The Love Witch

She loved men… to death.

Não poderia deixar de comentar sobre esse filme aqui! Assisti “The Love Witch” há um tempinho e não consigo deixar de lembrar dele todos os dias. Fiquei completamente encantada pois ele retrata perfeitamente todos os meus gostos. Este é o primeiro longa da diretora Anna Biller, mas o estilo dela é inconfundível: Biller ficou famosa no circuito underground quando lançou o curta “Viva”, sobre uma dona de casa em meio à revolução sexual. Então, se quer ver um filme onde vestidos Vitorianos e mini saias Mod combinam perfeitamente, você precisa conhecer  “The Love Witch”!

Sinopse

Elaine, uma linda e sedutora vixen, é obcecada pelo amor. Não que ela propriamente entenda o que significa o amor, mas ela é apaixonada por essa idéia. Usando feitiços e magia, ela busca nos braços de diversos homens sua felicidade final, mas sempre acaba se decepcionando quando vê a verdadeira natureza dos sentimentos deles, e acaba ceifando a vida de cada um dos que aparecem em seu caminho.

Banquete Visual Vintage

Ao contrário do que a maioria pensa, o filme não é uma paródia ou homenagem aos filmes Technicolor ou exploitation dos anos 60 e 70. Biller quis na verdade fazer um filme utilizando simbologia de cores, usando técnicas clássicas de iluminação e filmagem (essa obra prima foi gravada em 35mm, por isso temos um resultado tão incrível) e atuações teatrais que combinassem com o roteiro.

O uso da simbologia de cores pode ser visto, por exemplo, no salão de chá, onde tudo é rosa e remete à feminilidade, parecendo o interior de um útero. Já na casa onde Elaine se hospeda, por exemplo, a decoração foi inspirada pelas cartas do tarô {que também aparecem ao longo do filme}.

A época do filme é contemporânea, mas a vibe sixties da protagonista nos faz pensar o tempo todo que estamos assistindo um filme produzido há pelo menos cinquenta anos. Devo admitir que quando vi algumas imagens tive que checar o ano do filme pra ter certeza que não estava confundindo, mas o ano era 2016 mesmo. Meu namorado, quando assistimos juntos, estranhou meus comentários extasiados sobre a produção, e perguntou o ano do filme logo no comecinho. Me arrependi no momento que dei a resposta e vi a surpresa dele, pois queria vê-lo confuso quando aparecesse uma cena com celular {mesmo que os carros na rua, por exemplo, denunciem discretamente a contemporaneidade do filme logo no início}.

O que mais me impressionou nos trabalhos da diretora é a precisão técnica. Apaixonada por filmes da Era de Ouro de Hollywood, ela quer que os filmes sigam essa aura, como um mundo de fantasia, por isso tem tanto cuidado com cada detalhe. Para que tudo ficasse o mais fiel possível a sua ideia inicial, Biller dirigiu, produziu, editou, chegou a trabalhar na construção dos cenários, rascunhou cada cena do storyboard e até confeccionou o figurino {amante da moda retrô, ela usou revistas de modelagem de décadas passadas para criar os vestidos maravilhosos de Elaine}. O tapete de pentagrama foi feito à mão pela diretora, e demorou seis meses para ficar pronto!

A maquiagem também é um tópico a parte. A sombra azul combinada com o delineado gatinho que Elaine usa ao longo do filme virou minha obsessão! Nunca achei que fosse ficar tão apaixonada por sombra azul, juro; enquanto via o filme eu fiquei o tempo todo focada nos olhos dela. Uma curiosidade que li também foi que, por ser um filme 35mm, a maquiagem usada acabou sendo pouco tradicional. A marca utilizada foi a Shiseido, pois foi a única que deu uma aparência saudável à pele das personagens. Biller disse que a maquiadora até fez um teste com outras marcas, mas como a diretora já havia tido uma experiência anterior com “Viva”, comprou vários itens da marca e levou para ela testar já sabendo que assim teria os melhores resultados.

