The Love Witch

She loved men… to death.

Não poderia deixar de comentar sobre esse filme aqui! Assisti “The Love Witch” há um tempinho e não consigo deixar de lembrar dele todos os dias. Fiquei completamente encantada pois ele retrata perfeitamente todos os meus gostos. Este é o primeiro longa da diretora Anna Biller, mas o estilo dela é inconfundível: Biller ficou famosa no circuito underground quando lançou o curta “Viva”, sobre uma dona de casa em meio à revolução sexual. Então, se quer ver um filme onde vestidos Vitorianos e mini saias Mod combinam perfeitamente, você precisa conhecer  “The Love Witch”!

Sinopse

Elaine, uma linda e sedutora vixen, é obcecada pelo amor. Não que ela propriamente entenda o que significa o amor, mas ela é apaixonada por essa idéia. Usando feitiços e magia, ela busca nos braços de diversos homens sua felicidade final, mas sempre acaba se decepcionando quando vê a verdadeira natureza dos sentimentos deles, e acaba ceifando a vida de cada um dos que aparecem em seu caminho.

Banquete Visual Vintage

Ao contrário do que a maioria pensa, o filme não é uma paródia ou homenagem aos filmes Technicolor ou exploitation dos anos 60 e 70. Biller quis na verdade fazer um filme utilizando simbologia de cores, usando técnicas clássicas de iluminação e filmagem (essa obra prima foi gravada em 35mm, por isso temos um resultado tão incrível) e atuações teatrais que combinassem com o roteiro.

O uso da simbologia de cores pode ser visto, por exemplo, no salão de chá, onde tudo é rosa e remete à feminilidade, parecendo o interior de um útero. Já na casa onde Elaine se hospeda, por exemplo, a decoração foi inspirada pelas cartas do tarô {que também aparecem ao longo do filme}.

A época do filme é contemporânea, mas a vibe sixties da protagonista nos faz pensar o tempo todo que estamos assistindo um filme produzido há pelo menos cinquenta anos. Devo admitir que quando vi algumas imagens tive que checar o ano do filme pra ter certeza que não estava confundindo, mas o ano era 2016 mesmo. Meu namorado, quando assistimos juntos, estranhou meus comentários extasiados sobre a produção, e perguntou o ano do filme logo no comecinho. Me arrependi no momento que dei a resposta e vi a surpresa dele, pois queria vê-lo confuso quando aparecesse uma cena com celular {mesmo que os carros na rua, por exemplo, denunciem discretamente a contemporaneidade do filme logo no início}.

O que mais me impressionou nos trabalhos da diretora é a precisão técnica. Apaixonada por filmes da Era de Ouro de Hollywood, ela quer que os filmes sigam essa aura, como um mundo de fantasia, por isso tem tanto cuidado com cada detalhe. Para que tudo ficasse o mais fiel possível a sua ideia inicial, Biller dirigiu, produziu, editou, chegou a trabalhar na construção dos cenários, rascunhou cada cena do storyboard e até confeccionou o figurino {amante da moda retrô, ela usou revistas de modelagem de décadas passadas para criar os vestidos maravilhosos de Elaine}. O tapete de pentagrama foi feito à mão pela diretora, e demorou seis meses para ficar pronto!

A maquiagem também é um tópico a parte. A sombra azul combinada com o delineado gatinho que Elaine usa ao longo do filme virou minha obsessão! Nunca achei que fosse ficar tão apaixonada por sombra azul, juro; enquanto via o filme eu fiquei o tempo todo focada nos olhos dela. Uma curiosidade que li também foi que, por ser um filme 35mm, a maquiagem usada acabou sendo pouco tradicional. A marca utilizada foi a Shiseido, pois foi a única que deu uma aparência saudável à pele das personagens. Biller disse que a maquiadora até fez um teste com outras marcas, mas como a diretora já havia tido uma experiência anterior com “Viva”, comprou vários itens da marca e levou para ela testar já sabendo que assim teria os melhores resultados.

Objetificação Feminina

Qualquer pessoa que tenha uma noção de feminismo fica horrorizada com o comportamento de Elaine; até sua própria amiga, Trish, diz que ela sofreu lavagem cerebral do patriarcado com suas idéias sobre o amor e os homens. Quando procurei mais sobre o filme e o curta de Biller, entendi melhor o ponto de vista da diretora sobre suas obras. 

