Resenha • Fragmentos do Horror por Junji Ito

É impossível pensar em Horror Japonês sem lembrar de Junji Ito. Autor de mangás icônicos do gênero, em Fragmentos do Horror podemos ver o autor trabalhando em histórias bem mais curtas, mas que mesmo assim não deixam de ser aterrorizantes. Esse é também o primeiro mangá lançado pela Darkside Books, por isso tive que caprichar nesse post, senão meus antepassados japoneses se revoltariam no túmulo. Quer saber porquê eu amei tanto esse quadrinho e ver as fotos super especiais que preparei em homenagem ao Mestre do Horror? Vamos lá, vou mostrar tudo nesse post!

魔の断片

Você já conhece o Junji Ito? Já leu algum mangá dele? Caso não conheça, não tem problema. Ele escreveu alguns dos mangás mais famosos de terror, como Tomie, Gyo e Uzumaki. Em Fragmentos do Horror {魔の断片 Ma no Kakera, no original}, você vai poder conhecer alguns contos completamente independentes das outras obras dele, então caso não tenha lido nada de seu trabalho pode ir sem medo {modo de dizer, cof cof} nessa coletânea. Sempre achei que despertar emoções com contos curtos é muito mais difícil, por isso esse mangá é tão prazeroso e interessante de ler.

O mangá é dividido em oito histórias, uma mais bizarra do que a outra. São elas:

  • Futon
  • Monstro de Madeira
  • Tomio Gola Rolê Vermelha
  • Suave Adeus
  • Dissecação-chan
  • Pássaro Negro
  • Magami Nanakuse
  • A Mulher Que Sussurra

O Horror, a Inocência e o Feminino

O Horror de Ito é repugnante, passando do cômico ao erótico. Gosto muito de suas histórias, pois ele busca inspirações no cotidiano, trazendo o terror para coisas que até então eram vistas como inofensivas. Nessa coletânea há uma grande variedade de “estilos”, por assim dizer, então é impossível você não ficar obcecado pelo menos por uma história. Como cada uma delas é muito curtinha, prefiro nem contar muito sobre elas e deixar você decidir qual amou mais; as minhas favoritas são “Monstro de Madeira”, “Suave Adeus” e “Pássaro Negro”. Me conte qual você gostou, vou amar conhecer outros pontos de vista!

Enquanto pesquisava mais sobre esse livro, acabei descobrindo que Fragmentos do Horror foi lançado para uma revista feminina japonesa! Foi só depois disso que comecei a notar que o foco de todas as histórias são as mulheres: ostentosas, fortes e vingativas, ainda que monstruosas – enquanto os homens são fracos, infiéis, desprezíveis. O Mestre do Horror fez uma coletânea especificamente para nós – achei que eu não poderia amar mais o Junji Ito do que já amava, descobri que estava errada.

Cabelos Pretos e Globo Ocular

O kit que a Darkside Books preparou dessa vez veio com uma surpresa assustadora: um lacre de papel marcado com kanjis embalava uma mecha de cabelo preto e o livro. Foi um dos kits mais maravilhosos que já recebi, não tinha como ser mais bizarro do que isso. Quando abri o pacote e vi o cabelo eu dei um grito de verdade, de tão feliz que fiquei. Obrigada, Caveirinha!

A arte da capa tem alusão à todas as oito histórias do livro, ao mesmo tempo que o personagem principal da ilustração é também uma referência clara à obra expressionista “O Grito”, de Edvard Munch, utilizando inclusive a mesma cartela de cores. As referências artísticas que Ito utiliza em seus trabalhos sempre me fazem sorrir {em Uzumaki por exemplo um dos quadros me lembrou muito o “De sterrennacht” de Van Gogh, mas isso fica pra um post futuro}, por isso eu sempre digo que venero esse homem! Além dessa arte maravilhosa, a capa ainda tem uma aplicação de verniz no formato de uma das ilustrações mais intricadas do mangá, existente em “Futon”, que também está presente nas folhas de guarda do livro.

Carne Crua e Sangue

Todo esse capricho com o trabalho de um autor japonês de horror fez meus olhinhos encherem de lágrimas de alegria. Até hoje existe certo preconceito quando a palavra “mangá” é utilizada, mas espero que com essa produção primorosa da Darkside Books algumas pessoas possam repensar qualquer preconceito em relação à essa arte tão bonita. Ah, e como não podia deixar de ser, a leitura segue o formato dos tradicionais mangás japoneses: da direita para a esquerda.