Objetificação Feminina

Qualquer pessoa que tenha uma noção de feminismo fica horrorizada com o comportamento de Elaine; até sua própria amiga, Trish, diz que ela sofreu lavagem cerebral do patriarcado com suas idéias sobre o amor e os homens. Quando procurei mais sobre o filme e o curta de Biller, entendi melhor o ponto de vista da diretora sobre suas obras. 

Trish é o representação da feminista moderna, tem desejos e ambições que vão além de seu casamento. Elaine é uma sociopata narcisista, egoísta e extremamente sexual {no sentido de suprir o desejo masculino, pois ela mesma parece tão impassível ao ato sexual quanto ao tomar uma xícara de chá no salão vitoriano}. Ela é a anti-heroína do filme e mesmo assim sentimos simpatia pela personagem, pois a constante objetificação sofrida ao longo dos anos acabou levando-a à loucura.

Elaine enlouqueceu ao tentar encontrar seu lugar no mundo dos homens, e esse resultado da busca pela perfeição e aceitação do sexo masculino é um dos pontos que a diretora mostra em suas obras. No universo de Biller, os homens temem a sexualidade e autonomia femininas, assim como temem as mulheres pois não possuem uma elevação espiritual e sentimental como elas. É justamente por essa fraqueza que Elaine os despreza e acaba matando-os.

Muitas das informações aqui expostas foram retiradas do Twitter da própria diretora, que estou stalkeando desde que vi o filme. Não tenho a fonte de tudo que cito aqui no texto pois já li praticamente todas matérias sobre o filme, antes mesmo de pensar no post, por isso acabei perdendo os originais {pra você entender o nível da minha paixão}. Mas ler as respostas de Biller, entender seus pontos de vista e pegar as referências incríveis que ela posta no Twitter diariamente foi a cereja do bolo pra me deixar obcecada com esse filme e com os assuntos retratados, por isso recomendo muito que siga essa mulher incrível. Você não vai se arrepender!

E pra quem curtiu a vibe do filme, ama rock psicodélico e queria muito viver nos anos 60 assim como eu, recomendo essa playlist:

Ufa! Espero que esse texto tenha deixado você pelo menos um pouquinho curioso pra assistir esse filme. Me fale se gostou; e se já assistiu, o que achou? Vou amar saber sua opinião! 🖤

(Visited 41 times, 1 visits today)

Você pode gostar de

8 Comentários

  1. Eu amei muito a ideia do filme, mas honestamente pra mim ele tinha que ter sido pelo menos meia hora mais curto, haha. Fica muito cansativo em algumas partes – tipo naquela ~feira medieval~ que foi totalmente dispensável pra mim – e foi o que tirou um pouco da magia. E por mais que eu tenha entendido o propósito da personagem/mensagem, chegava umas cenas que ela vinha falar de homem que eu só rolava os olhos a ponto de ver meu cérebro AHEUAHEA
    A Elaine é linda, e eu adorava os monólogos dela (mesmo com os papo chato de macho IMS ORRY) e sério A FOTOGRAFIA DESSE FILME. O TECHNICOLOR. Eu chorei. Se um dia fizer um filme vai ser em 35mm também. Desde The Hateful Eight, e agora com esse, fico inconformada demais que ninguém mais filma em película.
    ♥️

    1. HAHAHA Line eu imagino você sofrendo nessas cenas mesmo. Eu quando vi a primeira vez achei cansativo, mas já vi duas vezes depois e amei, eu me imagino editando esse filme e não tirando nada pq é tudo lindo demais haha.

      A Elaine é linda de um jeito hipnotizante, passo mal com ela a cada segundo. E sim, a fotografia é de chorar! Realmente acho que a essência desse filme é 100% euzinha, então sinto que nem faria filme pois meu legado pro mundo está aí HAHAHAHA. ♥

  2. Nossa! É a segunda resenha desse filme que leio hoje e estou cada vez mais ansiosa pra assistir – só esperar completar o download, huahuahu. Amei as imagens que tu trouxe e já estou babando pela estética do filme, mas bem curiosa pela história também.
    beijão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *