Lidos de Fevereiro e Março

Livros lidos em fevereiro e março

Ops! Acho que estou um pouquinho atrasada com esse post, não é? Devo admitir que minha vida ficou uma loucura com a minha recente viagem, então acabei atrasando quase um mês o post com meus livros lidos. Na verdade, foi proposital pra comemorar o Dia Mundial Do Livro, yayyyy! {mentira}

Parece que em Fevereiro e Março eu praticamente só li Darkside, haha. Também, não é pra menos, olha esses títulos, eu nem tive escolha! Mesmo antes da parceria do blog com a Darkside, vocês já sabiam que eu amava e tinha vários volumes da Caveirinha, e essa parceria veio pra confirmar que a Darkside é sim a editora do meu coração, muito obrigada. Já tinha postado aqui a resenha de A Guerra Que Salvou A Minha Vida {que foi o primeiro livro que recebi da parceria}, mas acabei incluindo na lista de lidos pra manter aqui organizadinho.

Na verdade li pouca coisa nesses dois meses. Em Fevereiro eu li apenas A Menina Submersa e o Evangelho de Sangue; amei muito a obra de Caitlín R. Kiernan mas foi uma leitura absurdamente pesada pra mim, então acabei demorando pra terminar. Pra tentar dar uma aliviada li o meu querido Clive Barker, por que sim, até o próprio Lúcifer me deixa mais em paz do que uma menina enfrentando seus próprios demônios. Mas vamos logos às resenhas pra vocês saberem o que mais eu amei.

A Menina Submersa

The Drowning Girl: A Memoir • 2012 • Caitlín R. Kiernan • A Menina Submersa é um livro dentro de um livro. Imp, a narradora, cria um mundo onde sereias e lobos se unem para criar uma história de fantasma – sua própria história de fantasma. Com uma narrativa não-linear, interrompida constantemente pelos pensamentos intrusivos e anotações da autora, vamos conhecendo Imp – ou pelo menos o que ela acha que é a Imp. 

Sobre a edição: é lindíssima. Com um miolo pink e capa dura com um design misterioso, esse livro é com certeza um dos mais belos que possuo – naquele padrão DarkLove que a gente já conhece. E sobre o conteúdo: como já disse lá em cima, achei esse livro incrível – e bem pesado. Acho que isso é devido à proximidade que tenho com a esquizofrenia e relações pessoais com saúde mental. Imp começa escrevendo o livro para relembrar fatos que ficaram confusos em sua memória e externalizar seus pensamentos. Ao longo de sua narrativa, ela expõe seus relacionamentos interpessoais, adiciona contos de sua autoria e descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários. Confesso que enquanto lia, ia anotando várias dessas referências pois queria saber se existiam mesmo {infelizmente muitas não existiam, haha}. Uma das coisas mais incríveis desta obra é como a autora consegue descrever o fluxo de pensamentos de Imp quando ela entra em uma de suas crises; é angustiante e extremamente realista. “A Menina Submersa” é, trocadilhos a parte, um mergulho brilhante dentro de uma mente esquizofrênica.

Evangelho de Sangue

The Scarlet Gospels • 2015 • Clive BarkerHarry D’Amour é um detetive particular com dons paranormais que, juntamente com sua amiga Norma, uma médium velha e cega, se dedica a investigar casos sobrenaturais. Em um desses casos, acaba tendo contato com uma caixa de Lemarchand e encontra o Sacerdote do Inferno, que desta vez tem ambições maiores do que torturar humanos à seu bel prazer.

Quem já conhece Hellraiser pode estranhar um pouco esse livro, que tem um foco bem diferente do primeiro. Desta vez, nosso conhecido Pinhead deseja aumentar seu poder e está disposto a destruir quem entrar em seu caminho, e a única salvação da humanidade é o detetive D’Amour e seu excêntrico grupo de amigos. Barker emprega mais humor nesse livro, trazendo situações e personagens inusitados para uma obra de terror. As personagens, aliás, são o ponto forte do livro, na minha opinião. D’Amour e seus amigos formam um esquadrão incomum e todos são cativantes, cada um à sua maneira; várias vezes algum deles soltava um comentário engraçadinho num momento inapropriado e eu acabava sorrindo junto. As descrições de Barker continuam sanguinolentas, então se você gostou de Hellraiser e quer fazer uma visita ao Inferno {literalmente}, você precisa saber o que acontece nesse volume.

The Warriors

The Warriors • 1965 • Sol YurickIsmael Rivera, respeitado líder da maior gangue de New York, marca um encontro com todas as gangues da cidade para planejar um ataque ao “Homem” – pois ao unificar todos os grupos, nem mesmo a polícia poderia detê-los. A trégua ordenada por Ismael acaba quando, em meio a brigas generalizadas e a chegada da polícia, este é assassinado. Os Dominadores, uma das tropas presentes, tentam então voltar para casa em Coney Island, mas para isso eles tem que enfrentar territórios desconhecidos, gangues rivais e toda a força policial atrás deles pelas ruas e metrôs da cidade.

Pra quem já conhece o filme {um dos meus favoritos}, o livro é uma surpresa e tanto. Ele é bem diferente do filme homônimo de 1979, e vi muitas pessoas ficaram decepcionadas ao ler a obra original. Yurick, graduado em Literatura, trabalhou por anos no serviço social tendo contato com vários “jovens delinquentes” e graças a isso conseguiu trazer um tom mais realista para sua história. Ele teve a idéia de combinar um clássico grego, “Anábase” de Xenofonte, com guerras de gangues em New York, e tanto no filme como no livro esse paralelo se dá pelos membros da gangue lendo uma versão em quadrinhos da obra grega. O livro é bem mais cru do que o filme {um filme Hollywoodiano não poderia exaltar uma gangue que assassina um homem sem motivo algum e estupra mulheres, não é mesmo?} mas mesmo assim é incrível, pois como o próprio Yurick disse, não haveria The Warriors sem o livro. A introdução de Yurick existente nessa edição da Darkside é uma delícia de se ler, um presente maravilhoso para fãs do clássico cult – é REALMENTE imperdível. Uma curiosidade: no dia seguinte  que terminei o livro fui a um bairro distante e que nunca tinha ido, e vi em uma parede, pichado em vermelho: THE WARRIORS. Sim, décadas depois de sua criação, esse clássico continua mais vivo do que nunca!