Trish é o representação da feminista moderna, tem desejos e ambições que vão além de seu casamento. Elaine é uma sociopata narcisista, egoísta e extremamente sexual {no sentido de suprir o desejo masculino, pois ela mesma parece tão impassível ao ato sexual quanto ao tomar uma xícara de chá no salão vitoriano}. Ela é a anti-heroína do filme e mesmo assim sentimos simpatia pela personagem, pois a constante objetificação sofrida ao longo dos anos acabou levando-a à loucura.

Elaine enlouqueceu ao tentar encontrar seu lugar no mundo dos homens, e esse resultado da busca pela perfeição e aceitação do sexo masculino é um dos pontos que a diretora mostra em suas obras. No universo de Biller, os homens temem a sexualidade e autonomia femininas, assim como temem as mulheres pois não possuem uma elevação espiritual e sentimental como elas. É justamente por essa fraqueza que Elaine os despreza e acaba matando-os.

Muitas das informações aqui expostas foram retiradas do Twitter da própria diretora, que estou stalkeando desde que vi o filme. Não tenho a fonte de tudo que cito aqui no texto pois já li praticamente todas matérias sobre o filme, antes mesmo de pensar no post, por isso acabei perdendo os originais {pra você entender o nível da minha paixão}. Mas ler as respostas de Biller, entender seus pontos de vista e pegar as referências incríveis que ela posta no Twitter diariamente foi a cereja do bolo pra me deixar obcecada com esse filme e com os assuntos retratados, por isso recomendo muito que siga essa mulher incrível. Você não vai se arrepender!

E pra quem curtiu a vibe do filme, ama rock psicodélico e queria muito viver nos anos 60 assim como eu, recomendo essa playlist:

Ufa! Espero que esse texto tenha deixado você pelo menos um pouquinho curioso pra assistir esse filme. Me fale se gostou; e se já assistiu, o que achou? Vou amar saber sua opinião! 🖤

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Resenha • A Guerra Que Salvou A Minha Vida

Como já havia falado nesse post, estava super ansiosa com a parceria da Darkside, e na semana passada recebi o primeiro livro da Caveirinha! O item enviado foi “A Guerra Que Salvou A Minha Vida” de Kimberly Brubaker Bradley e, mesmo sendo um livro bem diferente do que estou acostumada, eu simplesmente amei. Para quem não conhece, a Darklove é uma linha dentro da editora que foca em obras escritas por mulheres, explorando lugares, culturas e épocas diferentes; e essa obra faz parte dessa coleção. Nesse post vou contar por que ele foi uma experiência que nunca teria vivenciado se não fosse por esse presente.

Sinopse

Ada é uma garotinha de dez ou onze anos que mora em Londres com sua mãe e seu irmão mais novo, e é engolida pela tensão da Segunda Guerra mesmo que nunca tenha pisado fora de casa. Humilhada diariamente pela Mãe, que nem recebe um nome ao longo da história, Ada já travava uma guerra em casa antes mesmo de Hitler planejar os bombardeios à cidade, ataques que mudariam completamente a vida dos irmãos. Sem conseguir andar por causa de um “defeito” de nascença, a protagonista {assim como milhares de crianças} precisa abandonar Londres e procurar refúgio das ameaças alemãs no interior da Inglaterra. Os irmãos são acolhidos por Susan, uma senhora solteira que vive isolada da comunidade à sua volta, e a primeira coisa que eles descobrem sobre a Srta. Smith é que, como ela mesma diz, ela não é uma pessoa boa.

O Kit e Minha Surpresa

O kit continha um saco de pano estampado que embalava o livro e três cartões postais mostrando crianças em meio à destroços de guerra. Quando abri o pacote e vi a estampa do tecido já sabia que livro seria, pois já tinha visto várias postagens sobre ele –  e foi aí que me bateu um leve desespero. Eu sou a pessoa mais drama queen do Universo e uma manteiga derretida assumidíssima. Posso ler e assistir filmes de terror, ver cenas com sangue e corpos decepados, ler relatos de crimes reais com a maior tranquilidade, mas eu simplesmente não consigo lidar com drama e coisas tristes no geral. Fujo de materiais relacionados à Guerra por que eles simplesmente me dilaceram, então vocês conseguem presumir como fiquei quando peguei o livro em mãos.