Como esse é o primeiro mangá da Darkside Books, eu nunca deixaria passar a oportunidade de fazer uma produção mais que especial, afinal, precisava honrar as raízes, não é mesmo? Tive a idéia de fazer essas fotos enquanto relia o livro e parei na história do “Pássaro Negro”. Partindo do mesmo princípio de Ito, de transformar o cotidiano em algo horripilante, acabei com essas fotos que foram super divertidas de produzir. Um agradecimento especial ao meu noivo, que me ajudou trazendo carne crua {você quer #relationshipgoals, @?} e que me apóia em todas minhas idéias bizarras.

Fragmentos do Horror foi o primeiro mangá do Junji Ito que eu li, mas já conhecia de nome pois todo mundo fazia cara de surpresa quando eu dizia que ainda não tinha lido nenhuma obra dele. Depois que li esse, não teve jeito: li todos os mangás que meu noivo tinha em casa e ainda peguei o mangá sobre gatinhos {yay, gatinhos!} – e foi aí que tive certeza que esse cara nasceu pra ser meu bff. Hoje em dia posso declarar que sou mais uma discípula desse Mestre do Horror.

E você, o que acha dele? Gostou do post e das fotos? Seu comentário é o que me faz ter vontade de continuar com esse trabalho, então não esquece de deixar uma palavrinha pra mim, ok? 🖤

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Resenha • Noturno por Scott Sigler

Imagine acordar e descobrir que um dos seus sonhos mais bizarros pode ser real? E o que fazer quando esses sonhos começam a se tornar realidade com o aparecimento de cadáveres espalhados pela cidade? Nesse livro de Scott Sigler trazido ao Brasil especialmente pela Darkside Books, ação e fantasia se juntam nas sombras de San Francisco.

Sinopse

Bryan Clauser é um detetive de homicídios de San Francisco e, juntamente com seu parceiro Pookie Chang e sua ex-namorada Robin, começa a investigar os brutais assassinatos que estão ocorrendo na cidade. O único porém é que Bryan consegue ver os assassinatos no momento em que são cometidos – seria ele o assassino? Quanto mais o detetive busca provar sua inocência, mais fundo ele se envolve na história da cidade, que inclui conspirações dentro da própria polícia, criaturas monstruosas e um culto secreto que existe desde a fundação de San Francisco.

Existe uma cidade viva e faminta nas sombras — e ela pode colocar todo o mundo em risco.

Sonhos Agradáveis

Para o caso de não conseguir fechar os olhos durante a noite após ler o livro, a Caveirinha enviou uma máscara de dormir nesse kit monstruoso. A qualidade dos livros da Darkside a gente já conhece: fitilho vermelho, capa dura com um design impecável e com um mapa da ferrovia de San Francisco estampando as folhas de guarda.

Noturno é dividido em capítulos curtos, mostrando histórias simultâneas, então a leitura acaba sendo bem dinâmica. É o tipo de livro que você devora só pra chegar logo no capítulo seguinte!

Sanguinário

Uma das coisas que gostei em Noturno foi que Sigler busca referências científicas para explicar a existência das criaturas subterrâneas, que são pesquisadas pela adorável personagem Robin. Mesmo sendo um livro de fantasia, graças à esse “realismo” os monstros acabam combinando bastante com o tom policial do restante da obra.

Gostei muito de ver também que além do tradicionais “detetives protagonistas” – o herói com crise de identidade e seu parceiro fiel e sempre pronto para soltar uma piada – temos diversos personagens bem construídos dentro desse círculo de trabalho, como a Delegada Zou, o Sr. Burns Negro e o time de legistas formado por Robin e seu chefe Dr. Metz.

A parte psicológica dos personagens sempre chama minha atenção, e aqui temos extremos: Bryan está à beira de um surto psicótico e a um passo de abraçar o seu lado mais sombrio e sanguinário; Pookie é um parceiro fiel mas que suspeita que seu parceiro seja um assassino; já o Sr. Burns Negro é um ex-policial que devido à uma crise de stress pós-traumático não consegue mais sair às ruas. Estas são apenas algumas das facetas exploradas no livro, e a junção desses elementos resulta numa história que analisa os aspectos mais intensos da psique humana.

