Halloween Extravaganza • Playlist de Horror

Nem preciso falar que, como toda gótica que se preze, fico super animada quando o Halloween chega, não é mesmo? Por isso decidi compartilhar com vocês uma playlist montada para comemorar essa data especial, nessa collab com a Alineminha bruxinha favorita. 🖤

A idéia dessa collab na verdade surgiu com a Larissa, que estava montando uma playlist de Halloween; eu e a Aline acabamos nos empolgando nas sugestões de músicas para incluir e por fim decidimos fazer uma playlist também. O legal é que cada uma, apesar de amar loucamente esse Universo do Horror, tem referências e gostos bem distintos, então as playlists acabaram ficando bem diferentes.

Para ouvir a playlist da Aline no Queen VVitch é só clicar aqui!  

Playlist de Halloween

Minha Halloween Extravaganza tem praticamente todas minhas músicas favoritas com temática relacionada ao horror: desde a trilha sonora dos filmes que mais amo até Deathrock, Cow Punk e Rock Psicodélico. O destaque fica para a banda Goblin, que faz um Rock Progressivo com uma vibe muito macabra e que fez várias trilhas de filmes para o Dario Argento, incluindo meu amor Suspiria {um dos meus filmes favoritos da vida}  e para a banda Coven, que entrou forte na onda mística e satânica dos anos 60 e faz um som incrível – essas duas bandas você precisa conhecer!

Tentei fugir um pouco do óbvio então não estranhem o Hank Williams III aí; mesmo tendo essa alma country ele consegue trazer o Horror pra esse universo, por isso o admiro demais. Ele também fez uma boa transição do Deathrock e Post Punk pra parte mais 60’s da playlist.

 

E aí, você também ama montar playlists temáticas? Já fez alguma de Halloween pra esse ano?

Continue Reading

Resenha • Meu Amigo Dahmer

E se você descobrisse que aquele seu amigo estranho do colegial virou um dos mais famosos serial killers do mundo, o que faria? Derf Backderf decidiu relembrar sua adolescência nessa Graphic Novel perturbadora, para contar uma história bem diferente da que estamos acostumados sobre o canibal necrófilo Jeffrey Dahmer.

Quando a Darkside Books anunciou que lançaria HQs fiquei mega animada, pois se tem uma editora que eu confio plenamente no gosto é a Caveirinha, então já sabia que iria adorar os títulos novos. Quando vi que Meu Amigo Dahmer estava entre os três primeiros lançamentos nem consegui acreditar; na época nem sabia que o filme já estava em produção, mas já tinha ouvido falar {e muito!} nessa Graphic Novel. Fiquei esperando ansiosamente meu pacotinho chegar em casa.

Para quem não percebeu ainda, eu sou fascinada por casos de True Crime e Serial Killers. Eu passo meu horário de almoço inteiro, literalmente todos os dias, fuçando sobre o assunto no Reddit e quando não consigo dormir tento encontrar um artigo que ainda não li no blog O Aprendiz Verde, um dos meus favoritos da vida. Até cheguei a contar nesse post sobre O Segredo dos Corpos que demorei pra pegar os livros da coleção Crime Scene e que me arrependo amargamente disso, pois acabaram sendo os mais incríveis que li esse ano. Meu Amigo Dahmer mostra um outro lado desse tema, focando na história do serial killer antes de matar, e é essencial para qualquer um que se interesse pelo assunto.

Quem foi Jeffrey Dahmer?

 • { AVISO: CONTEÚDO VIOLENTO E DESCRIÇÕES GRÁFICAS } •

Jeffrey Lionel Dahmer {21 de Maio 1960 – 28 de Novembro de 1994} foi um dos mais brutais serial killers americanos. Entre 1978 e 1991, Dahmer matou 17 homens; ele dopava e violentava suas vítimas, estrangulava-os e desmembrava os corpos, preservando algumas partes e comendo outras. Ele também tentou criar “zumbis sexuais”, injetando ácido e água quente nos crânios abertos de suas vítimas ainda vivas.

Quando descoberto, as provas em seu apartamento não poderiam ter sido menos chocantes: quatro cabeças decepadas, sete crânios, dois esqueletos, dois corações e um torso, além de várias outras partes de corpos, como pênis em conserva e torsos meio dissolvidos em ácido. Também foram encontradas várias polaroids no local que mostravam as atrocidades cometidas.