Imagine qual não foi meu espanto ao começar o livro e ficar completamente apaixonada por ele, com os olhos marejados enquanto devorava cada página? Já tinha lido outros títulos da Darklove, mas nenhum chegou perto do carinho que senti pelas aventuras de Ada ao decorrer de uma das maiores catástrofes que o mundo experienciou.

Primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, “A Guerra Que Salvou Minha Vida” é uma leitura emocionante e deliciosa. As adversidades sofridas por Ada me faziam torcer por cada pequena vitória, e assim fiquei até o final. Bradley escreve com maestria, as personagens são cativantes e a narrativa da guerra descrita pelos olhos de uma criança, que mesmo bem longe dos campos de batalha teve sua vida afetada por esse trágico capítulo da História, é simplesmente incrível.  Recomendo muitíssimo essa obra para quem quer sentir um calorzinho no coração e ler uma bela história de superação, tenho certeza que você não irá se decepcionar.

Você já leu esse livro? Se sim, comente o que achou dele, vou adorar saber sua opinião! E você que não leu, ficou com vontade? Me conte tudo nos comentários.

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Darkside Books: Parceria 2017

É com muito orgulho que anuncio a nova parceira do blog: a Darkside Books! Não tenho palavras pra descrever o que senti quando recebi o e-mail da Caveirinha dizendo que passei na seleção de parceiros deste ano!

A Darkside foi criada especialmente para os amantes da literatura fantástica e de terror. No Brasil estávamos carentes de publicações do gênero e a editora acertou em cheio quando entrou no mercado. A escolha de títulos é sempre surpreendente e deliciosa, e com capas e design gráfico sempre com uma qualidade impecável, a editora colecionou não apenas fãs, mas uma família. Basta ver nas mídias sociais o impacto que a Darkside tem e você entenderá o que estou falando; o público tem orgulho de adquirir cada lançamento, pois vê a paixão investida em todos os volumes.

Criei o blog para espalhar minha paixão sobre literatura, cinema, entretenimento e artes no geral, mas sem muitas pretensões. Meu desejo sempre foi que pessoas com gostos parecidos com os meus se identificassem com o blog e se interessassem por cada tópico aqui mostrado, por isso todos posts sempre foram feitos com muito carinho. O reconhecimento da Darkside me fez ver que estava certa e me motivou absurdamente a focar mais aqui!

Fiquem ligados pois agora vocês vão ver muitas novidades por aqui. Em 2017 eu e a Caveirinha vamos tocar o terror!

Acompanhem a Darkside nas redes sociais!

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Lidos de Dezembro e Janeiro

Tenho que admitir que estive muito relapsa em relação à leitura nesse último ano. Na verdade, 2016 foi provavelmente um dos piores anos da minha vida nesse quesito – e não relaxei apenas com os livros, deixei todo meu lado criativo de lado e me arrependo muito disso. O cansaço do dia a dia fez com que eu ficasse preguiçosa, mas não admito que isso aconteça novamente! Estou mudando várias coisinhas da minha rotina e felizmente meu hábito de leitura foi algo que consegui retomar facilmente.

Entre Dezembro e Janeiro consegui terminar 5 livros e já estou na metade de outro. Vou comentar brevemente sobre cada um na ordem em que foram lidos, e já peço perdão pelo resumo estilo “descreva o livro do pior jeito possível” mas eu detesto esses resumos que soltam spoilers da trama inteira. Também acho que dá pra perceber que gosto de variar bem meu estilo de leitura, acho importante me desconectar completamente entre cada obra, assim não fica cansativo.

Clube da Luta

Fight Club • 1996 • Chuck Palahniuk • Nessa obra o protagonista anônimo, um “homem comum” que está descontente com seu papel na sociedade americana, conhece um excêntrico vendedor de sabonetes chamado Tyler Durden e cria com ele um clube de combate onde todos os homens são iguais e não há regras. Bem, na verdade há regras sim.

