Castillo Pittamiglio • Arquitetura e Alquimia

Imagine visitar um castelo construído no coração de Montevideo há mais de cem anos por um alquimista? Esse lugar existe, eu pude conhecê-lo e agora vou mostrar tudinho aqui, num post recheado de fotos e informações. Se prepare para descobrir os segredos do Castillo Pittamiglio!

Acho que nem cheguei a contar aqui, mas quem me segue no Instagram viu que fui conhecer o Uruguay, o primeiro país latino que visitei {além do Brasil, como o Rômulo fez questão de apontar, haha}. Acabei passando uma semana por lá, dividindo o tempo entre três cidades: Montevideo, Punta del Este e Colonia del Sacramento. Achei o país muito charmoso e fiquei bem surpresa com as diferenças culturais, afinal, o país fica tão pertinho do nosso e mesmo assim tem diferenças consideráveis. Foi uma viagem deliciosa e aproveitei cada segundo dela com meu noivo e minha família. Na verdade estou bem atrasada com o post, pois já faz muito tempo que fiz essa viagem, mas estava revendo algumas fotos e não pude deixar de compartilhar aqui esse lugar incrível que descobri.

 

 Descobrindo os arredores

Enquanto pesquisava lugares interessantes para conhecer, obviamente o Castillo Pittamiglio logo chamou minha atenção: não conheço nada de Alquimia, mas amo tudo que seja ligado ao místico e à simbologia, por isso logo tratei de marcar o local como visita obrigatória. Bom, o fato de ser um castelo também chamou minha atenção por que né, quem não ama castelos? Sou apaixonada por arquitetura e um lugar singular como esse é bem a minha cara.

black wasabi castillo pittamiglio 24

O Castillo fica no bairro de Punta Carretas, bem de frente à orla do Río de la Plata. Chegamos bem cedo no local, então fomos almoçar e aguardamos até o horário da visita. Passeamos na orla {eu juro que ainda fico chocada quando lembro que aquilo é um rio e não o oceano} e aproveitamos a vista – o bairro lá é uma delícia, com várias opções de restaurantes. Comi um gnocchi maravilhoso, tomei um rosê e conheci esse castelo gracinha, então eu lembro desse dia com muito carinho.

 

Sobre o criador

Humberto Ponciano Pittamiglio Bonifacio nasceu em 19 de Novembro de 1887, em uma modesta família de imigrantes italianos. Sempre muito elogiado por sua inteligência e desempenho acadêmico, graduou-se como Arquiteto e Engenheiro e começou a trabalhar em uma das maiores construtoras do país, onde viria a se tornar sócio com o passar dos anos.

Humberto iniciou o projeto do castelo a partir de sua casa na rua Francisco Vidal, adquirindo vários terrenos adjacentes para sua expansão, até chegar na orla. A construção iniciou-se em 1910 continuou até 1966, o ano de sua morte. Até este dia dissera que o castelo não havia ficado pronto, sendo isso um conceito da alquimia e da própria construção {que é inspirada em um barco}, pois a vida nada mais é que uma viagem sem fim.

Algumas das lendas que pairam sobre o local é que aconteciam reuniões e orgias satânicas durante as madrugadas, que o criador saía de noite vestido de uma capa vermelha, caminhando pela orla e {a minha favorita!} que o Santo Graal ficou escondido no castelo de 1944 a 1956. Não tinha idéia de que a lenda do Santo Graal tinha passado pela América do Sul, adorei descobrir assim!

 

Arquitetura e Alquimia

Sua fachada é estreita e praticamente engolida pelos prédios à sua volta, mas isso não quer dizer que o castelo passe despercebido pelos transeuntes. No andar superior há uma escultura na forma da proa de um barco com uma réplica da Vitória de Samotrácia, que representa a “vitória da vida”.

No terraço existe uma torre parcialmente aberta, com acesso à estátua da Vitória de Samotrácia, onde ocorriam diversos tipos de cerimônias. É uma torre redonda com uma abertura circular no teto, e numa data específica as aberturas da torre formam a letra Tau com os raios do sol. Bem no centro da torre existe um tipo de “vibração” especial, ou seja, quando você se posiciona lá você ouve sua própria voz como se estivesse num microfone! Quando fiquei lá no meio eu senti uma energia muito forte, muito forte mesmo, cheguei a sentir um tipo de “peso” no peito e na garganta por quase uma hora depois de sair de lá. Não sei o nome desse fenômeno e não sei nem como procurar mais sobre ele, se souberem de algo do tipo por favor me falem.

O simbolismo está presente em cada centímetro do local: existem símbolos cristãos, templários, rozacruzes, e maçônicos, por exemplo. Cada conjunto deles conta uma história, geralmente narrando o ciclo da vida e a busca da perfeição. Há uma grande conexão com as formas geométricas, com desenhos remetendo à diversos números e letras, que são repetidos sistematicamente ao longo da construção – como é o caso da letra H {o próprio Humberto adicionou essa ao seu nome devido à importância da letra para a alquimia}.

