Sobre ser uma #GIRLBOSS

capa girlboss

“Go Ahead, Underestimate Me”

“Vá em frente, me subestime” – Essa frase define muito bem toda nossa geração de mulheres. A carreira de Sophia Amoruso, desde seu início tímido, passando por seu auge astronômico e sua recente falência, é um bom exemplo da nova geração de mulheres empreendedoras e a reação da mídia nesse processo. Com a estréia da série no Netflix e certas reações ao “fim” da carreira de Amoruso, senti a necessidade de desabafar meus 2cents sobre o assunto. Já faz um tempinho que li #GIRLBOSS {cheguei a comentar nesse post} e desde aquela época fiquei com ele na cabeça. Caso você não conheça o livro, aqui está um resumo:

#GIRLBOSS • 2014 • Sophia Amoruso • A fundadora da Nasty Gal conta sua trajetória de vida, de adolescente rebelde que furtava lojas e remexia lixo até CEO de uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares. Amoruso é divertida e mostra que pra sermos bem-sucedidas temos que confiar em nossos instintos e seguir a nossa intuição.

Quando terminei o livro, me encantei pela paixão de Amoruso pela sua carreira, e achei incrivelmente inspirador para garotas jovens que aspiram sucesso profissional mas ainda estão meio perdidas {oi, prazer}. Claro que já conhecia a Nasty Gal, por isso adorei saber que a CEO milionária dessa loja incrível foi uma jovem tão sem rumo quanto eu. Dá uma pontadinha de esperança, não é mesmo?

Podemos dividir o livro em duas partes, que vão se intercalando: a primeira sendo a biografia louca de Amoruso e, a segunda, seus conselhos profissionais – e, pessoalmente, adorei as duas.  A rebeldia da autora me fez relembrar minha adolescência, por isso acabei me identificando muito com sua história, e seus conselhos me dão forças pra continuar focando na minha intuição e buscando aprimorar o que sou boa em fazer.

O livro é bem leve e divertido, gosto muito do jeito que a autora se expressa. Em cada capítulo ela descreve suas experiências e mostra como foi tomando conta das situações. Algumas das frases de efeito presentes no livro são:

  • Uma #GIRLBOSS sabe quando dar o soco e como receber o golpe
  • Todas as ações são criativas
  • O caminho reto e estreito não é o único para se chegar ao sucesso
  • O dinheiro fica melhor no banco do que nos seus pés
  • Aposte em si mesma

Esses são apenas alguns dos conselhos de Amoruso – e todos eles merecem ser levados em consideração. Esse livro é indispensável para todas mulheres que são #GIRLBOSS, mesmo que ainda estejam se adaptando à essa idéia ou que nem saibam que são ainda.

“Eu nunca sonhei com o sucesso. Trabalhei por ele.” Estée Lauder

Agora, sobre a declaração de falência: eu não sou perita em economia (pra falar a verdade a única DP que peguei até hoje foi Administração, pra vocês verem como sou péssima no assunto) por isso não entrarei em méritos técnicos, mas o que me deixou chateada foi o tom que a mídia usou ao falar sobre o assunto. Como é 2017 e ninguém aqui vive numa bolha – sim, estou falando sobre Feminismo – nem preciso comentar que as matérias seriam completamente diferentes caso Sophia fosse do sexo masculino. A opinião da mídia conservadora em relação à sua capacidade administrativa já é negativa pelo fato dela ser uma Millennial e são agravadas ainda mais simplesmente por ela ser mulher.

Por exemplo, olhe o print dessa matéria que Amoruso postou em sua conta de Instagram:

Once you've been slaughtered, it just becomes fun. Afterlife = 👌

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O fracasso da Nasty Gal prova que Millennials não estão prontos para liderar?” questiona a manchete. Amoruso reage comentando “uma vez que você foi massacrada, é só diversão“.

A “grande mídia” busca sempre demonizar a geração Millennial {aqueles que nasceram nos anos 80 e 90}, chamando-a de preguiçosa e mimada, e ataca constantemente as vitórias obtidas por seus “membros”, especialmente quando são mulheres. Cheguei a ver um portal que enfatizou que a fundadora da Nasty Gal tinha lágrimas nos olhos ao falar de sua renúncia, fato que provavelmente não seria noticiado caso ela fosse homem {esse é apenas um exemplo bobo que peguei logo na primeira notícia sobre o assunto}. Amoruso construiu um império do nada, em um tempo impressionante, sem uma graduação {ao contrário de grande parte de outros CEOs} e mesmo assim é alvo de dúvidas e chacotas pelos meios de comunicação.

“Por que se adaptar quando você nasceu para de destacar?” Dr. Seuss

Ver constantemente esse tipo de atitude me faz ter vontade de gritar aos quatro ventos: “Hey! Vocês aí! Estão vendo essa mulherada toda sendo incrível? Foi mal, mas o futuro vai ser delas”. Na verdade, vou ficar aqui no meu cantinho mesmo, cuidando das minhas coisinhas e tomando meu chá verde, enquanto vejo minhas amigas e todas essas mulheres incríveis dominando o mundo.