Já tinha assistido o filme há muito tempo e amado, então não foi novidade que também amei o livro. Claro que já sabendo o final perdi um pouco do impacto da trama, mas ainda assim tive uma ótima experiência. Só li um livro do Palahniuk antes, o “Condenada”, e gostei do estilo, me fez rir bastante. Ele tem uma narrativa descontraída que faz com que a leitura seja muito fácil. Recomendo tanto o livro como a adaptação para o cinema {embora tenha certeza que você já tenha pelos menos assistido}.

Os Belos e Malditos

The Beautiful and Damned • 1922 • F. Scott Fitzgerald • Retrata a vida de Anthony Patch, um socialite e herdeiro de um magnata, na New York em meio à Era do Jazz. Mostra sua relação com sua esposa, Gloria, o serviço militar no Exército e o alcoolismo.

Fitzgerald é um dos meus autores favoritos; sou apaixonada pelos “Loucos Anos Vinte” e ninguém descreve essa era melhor do que ele. Toda sua obra tem um “quê” de autobiografia: as festas, as viagens, a loucura e a bebida, mas especialmente seu relacionamento com Zelda. É impossível ler qualquer livro dele sem relacionar os personagens principais ao seu casamento conturbado. A biografia de Zelda está na minha lista, espero conseguir ler em breve.

O Iluminado

The Shining • 1977 • Stephen King • Jack Torrance, um escritor e ex-professor alcoólatra, aceita o emprego como zelador do Hotel Overlook e se muda com sua mulher Wendy e seu filho, onde passarão um rigoroso inverno isolados de qualquer contato humano. Danny, o filho deles, é iluminado, e o Hotel fará de tudo para possuí-lo.

Nem preciso falar nada desse, certo? Demorei anos pra ler o livro pois sou birrenta, sabia da rixa entre o Kubrick e o King e enrolei pra ler por causa disso. O livro é INCRÍVEL, entrou definitivamente na minha lista de livros favoritos; é bem diferente do filme também, mas ambos são maravilhosos. O filme sempre foi um dos meus favoritos {lembra que quase morri na exposição do Kubrick?} e me arrependo de não ter lido antes. Estou querendo até ler mais coisas do King, o único livro que li dele e realmente adorei foi The Dead Zone.

1984

Nineteen Eighty-Four • 1949 • George Orwell Winston Smith tem uma vida insignificante num futuro distópico, onde trabalha falsificando documentos públicos para que o governo sempre esteja correto no que faz. Smith fica cada vez mais frustado com sua existência e começa a se rebelar contra o sistema.

Já tinha lido esse livro há uns dez anos, e como gostei muito achei que estava na hora de reler. Chega a dar um aperto no coração perceber como o mundo de 1984 {que agora já não é o ‘ futuro’} está muito próximo da nossa realidade.

#GIRLBOSS

#GIRLBOSS • 2014 • Sophia Amoruso • A fundadora da Nasty Gal conta sua trajetória de vida, de adolescente rebelde que furtava lojas e remexia lixo até CEO de uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares. Amoruso é divertida e mostra que pra sermos bem-sucedidas temos que confiar em nossos instintos e seguir a nossa intuição.

Adorei esse livro pois já conhecia a Nasty Gal e é inspirador saber que a dona dessa empresa milionária começou como uma de nós, batalhando por sua carreira. Indico o livro para quem está no comecinho da vida profissional e sonha em ser empreendedora.

Enfim, esses foram os livros li recentemente. E você, já leu algum deles? Ficou com vontade de ler algum? Me indique algo que acha que vou gostar, sempre preciso colocar mais títulos na minha lista de “Quero Ler”.

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Twin Peaks • O Mistério Completo

Não é segredo para ninguém que eu amo Twin Peaks e toda e qualquer coisa relacionada à esse universo – tenho todos os motivos do mundo pra isso, até por que conheci meu namorado por causa dessa obra maravilhosa. Com uma nova temporada chegando ano que vem e o interesse por uma das séries mais icônicas da televisão aumentando a cada notícia divulgada, decidi mostrar um pouquinho da minha coleção para quem já é fã pirar junto comigo e também para atiçar a curiosidade daqueles que não conhecem nada sobre a série. Já adianto que esse post é gigante, então prepare-se, pegue sua xícara de café e me acompanhe, pois duvido que você não ficará apaixonado por esse mundo fantástico criado pelo David Lynch e Mark Frost.