Admito que fantasia não é meu forte, mas literatura policial domina meu coração e Noturno junta as duas de um jeito único. No meio do livro já queria matar metade das pessoas, me sentia a melhor amiga das outras, enfim, adorei a construção dos personagens e isso fez a leitura fluir muito melhor.

Noturno é um livro para ser devorado em um piscar de olhos. Vai enfrentar?

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Resenha • Arquivos Serial Killers por Ilana Casoy

Já imaginou como seria desvendar o que se passa na cabeça de um serial killer? A Darkside Books te ajuda a solucionar esse mistério com a ajuda de Ilana Casoy, nessa edição especial da Crime Scene com mais de 700 páginas de análise comportamental e estudos de caso. Dois livros reunidos numa edição de tirar o fôlego para despertar o investigador criminal que existe dentro de você.

O tópico “Serial Killers” é um tanto quanto controverso: enquanto algumas pessoas ficam horrorizadas e preferem esquecer que estes existem, outras se interessam tanto sobre o assunto que leem sobre ele em fóruns na internet ou em livros dedicados ao tema. Acho que é bem óbvio que eu sou o segundo tipo e, se você é assim como eu, esse é um livro essencial pra sua coleção!

O Arquivos Serial Killers é um dos relançamentos em comemoração aos 5 Anos da Caveirinha – nada melhor do que comemorar essa data tão especial com Ilana Casoy, que é autoridade no país quando o assunto é mentes criminosas. Essa edição maravilhosa da Darkside Books contém na verdade dois livros: Serial Killers: Louco ou Cruel? e Serial Killers: Made in Brazil. Nesse post vou contar tudo sobre eles e mostrar a maravilhosa edição de luxo que a Caveirinha preparou para os leitores.

Human Organ For Transplant

Eu não me canso de falar como amo os pacotes da Darkside Books! Tudo é super bem pensado e feito com muito carinho, então cada vez que recebo algo pelo correio já tento preparar meu coração para não dar um grito. Bem, essa foi uma das vezes que não consegui me segurar.

Imagine receber uma bolsa de transplante de orgãos pelo correio, com dois livros incríveis dentro? Não consigo imaginar nada melhor do que isso. Já falei sobre o Meu Amigo Dahmer nesse post, mas receber esse Arquivos Serial Killers foi a melhor surpresa da vida!

Já disse que o livro é enorme {720 páginas, para ser exata}, mas como são dois livros então essa edição tem dois fitilhos: um preto e um vermelho. A borda das páginas é vermelha, o que torna esse livro quase uma obra de arte. Amo muito essa capa com a caveira e sem mais nada escrito, com certeza é um dos volumes mais lindos da minha estante. Talvez tenha até exagerado na quantidade de imagens que coloquei nesse post, mas eu simplesmente não consegui deixar nenhuma de fora. Ops! Caveirinha, assim você me mata!

Louco ou Cruel?

Em Louco ou Cruel? a escritora explica o que define um serial killer: as categorias em que são divididos e aspectos gerais e psicológicos, além de desmistificar várias crenças populares. Casoy também fala sobre os passos de uma investigação do FBI, além de comentar sobre os diversos métodos utilizados na Psicologia Investigativa. Esse capítulo em especial é muito interessante para quem se interessa por profiling criminal pois é bem abrangente e completo; é uma inquietante análise de como, por que razão e com que métodos os serial killers agem.

Cada capítulo seguinte é dedicado à um serial killer diferente, muitos dos quais tenho certeza que você já conhece: Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, Albert Fish, John Wayne Gacy, Ed Gein, Ed Kemper… e a lista não para.


As Caveirinhas se encontrando {já falei desse quadrinho do Meu Amigo Dahmer aqui}

A quantidade de informações contida em cada capítulo é suficiente para te hipnotizar e não te deixar respirar até terminar de ler. Casoy consegue fazer com que você entre na cabeça do assassino e compreenda melhor o que se passava dentro dele, através de análises minuciosas de seu histórico de vida.

Se você gostou do seriado Mindhunter, produzido pela Netflix, com certeza vai amar esse livro! Além de explicar mais sobre criminologia e podermos ver como a ciência comportamental evoluiu nas últimas décadas, tem um capítulo sobre o Ed Kemper, um dos personagens mais interessantes retratados na série. Se quiser mergulhar fundo na mente dessa “carismática” montanha psicopata de 2,04m responsável pela morte de dez pessoas, essa leitura é essencial para você.

