necrotério, contando os segredos que cada saco preto esconde atrás do zíper. Para saber tudo o que essa leitura oferece é só me acompanhar nesse post. ♥

O Segredo dos Corpos é o primeiro livro da coleção Crime Scene da Darkside Books que eu leio. Sim, eu também fiquei horrorizada com isso! Logo eu, a pessoa que entra todos os dias em fóruns de True Crime e fica procurando casos interessantes de assassinatos durante a hora do almoço? Talvez por ler exaustivamente sobre o assunto online diariamente achei que não precisasse de livros sobre o tema, por isso acabei não indo atrás dos títulos dessa coleção. Bom, só pra avisar, eu estava absurdamente enganada e vou explicar pra vocês o porquê.

Saco para Cadáver

Esse pacote da Darkside Books foi, definitivamente, o meu favorito até hoje! O livro veio nesse saco preto com zíper, como aqueles pra guardar corpos {juro que quase chorei de felicidade quando vi isso, sem exagero}. Pra completar o clima necrotério, veio ainda com um par de luvas azuis e uma máscara descartável, além da famosa faixa amarela escrito CRIME SCENE, que já era meu desejo há muito tempo e vai ser muito bem aproveitada quando eu arrumar um cantinho pros meus livros. Me fala se esse não é o kit mais incrível que você já viu na vida?

A equipe que cuida do design também se superou nesse volume! Todo mundo que me viu lendo esse livro ficou maravilhado e quis pegar pra ver sobre o que era, por que ele é simplesmente divino. A capa tem um detalhe em verniz no olho do cadáver, e isso dá um efeito incrível, parece que os olhos dele te seguem o tempo todo. Também amei a combinação de cores, achei esse azul claro tão lindo e diferente pra livros do gênero!

Segredos Desenterrados

Nesse livro o Dr. Vincent Di Maio, renomado patologista forense, nos apresenta alguns dos casos mais importantes em que já trabalhou. Cada capítulo nos apresenta um corpo e todas dúvidas e mistérios que o cercam; o trabalho de Di Maio é fazer com que cada dúvida seja extinguida e cada caso tenha um final justo.

Uma das coisas que mais achei interessante é que {obviamente} como profissional, o legista deve ser imparcial e avaliar apenas os fatos, e não deixar seus pré-conceitos falarem mais alto que as evidências. Enquanto acompanhava cada caso eu pensava comigo mesma “Mas é claro que foi um assassinato horrível e cruel!” para no final as provas mostradas por Di Maio refutarem minhas teorias iniciais. A imprensa e o público geralmente não procuram a verdade, o que queremos é um bode expiatório que nos deixe confortáveis. Gostaria de pensar que não sou assim, mas o caso de Trayvon Martin, que iniciou o movimento #BlackLivesMatter e encabeça o primeiro capítulo do livro, me fez ver como muitas vezes escolhemos fechar os olhos para a realidade.

Meus capítulos favoritos são os que falam sobre alguns dos Serial Killers que passaram pela carreira do patologista. Sempre tive um interesse absurdo pelo assunto e ver os casos pelos olhos de Di Maio é intrigante. Adorei descobrir como alguns casos do começo da carreira dele acabaram servindo como apoio no tribunal para que casos semelhantes futuros conseguissem ser levados à justiça. Ao mesmo tempo, senti uma tristeza absurda de ler sobre casos onde a verdade acabou sendo muito mais dolorosa e “injusta” do que uma mentira que gostaríamos de acreditar, e pessoas acabaram presas ou tiveram a família destruída por causa disso.

A narrativa é impecável, eu devorei palavra por palavra querendo descobrir a conclusão de cada capítulo. Esse foi um dos livros que mais mexeu comigo, especialmente por lidar com casos reais e trágicos. Honestamente, não consigo resumir algo tão complexo como o que é passado nas linhas desse livro, por isso recomendo essa leitura com todo o meu coraçãozinho dark. ♥

A partir de agora me declaro obcecada pela linha Crime Scene e amanhã mesmo inicio a leitura do terceiro livro que ganhei da coleção {sim, eu falo sério quando digo que amo algo}. Vocês também se interessam por esse assunto? Já conhecem esses livros? Me recomendem algo sobre True Crime, pode ser livro, filme ou documentário – quero conhecer o máximo possível sobre o tema!

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Twin Peaks: The Birthday Lodge

Esse ano decidi montar uma surpresa inspirada em Twin Peaks pro meu noivo. Fiquei meses pensando em coisas legais pra fazer, tive ajuda de vários amigos e gostei muito do resultado final, por isso decidi compartilhar tudo com vocês. Quer saber o que eu fiz? Vamos lá!

Presentes com tema?

Confesso que andei meio afastada daqui e um dos motivos é que nesses últimos tempos fiquei planejando e confeccionando essa surpresinha de aniversário pro Rômulo. Eu adoro aniversários {ele inclusive quer me matar quando eu falo do meu “mês de aniversário” com comemorações por várias semanas, por que ele detesta comemorar essa data} e amo de coração montar os presentes pra ele. Já que nossos gostos são super parecidos e somos mega obcecados com o que gostamos, então sei que ele se empolga tanto quanto eu com o resultado final, por isso acabo me empenhando tanto.

Ano passado, por exemplo, montei uma mala de viagem com vários props inspirados em LOST, incluindo uma passagem para o vôo da Oceanic 815, tag pra bagagem, garrafa com uma mensagem dentro, uma lista de Greatest Hits, o bilhete de loteria do Hurley… isso tudo pra complementar o presente principal, claro, que estava escondido no fundo da mala.