A Trama

A história da série gira em torno do assassinato de Laura Palmer, uma garota linda e adorada por todos da pequena cidade de Twin Peaks, e a investigação do caso, conduzida pelo agente especial Dale Cooper do FBI. Com a morte de Laura, Twin Peaks aos poucos se mostra completamente diferente da pacata paisagem que imaginamos, onde o lado oculto de cada membro da cidade começa a ser revelado e histórias cada vez mais bizarras se desenrolam. A emblemática da série se resume a dualidade: verdade e mentira, sonho e realidade, vida e morte.

Uma Novela Cinematográfica

Originalmente Twin Peaks foi um seriado que durou de 1990 até 1991, contando com apenas duas temporadas e trinta episódios. A recepção foi estrondosa, pois sua trama tinha toques de surrealismo, suspense, drama e humor, bem diferente de qualquer produção existente.

Twin Peaks foi revolucionário para a época: trouxe a estética cinematográfica para a televisão e rompeu com os padrões das séries que existiam; explorou o estilo das novelas, seus melodramas e personagens, mas trazendo um estilo noir e surrealista. Enquanto as novelas tinham um tipo de efeito moral, a série mostrava personagens com nuances que alternam entre o “bem” e o”mal”. A novela “Invitation to Love” que alguns personagens assistem durante a série mostra bem essa relação, onde os cidadãos de Twin Peaks eram retratados como personagens dos dramas televisivos comuns até então.

A trilha sonora é uma das características mais marcantes da série. Composta por Angelo Badalamenti, as músicas conseguem evocar completamente a aura da cidade e a personalidade de alguns de seus habitantes. Para a criação da trilha, Lynch costumava descrever as emoções e o clima que ele gostaria que a música trouxesse enquanto Badalamenti as criava no piano. Nesse trecho de um dos extras da Gold Box Edition temos uma idéia de como foi o processo de criação, usando como exemplo o tema da Laura Palmer. E a melhor notícia: o Badalamenti vai estar na temporada nova, então pode ter certeza que a trilha será maravilhosa.

Fire Walk With Me

O filme {em português: Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer} foi lançado um ano após o fim da série. Lynch estava apaixonado pela Laura Palmer e suas contradições, e queria vê-la viva, se movendo e falando. Apesar de ter estreado em 1992 com uma péssima recepção da crítica e do público – foi vaiado em Cannes e um fracasso de bilheteria – o filme é hoje considerado um clássico.

Minha cena favorita: the pink room

“Fire Walk With Me” é um prequel da série, e mostra a última semana de vida de Laura e as bizarras cincunstâncias que levaram à sua morte, que é o ponto inicial da série. Podemos ver as duas faces da personagem principal: a garota perfeita que todos conhecem e a garota desesperada e com segredos sobre a cidade que ninguém nunca poderia imaginar.

É maravilhoso ver a interpretação da Sheryl Lee, pois na série não conhecemos a Laura de verdade. Com o filme e o diário nos aproximamos muito mais da personagem, o que faz com que a memória do que aconteceu à ela seja muito mais dramática.

OBS: recomendo a leitura do “O Diário Secreto de Laura Palmer” antes de assistir o filme. Apesar do filme mostrar bem como era a Laura enquanto viva, o diário mostra como ela quando ainda era inocente, muitos anos antes da série ou do filme.

Minha coleção

Conheci a série há uns seis anos, pois fiquei intrigada com as fotos da Laura Palmer que via aos montes no Tumblr e fui procurar quem era aquela prom queen maravilhosa por quem todo mundo era apaixonado. Só precisei assistir os primeiros minutos do episódio piloto para saber que tinha descoberto uma nova paixão; fiquei completamente obcecada com a aura da série, com a trilha sonora, com as personagens. Agora, imagine meu estado quando foi anunciada oficialmente uma nova temporada?

Quando saíram os primeiros rumores há quase três anos duvidei muito que a série voltaria, pois dar continuidade a uma série depois de 25 anos seria algo super bizarro, certo? Certíssimo. E justamente por ser tão surreal é exatamente isso que vai acontecer, e ainda por cima com uma pontualidade quase perfeita {“I’ll see you again in 25 years”}. Pela escolha do cast e teasers {olha esse do Lynch} tenho certeza de que será uma temporada memorável e digna de seu legado. Honestamente, não tem como não amar tudo isso.