Em 1992 o “Canibal de Milwaukee”, como ficou conhecido, foi condenado por 15 assassinatos e pegou 957 anos de prisão. Em 1994 Dahmer morreu após sofrer um ataque com uma barra de ferro por outro presidiário.

A história antes da história

Ler Meu Amigo Dahmer é uma experiência visceral, não importa se você acompanha casos de True Crime ou não. Quando imaginamos um serial killer pensamos logo em um monstro longe de nossa realidade; é difícil imaginar que essa pessoa tenha sido uma criança vulnerável um dia, que tenha frequentado a escola, rido de alguma gracinha que aconteceu em sala, tido amigos que nem imaginavam o que se passava em sua cabeça – e é exatamente esse retrato de Dahmer que Derf passa em cada página dessa história.

O interessante é que Derf não busca justificar os atos de Dahmer em momento algum, mas questiona se as coisas poderiam ter tomado rumos diferentes caso os “adultos” tivessem prestado atenção no que estava acontecendo. Os pais, professores e figuras de autoridade de sua vida sempre acabaram ignorando os problemas óbvios que Dahmer enfrentava, fazendo com que ele vivesse e lidasse com seus fantasmas sozinho.

Todos os fatos narrados nos quadrinhos são baseados em relatos do autor, amigos e professores, e são embasados por documentos oficiais e informações cedidas pelo próprio Dahmer em entrevistas posteriores. Além dos quadrinhos, Derf detalha cada acontecimento no final do livro, ampliando nossa visão dos acontecimentos.

Edição Caveirosa

Além da Graphic Novel revisada, essa edição com capa dura da Darkside Books tem também a versão original {e bem mais curta}, além de inúmeros sketches e fotografias originais do autor, retratando sua amizade com Dahmer e a vida deles na escola. Além disso, temos algumas páginas de rascunhos que acabaram sendo cortadas da versão final dos quadrinhos, mas que são igualmente fortes.

Uma coisa que me incomodou um pouco antes de começar a ler foi o estilo do traço de Derf, pois achei muito “simples” {e feio, cof cof}, e senti que não me faria “entrar” na história. Quando terminei, achei o estilo perfeito para a narrativa! Criei um respeito e um carinho tão grande pela história que quando fui tirar essas fotos senti novamente um peso no estômago, pois cada quadrinho é extremamente forte e impactante.

Foto acima • Para vocês verem como as Caveirinhas andam sempre juntas: retrato de Dahmer no colegial em 1977, no livro Arquivos Serial Killers de Ilana Casoy. Essa edição é fantástica e vai estar no blog em breve!

Honestamente, essa HQ foi a melhor que li esse ano. Ela é tão incrível que falo dela pra qualquer um, mesmo quem não goste do assunto. Até fiz minha irmã ler {acho que foi a primeira HQ dela}, mas é uma história que me surpreendeu tanto que não consigo deixar de lado.

Sobre O Filme

Depois disso tudo nem preciso dizer que chorei quando vi o trailer do filme, né? A semelhança de Ross Lynch com Dahmer é absurdamente impecável, e pelas poucas cenas que aparecem posso dizer que sua atuação também está muito parecida. Estou muito ansiosa por esse filme, muito muito muito ansiosa mesmo. A estréia está marcada para 03 de Novembro deste ano nos Estados Unidos, mas não tenho idéia se vai sair nos cinemas brasileiros. Assista aqui o trailer e me fale se não sente um arrepio até a espinha:

Ele foi um monstro, mas todo monstro nasce de algo; nessa obra conhecemos o início do fim de Dahmer.

E você, também se interessa pelo tema? Já conhecia essa Graphic Novel? Quer ver o filme no cinema? Já viu que eu me empolgo sobre o assunto, pode vir que vou adorar falar sobre isso.

Continue Reading

Resenha • Wytches

Brvxas: esqueça tudo o que sabe sobre bruxas antes de mergulhar nessa Graphic Novel de Scott Snyder que explora nossos medos mais profundos.

E pela primeira vez aqui no blog, uma resenha de uma Graphic Novel! Claro que tinha que ser com uma das primeiras HQs que a Darkside Books lançou, não é mesmo? Já comentei aqui que, mesmo estando noiva de um artista de quadrinhos, só agora estou me interessando por esse tipo de arte – e graças à esses lançamentos da Darkside estou tendo a oportunidade de conhecer HQs que são a minha cara. Hoje vou falar da primeira delas, que já tinha sido recomendada para mim e que fala sobre bruxas. Não, espera, eu quis dizer brvxas!