Me diverti tanto fazendo essa surpresa que esse ano decidi fazer mais um presente temático, e o tema escolhido não poderia ser nenhum além de… Twin Peaks!

Brainstorming

Já disse no outro post que eu e o Rômulo nos conhecemos por causa dessa série maravilhosa do David Lynch, e com o retorno da terceira temporada esse ano não podia deixar passar essa chance de jeito nenhum! Estamos amando essa temporada nova e toda segunda feira à noite grudamos na televisão pra assistir um episódio inédito juntos.

A minha queridíssima Aline {pouco obcecada por Twin Peaks ela} também deu ótimas idéias – “faz um cartaz de Miss Twin Peaks com a cara do Rô!” – e outras que também acabei não conseguindo fazer mas seriam incríveis, tipo achar coelhinhos de chocolate em julho. Damn, chocolate bunnies!

Algumas outras das idéias iniciais acabaram não dando certo, por exemplo: encontrar a quantidade de cerejas frescas que eu precisaria pra fazer uma cherry pie deliciosa nessa época do ano é bem difícil {e caro!} e um gravador de mão ou até mesmo um walkman foi impossível de encontrar nos sebos da vida. Até ganhei um gravador de um amigo, mas não estava funcionando e deixei com outra pessoa para arrumar, mas não consegui entrar em contato com a pessoa novamente até hoje, por isso acabou nem rolando.

O Dia da Surpresa

No aniversário dele já estava tudo pronto, eu só precisava organizar tudo, comprar os donuts {yum!} e fazer o café. Queria que quando ele entrasse em casa já sentisse o aroma do café e ouvisse o tema de Twin Peaks tocando ao fundo – queria dar pra ele uma experiência completa, senão qual a graça?

Montei tudo num cantinho da sala, apaguei as luzes e pronto: The Birthday Lodge estava criado! {PS: O nome foi idéia dele, já que criei todo um ‘ambiente’ para a surpresa}

Quando ele ouviu a música tocando e  sentiu o cheiro de café ele já sentiu que tinha algo estranho, e quando acendeu as luzes ficou super feliz com a surpresa! O sorriso dele e os comentários engraçadinhos abrindo cada bilhete e pacote foram as coisas mais lindas que já vi na vida. A reação dele fez valer a pena todo o trabalho que tive nessas semanas que passaram.

Vou mostrar agora todos os presentinhos. Quem é fã de Twin Peaks vai se deliciar, só digo isso. ♥

 

Have you seen this man?

Cartaz amassado propositalmente, tá?

 

Doughnut Disturb

Plaquinha igual a que o Hawk coloca na porta na Parte 3 de Twin Peaks: The Return. Peguei aqui no Welcome To Twin Peaks.

 

Dreamy

Ele adorou esse cartaz! Quis até os US$2000, já que ele é a Miss Twin Peaks. Infelizmente os dólares não faziam parte do presente.

 

THE/OWLS/ARE/NOT/WHAT/THEY/SEEM

 

FIRE WALK WITH ME

A parte mais maravilhosa do presente, na minha humilde opinião. Segundo o Rômulo, ver o rosto dele no corpo da Laura Palmer foi “pior que um pesadelo”. Fico feliz por ter proporcionado isso à ele, HAHA.

 

The Key To My Heart

Fiz esse chaveiro inteirinho a mão. Meu amigo cortou o pedaço em madeira e eu fiz o furo, lixei e dei o acabamento. Pintei a base com tinta de tecido mesmo, usei um pincel fininho pra pintar as letras e com a caneta nanquim contornei tudo. Para a parte de metal eu juntei vários pedaços da corrente de outros chaveiros pra criar uma corrente mais bonitinha e resistente. Amei o resultado final; enquanto fazia ele tive mil problemas, mas ver ele pronto assim fez valer a pena todo o sufoco que passei.

 

Menu

O presente real oficial era uma máquina de macarrão, então pra mesclar ele com o tema criei esse “Menu”, unindo referências de Twin Peaks à paixão do Rômulo por Gastronomia e Cinema.

E esse é o presentinho que eu dei! A Atlas 150 é uma máquina de macarrão da marca italiana Marcato e faz três tipos de massa: Lasagne, Taglierini e Fettuccine. Já estreamos ela e adoramos o resultado, facilita muito na hora de abrir e cortar o macarrão. Tenho sorte de ser mimadinha e ter um noivo que ama cozinhar para mim; tudo o que ele faz fica incrível! Já estou prevendo que essa máquina vai ser muito aproveitada por nós dois. Quando abriu a máquina o Rômulo até brincou que o “M” da Marcato parece com as duas montanhas de Twin Peaks {tá vendo, a gente é muito soulmate mesmo haha}.

 

Doughnuts & Damn Fine Coffee!

Nunca tinha experimentado os dois juntos, mas donuts com café é uma dádiva dos céus! Se nunca experimentaram, aconselho fortemente. Agora entendo por que os policiais de Twin Peaks tinham aquela mesa gigantesca de donuts. ♥

 

Sobre Presentes Memoráveis

Espero que esse post inspire quem também adora fazer esse tipo de surpresas {não que o tema precise ser Twin Peaks, obviamente}. Você pode fazer da série, filme ou livro preferido da pessoa, sempre pensando em lembranças que não envolvam tanto dinheiro, mas que tenham mais um trabalho manual e valor sentimental. Uma coisinha simples mas feita com amor é um presente bem melhor que uma coisa cara e genérica, não é mesmo? ♥

O que acharam da minha surpresa? Vocês também amam Twin Peaks? Quero saber o que outros fãs acharam desse presente!

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