Essa ainda é um acervo pequeno e modesto, mas espero que esse ano eu adicione muitos itens novos, graças a terceira temporada. Mal posso esperar pra ter uma coleção de Funko com minhas personagens favoritas!

Twin Peaks: The Definitive Gold Box Edition

O que eu mais gosto desse box é que cada episódio vem com uma introdução da Log Lady. Além disso, tem mais extras legais: entrevistas, documentários, a sátira do Saturday Night Live, vídeos do Twin Peaks Festival, comerciais na tv, documentos da produção, mapa interativo, entre outros.

Bizarramente só agora mexendo nas fotos eu notei a textura na estrada. Meu deus eu mereço um prêmio pela percepção aguçada.

OBS: Eu ganhei esse box e ele faz parte de uma história muito fofa que vou contar lá no final.

Twin Peaks: The Entire Mystery

Okaaay, esse box eu peguei emprestado do meu namorado, mas eu PRE-CI-SA-VA dele nesse post. Ele é de longe um dos box de Blu-ray mais lindos que já vi, a qualidade é impecável! Ele vem com dez discos, incluindo a série completa, o filme e muitos extras.

A capa do box é dura, texturizada e tem esse recorte mostrando o rosto da Laura quando foi encontrada morta. O rosto embaixo tem relevo – sim, esse box é bem feito nesse nível.

Detalhe das folhas translúcidas da descrição de cada disco

“Damn good food!”

“It fell down.”

A melhor surpresa: na última parte do box tem uma foto de um chão de terra, e quando abrimos a tampa tem um bilhete um tanto quanto… inusitado. Ou não.

FIRE WALK WITH ME

Não disse que esse box era incrível? Eu passo mal com esse box, sério. Nesse vídeo que meu namorado fez dá pra ter uma idéia melhor de como ele é. Se você conhece alguém que ama Twin Peaks e quer dar um presente inesquecível, recomendo esse box, tem aqui na Amazon gringa. A pessoa vai te amar pro resto da vida!

O Diário Secreto de Laura Palmer

“O Diário Secreto de Laura Palmer” revela todo o conteúdo do diário secreto {#duh} que é encontrado ao longo da série, desde a primeira entrada em 1984, quando Laura ganha o caderno em seu aniversário de 12 anos, até algumas anotações confusas e desesperadas dias antes de sua morte.

Ele foi escrito pela Jennifer Lynch, filha do co-criador da série, e lançado em 1990. A parte interessante é que ele foi publicado antes da segunda temporada – consequentemente, antes da revelação de seu assassino – mas a escritora diz que é possível adivinhar quem é o culpado pela sua morte se souber interpretar todas as passagens. Caso você ainda não tenha chegado na solução do assassinato, seria super legal ler esse diário antes de começar a segunda temporada e ter a mesma sensação que as pessoas tiveram durante a época da exibição original, tentando descobrir o assassino pelas pistas do diário.

Minha dica é: leia esse diário, não importa quando. É obrigatório. Ele vai dar uma luz completamente diferente sobre a personagem mais misteriosa e vai explicar muita coisa que fica meio obscura na série. Ah, já falei lá em cima, mas vou repetir: se puder, leia antes de assistir o filme, pois vai ajudar muito na compreensão dele. Não existe a possibilidade de você falar que gosta de Twin Peaks sem esse “extra”, pois ele amarra completamente a trama e te coloca dentro da cabeça da Laura, explicando muitas atitudes e pensamentos que antes {pelo menos pra mim} não faziam sentido.

The Secret History of Twin Peaks

Esse livro foi escrito pelo Mark Frost e lançado em Outubro desse ano. Reservei o meu e o do meu namorado no pré-lançamento {primeira edição, yay!}, mas ainda não terminei de ler, estou enrolando para ler mais perto da estréia da temporada para não ficar tão ansiosa. Sim, sou ridícula.