Made in Brazil

Made in Brazil foi o pioneiro do gênero a se dedicar a serial killers brasileiros. Casoy pesquisou desde casos encerrados há décadas até alguns mais recentes, onde pôde ficar cara a cara com os assassinos. É um dossiê completíssimo sobre assassinos em série no Brasil, inclusive contando com entrevistas e anexos técnicos de alguns dos apresentados.

Alguns dos assassinos em séries retratados nessa edição são: Francisco Costa Rocha {Chico Picadinho}, José Paz Bezerra {Monstro do Morumbi}, José Augusto do Amaral {Preto Amaral} e Pedro Rodrigues Filho {Pedrinho Matador}, entre outros.

Uma das coisas que mais chamou minha atenção nesse livro foi o fato de que eu não conhecia praticamente nenhum deles. Especialmente os mais antigos, do começo do século passado, eu nunca sequer tinha ouvido falar, apesar do quão bizarro foram e da magnitude que tiveram na época. Parece que nós brasileiros preferimos apagar da memória esse tipo de acontecimento, ao invés de tentar aprender para que casos similares no futuro sejam evitados.

Outra coisa que me deixou arrepiada foi conhecer os lugares onde alguns dos casos se passaram. Quando leio sobre Dahmer ou Ramirez, por exemplo, não conheço as ruas por onde eles andavam, os bairros onde moravam. Já em Made in Brazil eu literalmente passava por alguns dos lugares citados todos os dias! Avenida Tiradentes, Rua Teodoro Sampaio, Anhangabaú… imaginar que eles já andaram pelas mesmas ruas que eu é assustador.

Talvez por isso ler o Made in Brazil seja tão diferente do Louco ou Cruel?; é mais próximo da nossa realidade e por isso acaba sendo mais sufocante, mas não deixa de ser uma leitura interessantíssima e indispensável para quem se interessa por True Crime.

O que acharam dessa edição maravilhosa? Já conheciam os trabalhos da Ilana Casoy?

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Resenha • Meu Amigo Dahmer

E se você descobrisse que aquele seu amigo estranho do colegial virou um dos mais famosos serial killers do mundo, o que faria? Derf Backderf decidiu relembrar sua adolescência nessa Graphic Novel perturbadora, para contar uma história bem diferente da que estamos acostumados sobre o canibal necrófilo Jeffrey Dahmer.

Quando a Darkside Books anunciou que lançaria HQs fiquei mega animada, pois se tem uma editora que eu confio plenamente no gosto é a Caveirinha, então já sabia que iria adorar os títulos novos. Quando vi que Meu Amigo Dahmer estava entre os três primeiros lançamentos nem consegui acreditar; na época nem sabia que o filme já estava em produção, mas já tinha ouvido falar {e muito!} nessa Graphic Novel. Fiquei esperando ansiosamente meu pacotinho chegar em casa.

Para quem não percebeu ainda, eu sou fascinada por casos de True Crime e Serial Killers. Eu passo meu horário de almoço inteiro, literalmente todos os dias, fuçando sobre o assunto no Reddit e quando não consigo dormir tento encontrar um artigo que ainda não li no blog O Aprendiz Verde, um dos meus favoritos da vida. Até cheguei a contar nesse post sobre O Segredo dos Corpos que demorei pra pegar os livros da coleção Crime Scene e que me arrependo amargamente disso, pois acabaram sendo os mais incríveis que li esse ano. Meu Amigo Dahmer mostra um outro lado desse tema, focando na história do serial killer antes de matar, e é essencial para qualquer um que se interesse pelo assunto.

Quem foi Jeffrey Dahmer?

 • { AVISO: CONTEÚDO VIOLENTO E DESCRIÇÕES GRÁFICAS } •

Jeffrey Lionel Dahmer {21 de Maio 1960 – 28 de Novembro de 1994} foi um dos mais brutais serial killers americanos. Entre 1978 e 1991, Dahmer matou 17 homens; ele dopava e violentava suas vítimas, estrangulava-os e desmembrava os corpos, preservando algumas partes e comendo outras. Ele também tentou criar “zumbis sexuais”, injetando ácido e água quente nos crânios abertos de suas vítimas ainda vivas.

Quando descoberto, as provas em seu apartamento não poderiam ter sido menos chocantes: quatro cabeças decepadas, sete crânios, dois esqueletos, dois corações e um torso, além de várias outras partes de corpos, como pênis em conserva e torsos meio dissolvidos em ácido. Também foram encontradas várias polaroids no local que mostravam as atrocidades cometidas.