E é como disse lá em cima: essa não é uma história sobre bruxas, é uma história sobre brvxas. A primeira vez que li essa HQ foi em um domingo ensolarado e estava ansiosa para ler algo sobre as bruxas que eu amo: podia ser uma coisa à la Wicked, The Love Witch ou meio The VVitch, quem sabe? Mas não imaginei que o livro fosse fugir completamente dos arquétipos que estou acostumada e que gosto tanto – e por isso acho que acabei me decepcionando um pouco. Mas, como confio muito no gosto da minha querida Aline {que tinha me dito que essa era uma de suas HQs favoritas}, acabei relendo algum tempo depois sem maiores expectativas e adivinhem: eu simplesmente adorei dessa vez!

Não sei se o dia feliz e os raios de sol contagiando o ar com alegria enfraqueceram um pouco o impacto e o medo que eu deveria ter sentido pela primeira vez, mas ler essa HQ novamente em uma manhã nublada numa sala vazia fez meu coração saltar algumas vezes. Se você for ler Wytches pela primeira vez, siga meu conselho: leia num lugar onde esteja sozinho, sem barulhos e de noite – sua experiência será muito melhor.

 Sinopse

Sailor Rook é uma adolescente solitária que, juntamente com seu pai e sua mãe, se muda para uma pequena cidadezinha de New Hampshire chamada Litchfield, buscando um recomeço após um incidente trágico. O que eles ainda não sabem é que algo sinistro vive nas florestas, espreitando e esperando para atacar. Afinal, jura é jura!

Na Toca das Brvxas

Uma coisa que também achei incrível foi a técnica mista utilizada para as ilustrações, que ficaram a cargo de Jock. No fim do livro tem um passo-a-passo ilustrando como foram feitas as páginas, que é super interessante para quem, assim como eu, se interessa por esse tipo de arte. Cada página foi desenhada com nanquim e depois recebeu camadas e mais camadas de pinturas no Photoshop e de borrões com aquarela e tinta acrílica em papel, que foram intercaladas para criar esse efeito caótico e complexo.

E nem preciso comentar que quase morri de felicidade quando recebi esse pacote; os detalhes ficaram maravilhosos e totalmente minha a e s t h e t i c, haha. O livro veio embrulhado em um tecido rústico, estonado, amarrado com um cordão de camurça marrom com uma pedra roxa e galhos – parece que estava escondido perto de uma toca de brvxas! Olhar esse pacote depois da leitura me fez continuar imersa no universo dessas criaturas; sério, tem como não amar a Darkside?

Dentes Arreganhados

Ao ler os vários epílogos escritos por Snyder fui desenvolvendo melhor a idéia do que uma Wytch é para mim. Wytches são criaturas horrendas, que se escondem debaixo da terra e se alimentam de carne humana; mas elas só agem quando permitimos, quando somos tomados pelo medo e deixamos ele tomar conta de nossa vida. E sim, as Wytches são reais e nós passamos por elas todos os dias. Elas podem não comer carne, não literalmente pelo menos, mas o prazer pelo medo que elas infligem nos consome do mesmo jeito. As Wytches estão à espreita para ver você falhar, estão aguardando o deslize que vai fazer você chegar no desespero máximo para se deliciar com seu sofrimento; é nessa hora que elas chegam com os dentes arreganhados.

Essa é uma história em que Snyder usou o próprio medo de não poder proteger seu filho da realidade para criar uma narrativa dentro de uma mitologia, e podemos perceber bem esse sentimento no relacionamento entre Sailor e seu pai. Se eu, que não tenho filhos, já fico apreensiva normalmente ao imaginar a responsabilidade de criar outra pessoa, nem imagino a angústia que deve ser sentir esse medo específico. Se eu fosse mãe e lesse Wytches eu acho que teria uma síncope. E não são só os pais que sofrem com as brvxas: bullying, depressão, dependência e solidão são algumas das outras coisas que as Wytches adoram.

Apenas relembrando que essa é a minha interpretação. E, mesmo não vendo mais as Wytches como criaturas monstruosas, isso não quer dizer que eu tenha menos medo delas. O fato de enxergá-las o tempo todo agora me deixa apavorada!