O livro é como se fosse um arquivo do FBI sobre um dossiê encontrado na cena de um crime ocorrido em 2016, ainda sob investigação. A introdução é um memorando do Gordon Cole {yassss}, pedindo uma análise completa e o maior levantamento de informações possíveis sobre o conteúdo do dossiê, incluindo a identidade da pessoa que o compilou – que se auto intitula “The Archivist” {“O Arquivista”}. O livro tem notas de rodapé em todas as páginas, feitas pelo Agente Especial responsável pelo caso.

O dossiê é na verdade uma coleção de documentos e notícias relacionadas à cidade de Twin Peaks. Ele foi feito em ordem cronológica: as primeiras entradas são cartas de 1805 e reúne arquivos que só param em 1989, citando um encontro do Arquivista com Cooper, sendo esse o último registro. Esse compilado é a maior fonte de informações que temos sobre a história da cidade.

Como mostra esse recorte de jornal, coisas estranhas já aconteciam em Twin Peaks há muito tempo

Como o livro foi escrito por Frost, com certeza terá uma relação direta com os novos episódios {outra razão para ainda não ter lido, como já disse lá em cima considero qualquer informação sobre a trama como spoiler e fujo o máximo que conseguir}. Preste atenção na imagem verde e vermelha de coruja, imagino que o “segredo” que ela guarda vai ser um dos pontos chave da terceira temporada.

Entendeu o segredo?

A place both wonderful & strange

É impossível lembrar de Twin Peaks sem mergulhar completamente em seu universo: árvores, vento, café, torta de cereja, donuts, corujas, troncos, água e fogo são padrões comuns quando lembramos da série. A coisa que mais amo de toda a produção é como consigo me colocar dentro da cidade; fecho os olhos e sinto os cheiros, os sabores, o vento e os respingos da cachoeira na minha pele. O episódio piloto é de longe meu favorito, assisto pelo menos a cada dois meses, de tanto que amo! Adoro ver a reação de toda a cidade depois de descobrir o que aconteceu com a Laura; a emoção que sinto com cada um dos personagens é real, parece que são pessoas que convivo diariamente e que fazem parte do meu universo. Claro que a cidade tem seus podres escondidos e surrealismos característicos, mas ainda assim sinto que conheço aquele lugar.

Twin Peaks faz parte da cultura pop. Já apareceu no Saturday Night Live, Simpsons e foi referenciado e usado como inspiração de dezenas de séries e filmes. Além dos livros oficiais {dois deles ainda não tenho, por isso não apareceram na coleção: “The Autobiography of F.B.I. Special Agent Dale Cooper: My Life, My Tapes” e o audiobook “Diane…” – The Twin Peaks Tapes of Agent Cooper} ainda existem vários livros sobre a cidade fictícia, sobre a série e o impacto que teve na época. Basta dar uma procurada rápida na internet que você vai encontrar uma legião de fãs que venera a obra, e caso você ainda não seja um deles, espero que esse post tenha despertado no mínimo uma vontade de conhecer melhor essa cidade e seus mistérios.

Ah, e como eu mencionei lá em cima, se não fosse por causa de Twin Peaks eu não estaria namorando. Sei que falar isso num post sobre a série faz com que pareça uma mentirinha, mas juro que é a mais pura verdade. Bem, a história é a seguinte: um dia achei um boy muito gato, fui stalkear e logo a primeira foto do Instagram era uma ilustração incrível que ele tinha feito do Bob. Juro pela minha coleção de cílios postiços que era a primeira foto mesmo, então senti que era um sinal do Universo falando que eu tinha que casar com ele e fui logo falar com ele. Conversamos sobre a série, ele me mostrou uma tatuagem que tinha feito há pouquíssimo tempo atrás {“FIRE WALK WITH ME” no antebraço} e a partir desse dia nunca ficamos mais que algumas horas sem conversar. Algumas semanas depois, no nosso primeiro encontro, ganhei duas coisas: o Gold Box de Twin Peaks e a certeza de que havia encontrado minha alma gêmea. Estamos juntos há quase dois anos e esperamos ansiosamente a terceira temporada, já que depois de tanto tempo vivendo apenas com as memórias de episódios antigos vamos sentir novamente aquele friozinho na barriga ao assistir um episódio inédito – só que dessa vez vamos estar de mãos dadas e grudados no sofá com um “damn good coffee”. ♡

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