Em 1992 o “Canibal de Milwaukee”, como ficou conhecido, foi condenado por 15 assassinatos e pegou 957 anos de prisão. Em 1994 Dahmer morreu após sofrer um ataque com uma barra de ferro por outro presidiário.

A história antes da história

Ler Meu Amigo Dahmer é uma experiência visceral, não importa se você acompanha casos de True Crime ou não. Quando imaginamos um serial killer pensamos logo em um monstro longe de nossa realidade; é difícil imaginar que essa pessoa tenha sido uma criança vulnerável um dia, que tenha frequentado a escola, rido de alguma gracinha que aconteceu em sala, tido amigos que nem imaginavam o que se passava em sua cabeça – e é exatamente esse retrato de Dahmer que Derf passa em cada página dessa história.

O interessante é que Derf não busca justificar os atos de Dahmer em momento algum, mas questiona se as coisas poderiam ter tomado rumos diferentes caso os “adultos” tivessem prestado atenção no que estava acontecendo. Os pais, professores e figuras de autoridade de sua vida sempre acabaram ignorando os problemas óbvios que Dahmer enfrentava, fazendo com que ele vivesse e lidasse com seus fantasmas sozinho.

Todos os fatos narrados nos quadrinhos são baseados em relatos do autor, amigos e professores, e são embasados por documentos oficiais e informações cedidas pelo próprio Dahmer em entrevistas posteriores. Além dos quadrinhos, Derf detalha cada acontecimento no final do livro, ampliando nossa visão dos acontecimentos.

Edição Caveirosa

Além da Graphic Novel revisada, essa edição com capa dura da Darkside Books tem também a versão original {e bem mais curta}, além de inúmeros sketches e fotografias originais do autor, retratando sua amizade com Dahmer e a vida deles na escola. Além disso, temos algumas páginas de rascunhos que acabaram sendo cortadas da versão final dos quadrinhos, mas que são igualmente fortes.

Uma coisa que me incomodou um pouco antes de começar a ler foi o estilo do traço de Derf, pois achei muito “simples” {e feio, cof cof}, e senti que não me faria “entrar” na história. Quando terminei, achei o estilo perfeito para a narrativa! Criei um respeito e um carinho tão grande pela história que quando fui tirar essas fotos senti novamente um peso no estômago, pois cada quadrinho é extremamente forte e impactante.

Foto acima • Para vocês verem como as Caveirinhas andam sempre juntas: retrato de Dahmer no colegial em 1977, no livro Arquivos Serial Killers de Ilana Casoy. Essa edição é fantástica e vai estar no blog em breve!

Honestamente, essa HQ foi a melhor que li esse ano. Ela é tão incrível que falo dela pra qualquer um, mesmo quem não goste do assunto. Até fiz minha irmã ler {acho que foi a primeira HQ dela}, mas é uma história que me surpreendeu tanto que não consigo deixar de lado.

Sobre O Filme

Depois disso tudo nem preciso dizer que chorei quando vi o trailer do filme, né? A semelhança de Ross Lynch com Dahmer é absurdamente impecável, e pelas poucas cenas que aparecem posso dizer que sua atuação também está muito parecida. Estou muito ansiosa por esse filme, muito muito muito ansiosa mesmo. A estréia está marcada para 03 de Novembro deste ano nos Estados Unidos, mas não tenho idéia se vai sair nos cinemas brasileiros. Assista aqui o trailer e me fale se não sente um arrepio até a espinha:

Ele foi um monstro, mas todo monstro nasce de algo; nessa obra conhecemos o início do fim de Dahmer.

E você, também se interessa pelo tema? Já conhecia essa Graphic Novel? Quer ver o filme no cinema? Já viu que eu me empolgo sobre o assunto, pode vir que vou adorar falar sobre isso.

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Resenha • Wytches

Brvxas: esqueça tudo o que sabe sobre bruxas antes de mergulhar nessa Graphic Novel de Scott Snyder que explora nossos medos mais profundos.

E pela primeira vez aqui no blog, uma resenha de uma Graphic Novel! Claro que tinha que ser com uma das primeiras HQs que a Darkside Books lançou, não é mesmo? Já comentei aqui que, mesmo estando noiva de um artista de quadrinhos, só agora estou me interessando por esse tipo de arte – e graças à esses lançamentos da Darkside estou tendo a oportunidade de conhecer HQs que são a minha cara. Hoje vou falar da primeira delas, que já tinha sido recomendada para mim e que fala sobre bruxas. Não, espera, eu quis dizer brvxas!