 

Por dentro do Castelo

O interior, onde Humberto morava, lembra um labirinto – é praticamente impossível lembrar se você já passou por certo corredor ou quarto, já que todos são muito parecidos. O trabalho em madeira desses cômodos é de tirar o fôlego: todos os ambientes são revestidos e o teto é feito com madeira maciça, com vários cubos e elementos geométricos sobrepostos, criando um efeito visual imponente. A lareira é o ponto central da moradia, é inteira decorada com madeira entalhada, com símbolos que representam a viagem do homem ao entendimento.

O Castelo Atualmente

Hoje, o castelo sobrevive graças à iniciativa privada. Humberto doou o Castillo à prefeitura, mas esta o abandonou por vários anos e, com todo esse descaso, a arquitetura original do castelo acabou sofrendo: inúmeras peças foram roubadas e quebradas, e por causa da falta de fotografias e documentos é impossível saber o quanto foi perdido, dificultando até mesmo o processo de restauração.

“El padrón 32.697 en la 18ª. Sec. Jud. De Montevideo, con frente a la calle Fco. Vidal 638-640 y 640 Bis y Rbla. Wilson 635 por cláusula segunda del Testamento letra w) el inmueble es legado al Municipio de Montevideo, para ser destinado – de ser posible- a museo de acuarelas, grabados y esculturas. Se trata de la residencia del causante”. {Extraído do testamento de Humberto Pittamiglio}

A parte traseira do Castillo foi transformada em restaurante e uma das salas foi remodelada para ser um pequeno teatro. Uma coisa que me deixou completamente louca foi saber que, para complementar a renda do castelo, eles também locam o espaço para eventos sociais. Imagine que sonho casar num lugar mágico desses? Pena que é tão longe, parece que o Universo quer brincar com meus sentimentos.

Só é possível conhecer o Castillo por meio da visita guiada, que acontece de terça-feira a domingo, às 17h. O ingresso para a visita custou 180 pesos – um preço super razoável para quase duas horas de passeio. A visita é em espanhol, mas a guia que pegamos falava claramente e bem devagar, então até nós que falamos o básico do básico conseguimos entender tudo sem problema algum. Então, se você quer conhecer o local mas tem medo de se perder na hora das explicações não se preocupe, pois conseguirá aproveitar tranquilamente.

Nas redes sociais podemos acompanhar a agenda de atividades do castelo, que sempre conta com peças de teatro ou cursos como tarot, leitura de borra de café, oficina de contos de terror etc. Na época que visitei estava em cartaz uma peça noturna com vários contos do Edgar Allan Poe, que infelizmente não pude assistir – só pra vocês verem como vale a pena conhecer esse lugar. Também recomendo confirmar a visita guiada, já que quando pesquisei no TripAdvisor os horários li várias pessoas {preguiçosas cof cof} reclamando que chegaram lá e deram de cara com a porta fechada.

O que acharam desse lugar? Deu pra perceber que eu adorei, não é? Se por acaso forem passear em Montevideo, reservem uma tarde pra conhecer esse Castelo, tenho certeza que também vão amar.

Informações

Castillo Pittamiglio • Centro Cultural y Museo
Endereço: Rambla Mahatma Gandhi 633, 11300 Montevideo, Uruguay
Site Oficial
Telefone: 2710 1089 • 095-133-544

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Château de Versailles


The Château of Versailles was the center of political power in France from 1682 until the royal family was forced to return to the capital in 1789, after the beginning of the French Revolution. When the château was built, Versailles was a country village.

 







Chambre de la reine

 Galerie des Glaces






Versailles is a dream. It’s the most beautiful place I’ve ever been to & I highly doubt there will be a place I love more, no matter how much I try. The Château & the gardens are the exact representation of Heaven, in my opinion; if I die & won’t go to Versailles I’ll be seriously disappointed. One of the first things I did when I came back to Brazil was to watch Sofia Coppola’s “Marie-Antoinette” & it was awful: I cried & sobbed for over an hour. 

We took the train that connected Paris to the city & that’s where our surprises begun: the wagons’ walls are fully decorated with rococo ornaments, from flowers & birds to pink frills. The city itself is adorable {I’d define it as the ultimate suburbian dream} & it surrounds the château. The first thing you see are the golden gates & the vastness of the castle. After a few moments mesmerized outside, we got in; the chapel is the first room & the details are impressive {they do not allow visitors inside}. After going through a couple of rooms, we reached the Galerie des Glaces {I took the best mirror selfie ever} & yes, it’s as perfect as you imagine it. But I wasn’t satisfied yet: there was one more particular room I was willing to go – la Chambre de la Reine.

The Marie-Antoinette bedchamber is definitively the cherry on top of the cake; it’s more beautiful, elegant, dreamy & unbelievable than any other room. The ceilling, the wallpaper, the curtains, the chandeliers, the bed – bitch knew how to live! The clock in the middle of the mirror caught my attention {when I saw that in the movie I cried even louder}, but the bed is still my favorite thing about the room. 

The garden is epic, the lake is so extense there were rowing teams training; we sat there to rest & swans came to us, to make that moment even more unbelievable. We walked until the Petit Trianon, a small castle where Marie Antoinette lived too; unfortunatelly we had no time to go to le Grand Trianon nor le Domaine de Marie-Antoinette. 

No matter how much I try, I’ll never be able to translate what I lived there; it’s a dream – the most glorious & beautiful one – & if you wish enough like I did you’ll live it too.
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