E você, já conhecia essa HQ? O que achou? Ficou com vontade de ler? 💜

Continue Reading

Resenha • Coração Satânico

Magia negra, Nova York nos anos 50, voodoo, assassinatos cruéis e um detetive em busca da verdade: não é à toa que fiquei apaixonada por esse livro! Venha conferir comigo todos os detalhes desse suspense delicioso da Darkside Books. 🖤

Não sei exatamente por quê, mas desde que recebi o release de Coração Satânico por William Hjortsberg fiquei vibrando por esse livro. Nunca tinha ouvido falar dele ou do filme antes, mas ao ver imagens da adaptação de 1987 achei que a obra tinha um “quê” de Southern Gothic – basicamente, a minha cara. Achei a capa do livro maravilhosa, vi que tinha um filme com o De Niro e já fiquei louca para ler logo. E, honestamente? Foi uma das melhores leituras do ano. Obrigada mesmo Darkside Books por ter apresentado essa obra para mim, pois sei que se não fosse por esse relançamento lindo eu nunca teria conhecido esse livro!

Sinopse

Nova York, 1959. O detetive particular Harry Angel é contratado por um misterioso cliente chamado Louis Cyphre para descobrir o paradeiro de um famoso cantor chamado Johnny Favorite. O músico retornou da Segunda Guerra Mundial em estado catatônico e foi internado em um hospital, nunca mais sendo visto depois disso. Para descobrir seu paradeiro, Angel segue os rastros de Favorite e se vê cada vez mais envolvido com cultos secretos, magia negra e voodoo.

Galinhas, Sangue & Alfinetes

A inspiração Noir clássica é inegável na trama – o que me deixou extasiada, já que eu amo Filmes Noir. Nem preciso dizer que toda essa temática ocultista me agrada muito, então ler um “Noir” sobre esses assuntos é um prazer. A leitura dessa obra é deliciosa, é o tipo de livro que te deixa ser ar do começo até o final!

Uma coisa que achei super legal é que o autor pesquisou a fundo a estrutura da cidade: cada rua e referência descrita são reais. Os detalhes são tantos que sentimos que estamos ao lado de Angel, desbravando cada canto da cidade em busca de Johnny Favorite. E mais: se o autor fala que em tal dia há quase sessenta anos atrás choveu, realmente choveu! Ele pesquisou cada tempestade, garoa e nevasca para que o resultado fosse o mais realista possível. Incrível, não é?

Eu sei que sou suspeita já que falo isso toda vez, mas essa capa é uma das minhas favoritas da minha estante! Ela me deixou louca pra ler o livro {e não me decepcionei nem um pouco} e acho essa colagem de imagens maravilhosa. Além da parte gráfica toda que está linda, meu livro veio amarrado em barbante vermelho e com um – pasmem – boneco de voodoo! Ele ainda veio com um bilhetinho ótimo sobre os voodoos que a gente pode fazer {pra Darkside lançar nosso autor favorito, pra ganhar livros novos…} e por aí vai. Adorei esse boneco, pode ter certeza que já espetei muito ele, viu?

 O Filme

A adaptação cinematográfica de 1987 {“Angel Heart”, no Brasil: “Coração Satânico”} tem muitas diferenças em relação ao romance original – o que não é novidade nenhuma – mas mesmo assim não deixa de ser um bom filme. No filme, Mickey Rourke interpreta Harry Angel e Robert De Niro interpreta Louis Cyphre.

Mudanças sempre são necessárias para adaptar um livro para o cinema, mas uma coisa que não entendi foi mudarem o ano em que se passa a história: no livro ela se passa em 1959, enquanto no filme o ano é 1955. Achei uma mudança tão insignificante, queria mesmo entender o motivo dela. Outra alteração é no cenário: enquanto no livro os personagens ficam sempre em Nova York, no filme saímos da metrópole em algumas cenas, por exemplo quando Angel vai procurar mais informações sobre Evangeline. No filme a cena funciona muito bem, é um contrate enorme com as cenas escuras da cidade, mas como falei lá em cima o livro é tão rico em detalhes reais sobre Nova York que me dá até pena a história sair um pouco de lá.

Depois que terminei o filme fiquei ainda mais chocada por nunca ter ouvido falar dele. Por que raios ele não é mais conhecido? Ele pode não ser o filme mais incrível do mundo, mas tem o De Niro interpretando um cavalheiro “exótico”, tem sangue, tem voodoo, é inspirado em Filmes Noir, enfim, tem tudo o que eu gosto e eu nunca vi ninguém falando sobre ele. Decepcionadíssima comigo mesma, rs. Mas enfim, se gosta de filmes assim, vale a pena assistir esse também, caso não tenha visto ainda.