Menina Má

The Bad Seed • 1954 • William March • Rhoda Penmark, uma linda, educada e estudiosa garotinha de 8 anos de idade, é alvo das suspeitas de sua mãe, Christine, após a morte de um colega de classe. A apatia em relação ao falecimento do garoto e a cobiça exagerada da menina fazem com que Christine comece a duvidar de sua inocência. Esse terrível acontecimento começa a trazer à tona memórias obscuras de sua infância e a faz questionar qual seria a origem da maldade.

Novamente, um dos meus filmes favoritos está na minha estante de livros numa edição linda da Darkside! Eu sou simplesmente apaixonada pelo filme de Mervyn LeRoy e assisto ele no mínimo três vezes por ano – na verdade eu amo tanto “The Bad Seed” que eu quase choro de alegria toda vez que posso dissertar sobre isso. Algumas falas das personagens aparecem do nada na minha cabeça, e então fico dias obcecada com Rhoda e filosofando sobre a origem da maldade. Minha maior inspiração, John Waters, menciona em seu monólogo “This Filth World” que, quando criança, era deslumbrado pela Rhoda e fingia ser ela em sua cabeça {nem preciso falar que chorei quando ouvi isso dele, pois até então nunca havia conhecido ninguém que mencionasse essa obra prima}. O filme é muito parecido com o livro de March, mas mesmo assim, é uma leitura indispensável para quem se interessa por psicopatia infantil pois foi uma das primeiras obras a falar sobre o assunto. Nem consigo imaginar o frenesi que foi na época – imagine, uma criança assassina no meio da década de 50? Obviamente acho tanto a leitura como o filme obrigatórios, então caso não conheça ainda, não me decepcione e descubra logo a real face de Rhoda Penmark!

Contos de Imaginação e Mistério

Tales of Mystery And Imagination • 1835 • Edgar Allan PoeEssa antologia reúne 22 histórias de um dos maiores escritores de terror de todos os tempos. A publicação da Editora Tordesilhas reproduz a edição londrina de 1919 da George G. Harrap & Co. com ilustrações de Harry Clarke e prefácio de Baudelaire.

Sério, acho que nessa altura da vida não preciso falar o quanto Poe é importante pra mim. Meu gatinho não tem esse nome à toa; eu não faria uma homenagem dessas à qualquer um, apenas à quem eu admiro imensamente. Comprei esse exemplar há mais de um ano, quando não existia nenhuma edição de luxo dedicada ao autor. Como já havia lido a maioria dos contos acabei deixando ele de lado, até que mês passado me deu uma vontade louca de reler alguns deles. Ah, e sobre edições maravilhosas: a minha queridinha Darkside lançou há pouquíssimo tempo uma outra antologia incrível {a primeira nacional!} que em breve estará na minha estante por que sou incapaz de resistir à edições maravilhosas, vocês já perceberam. {Só um adendo: sempre que coloco o ano aqui nessas resenhas é por que acho importante saber quando o livro foi publicado pela primeira vez, pra entendermos as referências da obra e entrar no ‘clima’. Como essa é uma compilação de contos, coloquei o ano em que o primeiro conto foi lançado, só pra quem não conhece ter uma idéia, tá?}

Agora, francamente, fazer uma resenha de Poe aqui é desnecessário. Pra quem nunca leu {nossa, o que você está fazendo com a sua vida?} eu só digo que você precisa ler imediatamente {eu indico “O Gato Preto”, “O Poço E O Pêndulo” e “A Máscara da Morte Vermelha”, que são mais curtinhos e ótimos pra conhecê-lo}. Pra quem leu e não gostou, você não merece falar comigo nem com meu anjo gatinho preto. E pra quem já ama, acho que você já se sente mais do que em casa aqui, não é? E se quiser se aprofundar mais sobre o autor, a Anna tem um projeto incrível chamado #12mesesdepoe {cof cof que eu não participo por pura falta de organização, mas sempre fico de olho nas resenhas}, onde rola até um grupo de discussão. Fantástico, não é?

A Guerra Que Salvou A Minha Vida

The War That Saved My Life • 2015 • Kimberly Brubaker Bradley • Ada é uma garotinha de dez ou onze anos que mora em Londres com sua mãe e seu irmão mais novo, e é engolida pela tensão da Segunda Guerra mesmo que nunca tenha pisado fora de casa. Sem conseguir andar por causa de um “defeito” de nascença, a protagonista {assim como milhares de crianças} precisa abandonar Londres e procurar refúgio das ameaças alemãs no interior da Inglaterra. Os irmãos são acolhidos por Susan, uma senhora solteira que vive isolada da comunidade à sua volta, e a primeira coisa que eles descobrem sobre a Srta. Smith é que, como ela mesma diz, ela não é uma pessoa boa.

Já fiz resenha desse livro aqui neste post, então nem vou me demorar aqui. Clique no link pra ver o kit lindo que a Darkside me mandou e uma resenha mais detalhadinha desse livro encantador.

E aí, o que achou dos livros? Já leu algum deles? Ficou com vontade de ler? Você já percebeu que eu me empolgo quando gosto do assunto, então me conte mais no comentários! ♥

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