E é como disse lá em cima: essa não é uma história sobre bruxas, é uma história sobre brvxas. A primeira vez que li essa HQ foi em um domingo ensolarado e estava ansiosa para ler algo sobre as bruxas que eu amo: podia ser uma coisa à la Wicked, The Love Witch ou meio The VVitch, quem sabe? Mas não imaginei que o livro fosse fugir completamente dos arquétipos que estou acostumada e que gosto tanto – e por isso acho que acabei me decepcionando um pouco. Mas, como confio muito no gosto da minha querida Aline {que tinha me dito que essa era uma de suas HQs favoritas}, acabei relendo algum tempo depois sem maiores expectativas e adivinhem: eu simplesmente adorei dessa vez!

Não sei se o dia feliz e os raios de sol contagiando o ar com alegria enfraqueceram um pouco o impacto e o medo que eu deveria ter sentido pela primeira vez, mas ler essa HQ novamente em uma manhã nublada numa sala vazia fez meu coração saltar algumas vezes. Se você for ler Wytches pela primeira vez, siga meu conselho: leia num lugar onde esteja sozinho, sem barulhos e de noite – sua experiência será muito melhor.

 Sinopse

Sailor Rook é uma adolescente solitária que, juntamente com seu pai e sua mãe, se muda para uma pequena cidadezinha de New Hampshire chamada Litchfield, buscando um recomeço após um incidente trágico. O que eles ainda não sabem é que algo sinistro vive nas florestas, espreitando e esperando para atacar. Afinal, jura é jura!

Na Toca das Brvxas

Uma coisa que também achei incrível foi a técnica mista utilizada para as ilustrações, que ficaram a cargo de Jock. No fim do livro tem um passo-a-passo ilustrando como foram feitas as páginas, que é super interessante para quem, assim como eu, se interessa por esse tipo de arte. Cada página foi desenhada com nanquim e depois recebeu camadas e mais camadas de pinturas no Photoshop e de borrões com aquarela e tinta acrílica em papel, que foram intercaladas para criar esse efeito caótico e complexo.

E nem preciso comentar que quase morri de felicidade quando recebi esse pacote; os detalhes ficaram maravilhosos e totalmente minha a e s t h e t i c, haha. O livro veio embrulhado em um tecido rústico, estonado, amarrado com um cordão de camurça marrom com uma pedra roxa e galhos – parece que estava escondido perto de uma toca de brvxas! Olhar esse pacote depois da leitura me fez continuar imersa no universo dessas criaturas; sério, tem como não amar a Darkside?

Dentes Arreganhados

Ao ler os vários epílogos escritos por Snyder fui desenvolvendo melhor a idéia do que uma Wytch é para mim. Wytches são criaturas horrendas, que se escondem debaixo da terra e se alimentam de carne humana; mas elas só agem quando permitimos, quando somos tomados pelo medo e deixamos ele tomar conta de nossa vida. E sim, as Wytches são reais e nós passamos por elas todos os dias. Elas podem não comer carne, não literalmente pelo menos, mas o prazer pelo medo que elas infligem nos consome do mesmo jeito. As Wytches estão à espreita para ver você falhar, estão aguardando o deslize que vai fazer você chegar no desespero máximo para se deliciar com seu sofrimento; é nessa hora que elas chegam com os dentes arreganhados.

Essa é uma história em que Snyder usou o próprio medo de não poder proteger seu filho da realidade para criar uma narrativa dentro de uma mitologia, e podemos perceber bem esse sentimento no relacionamento entre Sailor e seu pai. Se eu, que não tenho filhos, já fico apreensiva normalmente ao imaginar a responsabilidade de criar outra pessoa, nem imagino a angústia que deve ser sentir esse medo específico. Se eu fosse mãe e lesse Wytches eu acho que teria uma síncope. E não são só os pais que sofrem com as brvxas: bullying, depressão, dependência e solidão são algumas das outras coisas que as Wytches adoram.

Apenas relembrando que essa é a minha interpretação. E, mesmo não vendo mais as Wytches como criaturas monstruosas, isso não quer dizer que eu tenha menos medo delas. O fato de enxergá-las o tempo todo agora me deixa apavorada!

E você, já conhecia essa HQ? O que achou? Ficou com vontade de ler? 💜

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