E o que achou desse livro? Gosta de obras com essa temática? Já tinha visto o filme? Me conta nos comentários, será que eu sou a única desinformada do mundo?

Continue Reading

Castillo Pittamiglio • Arquitetura e Alquimia

Imagine visitar um castelo construído no coração de Montevideo há mais de cem anos por um alquimista? Esse lugar existe, eu pude conhecê-lo e agora vou mostrar tudinho aqui, num post recheado de fotos e informações. Se prepare para descobrir os segredos do Castillo Pittamiglio!

Acho que nem cheguei a contar aqui, mas quem me segue no Instagram viu que fui conhecer o Uruguay, o primeiro país latino que visitei {além do Brasil, como o Rômulo fez questão de apontar, haha}. Acabei passando uma semana por lá, dividindo o tempo entre três cidades: Montevideo, Punta del Este e Colonia del Sacramento. Achei o país muito charmoso e fiquei bem surpresa com as diferenças culturais, afinal, o país fica tão pertinho do nosso e mesmo assim tem diferenças consideráveis. Foi uma viagem deliciosa e aproveitei cada segundo dela com meu noivo e minha família. Na verdade estou bem atrasada com o post, pois já faz muito tempo que fiz essa viagem, mas estava revendo algumas fotos e não pude deixar de compartilhar aqui esse lugar incrível que descobri.

 

 Descobrindo os arredores

Enquanto pesquisava lugares interessantes para conhecer, obviamente o Castillo Pittamiglio logo chamou minha atenção: não conheço nada de Alquimia, mas amo tudo que seja ligado ao místico e à simbologia, por isso logo tratei de marcar o local como visita obrigatória. Bom, o fato de ser um castelo também chamou minha atenção por que né, quem não ama castelos? Sou apaixonada por arquitetura e um lugar singular como esse é bem a minha cara.

black wasabi castillo pittamiglio 24

O Castillo fica no bairro de Punta Carretas, bem de frente à orla do Río de la Plata. Chegamos bem cedo no local, então fomos almoçar e aguardamos até o horário da visita. Passeamos na orla {eu juro que ainda fico chocada quando lembro que aquilo é um rio e não o oceano} e aproveitamos a vista – o bairro lá é uma delícia, com várias opções de restaurantes. Comi um gnocchi maravilhoso, tomei um rosê e conheci esse castelo gracinha, então eu lembro desse dia com muito carinho.

 

Sobre o criador

Humberto Ponciano Pittamiglio Bonifacio nasceu em 19 de Novembro de 1887, em uma modesta família de imigrantes italianos. Sempre muito elogiado por sua inteligência e desempenho acadêmico, graduou-se como Arquiteto e Engenheiro e começou a trabalhar em uma das maiores construtoras do país, onde viria a se tornar sócio com o passar dos anos.

Humberto iniciou o projeto do castelo a partir de sua casa na rua Francisco Vidal, adquirindo vários terrenos adjacentes para sua expansão, até chegar na orla. A construção iniciou-se em 1910 continuou até 1966, o ano de sua morte. Até este dia dissera que o castelo não havia ficado pronto, sendo isso um conceito da alquimia e da própria construção {que é inspirada em um barco}, pois a vida nada mais é que uma viagem sem fim.

Algumas das lendas que pairam sobre o local é que aconteciam reuniões e orgias satânicas durante as madrugadas, que o criador saía de noite vestido de uma capa vermelha, caminhando pela orla e {a minha favorita!} que o Santo Graal ficou escondido no castelo de 1944 a 1956. Não tinha idéia de que a lenda do Santo Graal tinha passado pela América do Sul, adorei descobrir assim!

 

Arquitetura e Alquimia

Sua fachada é estreita e praticamente engolida pelos prédios à sua volta, mas isso não quer dizer que o castelo passe despercebido pelos transeuntes. No andar superior há uma escultura na forma da proa de um barco com uma réplica da Vitória de Samotrácia, que representa a “vitória da vida”.