Como assim, dominar o mundo? Simples. Apoie os negócios das suas amigas. Comprem das artistas que vocês admiram. Procure por profissionais mulheres. Você vai criar uma rede linda de #GIRLBOSSES, que assim como você, são apaixonadas pelo que fazem e merecem reconhecimento pelo seu trabalho. Ninguém cresce sozinho. 🌸

Grupos legais pra mulheres empreendedoras: Compro De Quem Faz Das MinasCompro De Quem Faz Das Minas – Sampa. Lá tem todo tipo de serviço e você pode até anunciar seu negócio. Ah, e o site oficial da #GIRLBOSS tem vários artigos {em inglês} com pautas super interessantes, recomendo também.

E a série da Netflix?

Sobre a série: ainda não vi. Ops! Não sei qual é o tom dela {já vi gente reclamando que a Sophia parece uma adolescente mimada} então não vou comentar sobre isso. A série tem treze episódios e a única certeza que tenho é que a trilha sonora está imperdível {colocar “TKO” do Le Tigre é mancada com a minha pessoa}.  Com uma história como a de Amoruso não tem como a série não ser – no mínimo – divertida. Só sei que estou louca pra descobrir!

E você, já conhecia o livro? Já assistiu a série? Tem um negócio próprio e quer se promover nos comentários? Fique à vontade, a casa é sua. 🖤

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Feminismo para iniciantes


“Garotas salvarão o Mundo” {Lisa Sterle}


Feminismo é provavelmente um dos assuntos mais controversos do momento. As pessoas tendem a acreditar que feministas são rebeldes sem causa, lésbicas que odeiam homens ou simplesmente garotas mal-comidas, e ainda dizem “não sou feminista nem machista, sou humanista”. Se você acredita em qualquer uma dessas coisas, hey, esse post é para você! 

Eu me identifico como feminista e apoio todas as mulheres {obviamente estou incluindo as mulheres trans aqui #duh}. Eu peço para que você abra seu coração e leia os textos a seguir, que eu tentei resumir o máximo possível, para que você entenda pelo que nós feministas lutamos. Os textos a seguir foram retirados de: Clara Averbuck e Papo de Homem.

“Ensinamos nossas garotas a se diminuir, se tornar menores. Dizemos para as garotas: “Tu pode ter ambição, mas não muito. Tu pode querer ser bem sucedida, mas não muito bem sucedida, do contrário, tu vai amedrontar os homens”. Por eu ser mulher, espera-se que eu queira casar, espera-se que eu tome as decisões da minha vida sempre lembrando que o casamento é a mais importante. Casamento pode ser uma fonte de alegria, amor e apoio mútuo, mas por qual motivo ensinamos as garotas a desejar o casamento e não ensinamos o mesmo aos garotos? Criamos garotas para que vejam umas às outras como oponentes, não por empregos ou conquistas, o que pode ser uma coisa boa, mas pela atenção dos homens. Ensinamos que elas não podem ser seres sexuais da mesma forma que os garotos são. Feminista: uma pessoa que acredita em igualdade social, política e econômica de gêneros.

Chimamanda Ngozi Adichie, escritora nigeriana.


O que é Feminismo?

Feminismo não prega ódio, feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais.

Há várias correntes dentro do feminismo, com pensamentos e posicionamentos distintos. Não há “o” feminismo, mas vários feminismos. Cada mulher constrói seu próprio feminismo. 

Existe essa grande falha lógica que é o sujeito achar que você tem que ser contra uma coisa pra ser a favor de outra; neste caso, “contra” os homens para ser “a favor” das mulheres. O feminismo não luta contra os homens, e sim contra o supracitado sistema de dominação, que, veja só, privilegia os homens e foi criado por… homens. Fica clara a diferença entre lutar contra um sistema e lutar contra todo um gênero?

Não sou Feminista, sou Feminina.
“Não sou feminista, sou feminina.” Como se isso quisesse dizer alguma coisa! Existe uma lenda de que ser vaidosa é antifeminista. Que uma mulher feminista não pode ser “feminina”. É mentira.

Existem algumas feministas que preferiram abandonar alguns dos procedimentos tradicionais de beleza, por considerá-los imposição da sociedade patriarcal. Por outro lado, também existem muitas feministas que andam de saia, francesinha nos pés e bolsa de oncinha nos ombros. E por que não andariam?

Tanto patricinhas depiladas de chapinha nos cabelos quanto ripongas peludas de sandália de couro podem ser feministas. Não existe nada no feminismo que seja necessariamente anti-esmalte nas unhas.

O feminismo defende direitos iguais e maior liberdade de escolha para as mulheres — e isso inclui a liberdade de pintar as unhas ou não, de ser juíza ou ser puta, de depilar ou não depilar, etc.

Homens e Feminismo

Homens: não digam às mulheres o que fazer.

Nada pode ser mais intrinsecamente machista do que você, homem, mesmo ó tão pró-feminista e ó tão razoável, querendo dizer às feministas como devem se comportar. Que “seriam mais ouvidas se fossem menos agressivas”. Que “deveriam ser mais dóceis”. Que não entende porque estão brigando logo com você, que é tããão fofo, tão pró-feminista, tão amigo!

Se você, homem, a essa altura do campeonato, ainda se acha no direito de dizer pras mulheres como devem se comportar; se acha que cabe a você determinar qual é a melhor maneira do feminismo alcançar seus objetivos; se acha mesmo que é aceitável esse tipo de comentário ao mesmo tempo autoritário e condescendente, então, meu amigo, você não entendeu nada. Mas tem conserto: fecha essa boca, abre esse ouvido.



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