No terraço existe uma torre parcialmente aberta, com acesso à estátua da Vitória de Samotrácia, onde ocorriam diversos tipos de cerimônias. É uma torre redonda com uma abertura circular no teto, e numa data específica as aberturas da torre formam a letra Tau com os raios do sol. Bem no centro da torre existe um tipo de “vibração” especial, ou seja, quando você se posiciona lá você ouve sua própria voz como se estivesse num microfone! Quando fiquei lá no meio eu senti uma energia muito forte, muito forte mesmo, cheguei a sentir um tipo de “peso” no peito e na garganta por quase uma hora depois de sair de lá. Não sei o nome desse fenômeno e não sei nem como procurar mais sobre ele, se souberem de algo do tipo por favor me falem.

O simbolismo está presente em cada centímetro do local: existem símbolos cristãos, templários, rozacruzes, e maçônicos, por exemplo. Cada conjunto deles conta uma história, geralmente narrando o ciclo da vida e a busca da perfeição. Há uma grande conexão com as formas geométricas, com desenhos remetendo à diversos números e letras, que são repetidos sistematicamente ao longo da construção – como é o caso da letra H {o próprio Humberto adicionou essa ao seu nome devido à importância da letra para a alquimia}.

 

Por dentro do Castelo

O interior, onde Humberto morava, lembra um labirinto – é praticamente impossível lembrar se você já passou por certo corredor ou quarto, já que todos são muito parecidos. O trabalho em madeira desses cômodos é de tirar o fôlego: todos os ambientes são revestidos e o teto é feito com madeira maciça, com vários cubos e elementos geométricos sobrepostos, criando um efeito visual imponente. A lareira é o ponto central da moradia, é inteira decorada com madeira entalhada, com símbolos que representam a viagem do homem ao entendimento.

O Castelo Atualmente

Hoje, o castelo sobrevive graças à iniciativa privada. Humberto doou o Castillo à prefeitura, mas esta o abandonou por vários anos e, com todo esse descaso, a arquitetura original do castelo acabou sofrendo: inúmeras peças foram roubadas e quebradas, e por causa da falta de fotografias e documentos é impossível saber o quanto foi perdido, dificultando até mesmo o processo de restauração.

“El padrón 32.697 en la 18ª. Sec. Jud. De Montevideo, con frente a la calle Fco. Vidal 638-640 y 640 Bis y Rbla. Wilson 635 por cláusula segunda del Testamento letra w) el inmueble es legado al Municipio de Montevideo, para ser destinado – de ser posible- a museo de acuarelas, grabados y esculturas. Se trata de la residencia del causante”. {Extraído do testamento de Humberto Pittamiglio}

A parte traseira do Castillo foi transformada em restaurante e uma das salas foi remodelada para ser um pequeno teatro. Uma coisa que me deixou completamente louca foi saber que, para complementar a renda do castelo, eles também locam o espaço para eventos sociais. Imagine que sonho casar num lugar mágico desses? Pena que é tão longe, parece que o Universo quer brincar com meus sentimentos.

Só é possível conhecer o Castillo por meio da visita guiada, que acontece de terça-feira a domingo, às 17h. O ingresso para a visita custou 180 pesos – um preço super razoável para quase duas horas de passeio. A visita é em espanhol, mas a guia que pegamos falava claramente e bem devagar, então até nós que falamos o básico do básico conseguimos entender tudo sem problema algum. Então, se você quer conhecer o local mas tem medo de se perder na hora das explicações não se preocupe, pois conseguirá aproveitar tranquilamente.

Nas redes sociais podemos acompanhar a agenda de atividades do castelo, que sempre conta com peças de teatro ou cursos como tarot, leitura de borra de café, oficina de contos de terror etc. Na época que visitei estava em cartaz uma peça noturna com vários contos do Edgar Allan Poe, que infelizmente não pude assistir – só pra vocês verem como vale a pena conhecer esse lugar. Também recomendo confirmar a visita guiada, já que quando pesquisei no TripAdvisor os horários li várias pessoas {preguiçosas cof cof} reclamando que chegaram lá e deram de cara com a porta fechada.

O que acharam desse lugar? Deu pra perceber que eu adorei, não é? Se por acaso forem passear em Montevideo, reservem uma tarde pra conhecer esse Castelo, tenho certeza que também vão amar.

Informações

Castillo Pittamiglio • Centro Cultural y Museo
Endereço: Rambla Mahatma Gandhi 633, 11300 Montevideo, Uruguay
Site Oficial
Telefone: 2710 1089 • 095-133-544

Continue Reading